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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Verdão realiza sonho de Natal

Categoria: Comportamento

FELIPE TAU
Clemilson Nobre Góes, de 11 anos, nasceu em uma família pobre na zona rural de Porto Velho, em Rondônia, às margens do Rio Madeira. Quando ele tinha 8 anos, seu pai sumiu de casa e, sem conseguir sustentar os quatro filhos, a mãe passou sua guarda para uma prima de São Paulo, em 2008. Desde então, ele vive com a tia Maria Santana, de 47 anos, no centro da cidade, e ontem, depois de enfrentar tantas “peneiras” na vida, soube que finalmente vai passar pela que sempre sonhou: um teste para jogar no Palmeiras, seu time do coração.

O garoto foi uma das 35 mil crianças na Grande São Paulo contempladas neste ano na campanha “Papai Noel dos Correios”. Realizada desde de 1997, a iniciativa consiste em responder à correspondência destinada ao bom velhinho e procurar padrinhos dispostos a realizar os pedidos. Até as 12h19 de ontem haviam sido cadastradas 105 mil cartas na Região Metropolitana.

Clemilson entregou a sua ao Papai Noel dos Correios em mãos, no dia 25 de novembro, na abertura da Casa do Papai Noel da agência central, no Anhangabaú. Para reforçar, fez uma leitura em voz alta para o destinatário: “Meu sonho é ser um jogador de futebol e meu sonho é treinar num clube de futebol profissional”, dizia o texto, escrito por ele próprio. “Se for difícil (…) conseguir um time de futebol de verdade para mim (sic) jogar, o senhor pode me dá (sic) uma bola e uma chuteira, o meu número é 34.”

A história do garoto comoveu a diretoria do Palmeiras e ontem ele foi conhecer o centro de treinamento do time, na Barra Funda, zona oeste. Lá, além da bola, da chuteira e de uma camisa oficial, ganhou do vice-presidente do clube, Roberto Frizzo, a promessa de fazer um teste para a divisão de base em janeiro.

A visita foi surpresa. O garoto foi à regional dos Correios na Vila Leopoldina com a mãe adotiva, mas a pedido do Papai Noel entrou em um carro e foi parar no campo de treinamento do seu time. “Você é palmeirense?”, perguntou ao Papai Noel ao chegar.

Depois de receber o kit esportivo de Frizzo, foi conhecer as dependências do CT. Sempre acompanhado da nova bola, que não largou um minuto sequer.

Ao chegar ao campo, disparou com ela pelo gramado. “Pelas embaixadinhas com perna esquerda, ele promete”, brincou Rizzo. Em Porto Velho, segundo o garoto, a bola era de saco plástico, e o “estádio”, um descampado de terra batida ao lado do rio.

Na saída, ele conheceu o ex-volante César Sampaio e, ainda, o técnico Luiz Felipe Scolari, que lhe fez um pedido: “Falou pra eu ir treinando pra reforçar o time”, confessou o garoto. O Verdão ficou em 11º no Campeonato Brasileiro deste ano.

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