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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Vereadores aprovam monotrilho no Morumbi

Categoria: Urbanismo

DIEGO ZANCHETTA

Apesar dos protestos de mais de 3 mil moradores, o Morumbi, na zona sul de São Paulo, vai ganhar até o fim de 2013 uma linha elevada do Metrô, conhecida como monotrilho. Na última sessão do ano, os vereadores paulistanos aprovaram (com 48 votos a favor e 4 contra) ontem à noite a construção de uma nova avenida de 6,1 quilômetros no bairro, o que abre caminho para a construção das vigas da Linha 17-Ouro do Metrô. A estimativa é de que será necessário remover casas de alto padrão em uma área superior a 18 campos de futebol entre a Praça Roberto Gomes Pedrosa, na frente do Estádio do Morumbi, e a Ponte João Dias, na Marginal do Pinheiros.

Os moradores reclamam que as desapropriações vão afetar área de mais de 120 casas. Eles chamam a obra de “novo minhocão” e dizem que as vigas elevadas vão ter um impacto urbanístico negativo sem precedentes no Morumbi. Estado e Prefeitura, porém, argumentam que a linha suprirá carência de transporte público para 80 mil moradores de Paraisópolis, a segunda maior favela da capital. Os trens do Metrô correm pelo alto no monotrilho, em pilares a uma altura média de 32 metros, separadas a cada 30 metros. Por ser construído em vigas e pilares pré-moldados, o sistema ficará pronto em 24 meses.

A linha vai interligar o Aeroporto de Congonhas ao Estádio do Morumbi, o que vai facilitar o acesso ao estádio. Atualmente em dias de shows as pessoas com carros demoram até duas horas para conseguir deixar o bairro e acessar a Marginal do Pinheiros. A capacidade máxima do monotrilho na zona sul vai chegar a 49 mil passageiros por hora, em um sentido da linha, nos momentos de pico. A Justiça autorizou, em julho, o início das obras – que tem licença ambiental – para começar em 2012. Só faltava a autorização concedida ontem pelos vereadores.

“Agora vamos mover uma ação para anular essa votação indecente. A Câmara não consultou o bairro em nenhum momento, aprovou só para ganhar o voto dos moradores de Paraisópolis em ano eleitoral sem estimar a decadência urbanística que a obra pode causar”, disparou a farmacêutica Marcela Takagi, de 36 anos, uma das signatárias da ação movida no início do ano por moradores e que acabou indeferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O vereador Aurélio Miguel (PR), morador no bairro, votou contra a proposta. “Não houve debate do governo com os moradores, é uma vergonha o governo não dialogar.”

Mas a maioria dos partidos votou a favor do protesto. Um projeto complementar ao monotrilho, autorizando a abertura de novas ruas em Paraisópolis por onde a linha vai passar, também foi aprovado em segunda discussão. “A população de Paraisópolis precisava de um transporte de massa com a qualidade do Metrô”, acrescentou Marco Aurélio Cunha (PSD).

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