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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Vacina da dengue entra na reta final de testes

Categoria: Geral, Saúde

JAMIL CHADE

Após mais de 90 anos de pesquisas no mundo, uma vacina contra os quatro tipos de dengue vai entrar finalmente na fase final de preparação e o laboratório responsável pela iniciativa quer que o Brasil seja o primeiro país a receber o produto.

No próximo mês, executivos da farmacêutica francesa Sanofi Pasteur desembarcam em Brasília para propor ao governo um acordo com o objetivo de colocar o País como prioridade na distribuição das doses e elaborar um plano específico de vacinação para os brasileiros.

A Sanofi começou a testar a vacina em humanos no Brasil em agosto do ano passado, conforme adiantou na época o Jornal da Tarde. Em 2011, os testes da terceira e última fase da vacina serão aplicados em 30 mil pessoas pelo mundo e o Brasil fará parte desses testes. Se a eficácia do produto for aprovada, o primeiro pedido de registro e autorização será feito em 2013.

Para a Sanofi, a meta é a de ter o produto no mercado mundial em 2015. “Caminhamos para o controle de mais uma doença. Para alguns países, isso será fundamental”, diz o vice-presidente da Sanofi, Michael Watson. No caso do Brasil, a empresa quer propor prazos menores para que a vacina chegue antes à população.

“O que vamos propor ao Brasil é que, se houver um compromisso político e um processo mais acelerado de aprovação, o produto poderia estar à disposição da população brasileira antes de 2015”, afirma Jean Lang, vice-presidente de pesquisa da empresa e chefe do programa de Dengue.

A Sanofi pode dividir o mercado com outros concorrentes: há mais duas vacinas sendo pesquisadas no País, uma pela Fiocruz e outra pelo Instituto Butantan (mais detalhes no quadro ao lado). A Sanofi propõe que seu produto seja usado no Brasil enquanto o País não concluir sua própria produção.

A empresa francesa tem pelo menos quatro anos de avanço sobre os demais projetos relacionados à pesquisa de vacinas antidengue, segundo um dos diretores do Instituto Internacional de Vacinas, Luiz Jacintho da Silva. Na prática, nenhuma das empresas envolvidas nas pesquisas sobre a imunização contra a dengue tem capacidade de suprir todo o mercado a curto prazo.

A própria Sanofi estima produzir 100 milhões de doses por ano, o que seria suficiente para imunizar apenas o Estado de São Paulo – já que cada pessoa deverá ter de tomar três doses para ficar protegida. Isso sem contar os compromissos da empresa de também distribuir o produto em outros países do mundo. “O que queremos propor e negociar é um plano da vacina no Brasil”, afirma Lang.

Diante da impossibilidade de atender a todos, outro desafio seria selecionar os primeiros beneficiados da vacina no Brasil e organizar uma campanha direcionada. Além disso, há também a questão financeira. Estima-se que o Brasil gaste aproximadamente US$ 500 milhões por ano com tratamento e internações por conta da dengue. “A questão é como fazer esses recursos migrar para vacinação”, acredita Jacintho da Silva.

A corrida pelo Brasil não ocorre por acaso. Considerada uma vacina contra uma doença que acomete países pobres, multinacionais buscam locais onde possam compensar seus investimentos. O Brasil, para isso, é um cenário perfeito: a doença é endêmica por aqui, com número recorde de casos em 2010. Mas, ao contrário da África, o país conta com recursos.

Segundo a Sanofi, depois de focar nos países emergentes, a ideia é que o produto seja oferecido aos turistas de nações ricas.

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