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Quarta-feira, 01 de Outubro de 2014
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Taxista de São Paulo ganha até R$ 4 mil

Categoria: Comportamento

ARTUR RODRIGUES
CAMILA BRUNELLI

Homem, na faixa dos 50 anos, com renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, dirigindo um Meriva. Esse é o perfil do taxista de São Paulo, segundo pesquisa inédita da São Paulo Turismo (SPTuris), divulgada com exclusividade pelo JT, que mostra ainda que cada motorista faz uma média de 12,4 corridas diárias e atende cerca de 13,6 passageiros.

O estudo foi realizado entre 16 e 20 de abril no Autódromo de Interlagos, em parceria com as revistas Táxi! e Táxi Cultura, e ouviu 1.189 taxistas. O objetivo era fazer um diagnóstico do serviço antes da Copa do Mundo de 2014.

Com a maior frota do País, a capital tem 33 mil motoristas de táxi cadastrados e a maioria usa veículos novos – 55% dos carros utilizados foram fabricados entre 2010 e 2012. A grande maioria, 75,2% dos taxistas, é dona do veículo – 18,8% são segundos motoristas e 5,9% pertencem a cooperativas. Além disso, 40,6% dos taxistas têm mais de 15 anos de profissão.

“Quando se olha o serviço de táxi do Brasil, não há equivalente ao de São Paulo, tanto em relação ao condutor como em relação ao veículo”, diz Luiz Sales, diretor da SPTuris.  Apesar de só 0,2% dos taxistas ter serviço de luxo, a maioria tenta oferecer passatempos aos passageiros – 54,4% têm revistas, 17,2%, TV e 15,9%, DVD.

Entre os passageiros, 77,4% são paulistanos e 25,6%, turistas. A pesquisa revela também que 41,8% pagam em dinheiro vivo.  A maior parcela dos turistas, segundo a SPTuris, veio a negócios à capital ou para alguma convenção.

“A Copa traz um perfil de público diferente, de turismo de lazer, e queremos que o taxista consiga mostrar além da Avenida Paulista ”, afirma Sales. A Paulista é o destino mais procurado (35,2%), seguida do Parque do Ibirapuera (22,8%) e da Rua 25 de Março (8,6%).

Uma das apostas da SPTuris para qualificar a mão de obra é um programa em que taxistas e familiares poderão entrar de graça em atrações culturais da cidade, como Masp, Museu da Língua Portuguesa e Museu do Futebol.

“Queremos que eles saibam o que tem dentro desses lugares quando o turista perguntar e o que há para fazer na cidade”, continua Sales. “Ou, então, eles vão falar do trânsito.”

O assunto, aliás, é o que mais preocupa os taxistas. “A cidade não comporta mais o número de carros que é emplacado todos os dias”, afirma Maurício de Oliveira, de 51 anos, um taxista padrão: 18 anos de profissão e 12 horas por dia atrás do volante de seu Meriva 2010/2011. O carro, diz ele, “não é muito grande nem muito pequeno, e tem um bom porta-malas”. “Isso é importante para nós que trabalhamos perto de hotéis.”