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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Velocidade já caiu em 100 km de avenidas

Categoria: Transporte

CAIO DO VALLE
CAMILA DA SILVA BEZERRA

A velocidade máxima permitida aos veículos caiu em mais de 100 quilômetros de importantes corredores da cidade desde o início do ano, quando a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) começou a intensificar a redução desse limite. A medida, criada para elevar a segurança no trânsito, levou à padronização da máxima em 60 km/h na maior parte dessas vias. Paulista, Dr. Arnaldo, Radial Leste e Santos Dumont são alguns eixos que tiveram mudanças.

A partir de hoje, mais 3,6 quilômetros de quatro avenidas das zonas oeste e sul se somam à conta, entre elas a Lineu de Paula Machado, situada em frente ao Jockey Clube, e a Escola Politécnica (veja a relação ao lado). Os motoristas que circulam nelas terão que pisar menos no acelerador para não ser multados. Antes, a velocidade autorizada nesses trechos era de até 70 km/h, mas agora é de 60 km/h. Com isso, haverá uniformização da máxima nessas vias.

Trabalhando na região há mais de três décadas, o taxista Francisco Fonseca, de 66 anos, diz que nunca chegou a transitar muito rápido nessas avenidas, por falta de espaço. “A 60 km/h nós já andávamos, porque a 70 não tem como. Eu fico geralmente nos 40, 50.” Já o analista de manutenção Rodrigo Sabatini, de 34 anos, diz acreditar que a medida só será respeitada se houver fiscalização. “Aprovo a mudança, mas tem que colocar radar, senão não adianta.”

Nem todos concordam com a diminuição. “Acho que é ruim. A velocidade devia aumentar, pois se aumentasse, o trânsito melhoraria bastante, andaria mais rápido”, diz o frentista Adalto Moreira Branco Júnior, de 25 anos.

Medida positiva

Entretanto, o engenheiro de tráfego Sergio Ejzenberg, mestre em transportes pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-funcionário da CET, explica que a redução da máxima que vem ocorrendo nas vias arteriais é “muito positiva”.

“Com isso, o motorista passa a ter um tempo de reação maior a eventuais problemas na pista. Agora, ele tem mais chance de realizar uma manobra evasiva eficaz, a fim de evitar acidentes e atropelamentos. Se não for possível evitar o acidente, ele poderá ao menos não ser tão violento”, afirma.

Sobre a reclamação de que a redução de velocidade máxima pode piorar a lentidão, Ejzenberg diz que não faz sentido. “Nos horários de pico não muda absolutamente nada, pois as velocidades desenvolvidas já são bem menores do que a máxima autorizada.”

Ele afirma também que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) recomenda que os motoristas rodem sempre abaixo da máxima na faixa da direita, perto da calçada. “Isso ajuda a evitar os atropelamentos, inclusive nas conversões, e as colisões entre veículos que estão dobrando a esquina.”

De acordo com a CET, o programa de padronização de velocidade, que vem sendo praticado desde o ano passado – as primeiras avenidas a recebê-lo foram a 23 de Maio e a Rubem Berta, onde o número de acidentes caiu 27% no primeiro ano após a alteração –, tem como objetivo reduzir a violência do trânsito em São Paulo.

Em 2010, dados da CET revelam que 1.357 pessoas morreram nas vias da cidade. As vítimas foram: 630 pedestres, 478 motociclistas, 200 motoristas ou passageiros de automóveis e 49 ciclistas.

2 Comentários Comente também
  • 15/08/2011 - 08:48
    Enviado por: Dr. Traffic Calming

    A empresa mista q/supostamente gerencia o trânsito de SP está é corrigindo parcialmente o erro de quase dez anos atrás qdo elevou irresponsávelmente os limites de velocidade p/80/70KM em vias inadequadas e acelerou toda a cidade, sem se preocupar c/as consequências inclusive como Fator Contribuinte p/acidentes fatais. Agora usa a desinformação e esse eufemismo da padronização p/corrigir/encobrir parcialmente o êrro.60 KM ainda é muito p/vias como Av. Paulista. Quando elevaram os limites esperavam o que? redução de acidentes? Aproveita-se para torrar o dinheiro publico em publicidade, campanhas efêmeras e falaciosas, entupir ainda mais a cidade com novas e substituição questionável de placas, faixas, palhaços, etc. logo mais será a justificatica para entupir a cidade de radares sem se preocupar com a fiscalização ativa – fiscais, não só para multar. mas para orientar, instruir e prevenir, embora essa operação não dê os lucros esperados. Está-se transformando a cidade em um verdadeiro circo de ilusões.
    Ea campanha levante o bracinho, agite a mãozinha e ganhe um atropelamento, já sumiu? Qual vai ser a próxima mágica desse circo de ilusões? Quando vão fazer campanhas e ações sérias? Qundo vão parar de estimular o desentendimento entre os grupos potencialmente conflitantes que compõe o sistema de trânsito de SP? E ao invés de tratá-los de forma antagônica e separadamente passarão a tratá-los com partes do todo?
    E as propostas para melhoria do trânsito feitas pelo onbudsman à prefeitura, sumiram? são secretas? Por que não divulgá-las e até ouvir a opinião publica sobre as mesmas? Ou podem atrapalhar outros planos?

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  • 15/08/2011 - 11:41
    Enviado por: Dr. Traffic Calming

    Empresa mista pode multar?

    A “irregularidade” estaria na constituição jurídica dessas empresas de economia mista, que podem ter interesse privado na fiscalização. “É temerário afirmar que o trânsito de uma metrópole pode ser considerado atividade econômica ou empreendimento”, diz o ministro Herman Benjamim.A ação foi movida contra a Empresa de Transporte de Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), cuja estrutura é semelhante à da CET de São Paulo. A decisão considerou impossível que o poder de polícia para autuar seja transferido. “A medida vale para Belo Horizonte, mas podemos ter um efeito cascata em outras cidades”, admite o promotor Eduardo Nepomuceno, do Ministério Público de Minas, que entrou com a ação em 2004. Em nota, a CET-SP considera que as situações são diversas e sua função legal “é a fiscalização”.

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