Verde sufocado nos Jardins
- 6 de janeiro de 2012 |
- 23h00 |
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Categoria: Meio ambiente
Até em uma das regiões mais verdes de São Paulo, as árvores sofrem para conseguir espaço. Segundo diagnóstico inédito realizado nos Jardins, zona sul, metade das 2,2 mil espécies plantadas nas ruas do bairro está sufocada por alguma barreira física, como um canteiro de cimento, lixeira, banca de jornal ou mesmo uma guarita de segurança. E três em cada dez já destruíram as calçadas.
Os dados estão em um estudo em desenvolvimento pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e pela associação AME Jardins, cujo objetivo é listar quantas e quais árvores do bairro correm risco de cair. O investimento, de R$ 500 mil, é da AES Eletropaulo, que visa a reduzir o número de interrupções de energia elétrica em função da queda de galhos de árvores em sua rede – hoje, 56% dos casos ocorrem por esse motivo.
O diagnóstico, almejado por moradores dos Jardins desde 2006, ocorre no quadrilátero formado pelas Avenidas Brasil, 9 de Julho, Brigadeiro Faria Lima e Rebouças. A região é considerada o “ar-condicionado” natural da cidade de São Paulo, ao lado do Parque do Ibirapuera.
O estudo foi dividido em duas etapas. Na primeira, todas as árvores foram analisadas externamente. “Fizemos a medição de cada uma delas, depois procuramos identificar a presença de cupins, de fungos e de interferências artificiais, como espelhos, fios e pregos. Na segunda etapa, vamos usar aparelhos não destrutivos, como tomógrafos, para fotografar as árvores por dentro”, diz o Sérgio Brazolin, pesquisador do IPT.
A previsão é finalizar a pesquisa até o fim de junho e entregá-la à Prefeitura para que seja usada como base no programa municipal de arborização.
Segundo o engenheiro agrônomo Luiz Gustavo Ripani, da Eletropaulo, a realidade dos Jardins – bairro tombado pelo Conselho Estadual de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) por manter espécies centenárias – é semelhante às condições encontradas nos bairros de Pinheiros, Pacaembu e Morumbi.
“De maneira geral, os resultados obtidos são ruins. Já constatamos 33 árvores com risco de queda, das quais sete estão mortas. Esse número, no entanto, deve ser maior porque até agora foi feita apenas a avaliação externa”, diz Ripani. Segundo o engenheiro, os problemas são reflexo da falta de planejamento no plantio e do pouco conhecimento da população sobre manutenção.
As espécies mais comuns existentes nos Jardins são jacarandá e tipuana. Na lista dos erros encontrados pelos pesquisadores estão a colocação muito próxima de itens do mobiliário urbano, como postes e lixeiras. Cerca de 15% das unidades diagnosticadas também têm espelhos para ajudar na manobra de carros, placas com propaganda irregular e fiação elétrica, apesar de uma lei municipal proibir essa prática.
“O prego, em especial, abre caminho para a entrada de fungos e bactérias que, com o tempo, ajudam a matar uma árvore. Chega a ser pior que o cupim, que, de acordo com a espécie, não provoca danos graves”, afirma Ripani.
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