Prédio será demolido para recuperar paisagem
- 4 de setembro de 2012 |
- 22h50 |
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Categoria: Patrimônio, Urbanismo
MONIQUE ABRANTES
TIAGO DANTAS
Na tentativa de devolver ao centro de São Paulo parte de sua paisagem histórica, a Prefeitura vai demolir um edifício-garagem de 31 andares localizado na Rua 25 de Março. O prédio é considerado pela administração municipal um “obstáculo visual” entre a várzea do Rio Tamanduateí e a chamada “colina histórica”, onde ficam o Pátio do Colégio e a Catedral Metropolitana da Sé, segundo nota do governo municipal.
No lugar do edifício será construído um centro popular de compras, mas o imóvel será bem mais baixo – os prédios vizinhos têm no máximo 4 andares. Segundo a Prefeitura, ainda serão feitos estudos para definir detalhes do projeto. A proposta, no entanto, valoriza a paisagem: haverá um mirante com vista para a colina histórica e para o Parque D. Pedro II. Nesse local está previsto a construção de um setor de bares e restaurantes.
No total, o shopping popular terá 10 mil metros quadrados de área construída, divididos em um subsolo e mais três pavimentos. “A galeria abrigará espaços para a instalação de boxes comerciais de portes variados”, informa nota da Prefeitura.
Não há prazo para o início das obras, que fazem parte do segundo de quatro lotes de intervenções do projeto de revitalização do Parque D. Pedro II. A desapropriação deve custar cerca de R$ 5 milhões, segundo decretos que garantem reserva de recursos publicados no Diário Oficial da Cidade entre sexta-feira (dia 31) e esta terça-feira.
O Garage Parque 25 foi construído na década de 1980. Além de oferecer 630 vagas de estacionamento, ele abriga, no térreo, lojas de roupas e bijuterias. O plano municipal prevê a criação de 2.600 pontos de estacionamento na região – parte em uma garagem subterrânea na Praça Fernando Costa.
Para o arquiteto e urbanista Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a demolição do edifício é bem-vinda. “Esse prédio nem deveria ter sido construído. Ele é um entrave em uma das paisagens mais importantes de São Paulo, onde tudo (a cidade) começou.”
O especialista ressalta que o projeto ajuda a resgatar a identidade do centro. “A paisagem é um patrimônio importante para a sociedade. Vê-la e entender como a cidade surgiu é importante para a identidade de São Paulo.”
Apesar da decisão da Prefeitura, muitos comerciantes ouvidos pelo Jornal da Tarde desconheciam os planos para a região. “Faz uns dois anos que começaram a falar de desapropriação aqui, mas isso aí deu uma parada. Acho que já desistiram”, diz a balconista Carmen Pires de Oliveira, de 31 anos. Em um açougue vizinho ao estacionamento vertical, a criação de um centro de compras também era desconhecida. “Demolir para fazer um camelódromo? Mas já não tem lojas demais aqui na 25?”, questiona o açougueiro Thiago Moreno, de 24 anos.
A secretária executiva da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), Cláudia Urias, acredita que a região não precisa de mais um centro de compras. “A 25 tem 38 shoppings. São tantos espaços que muitos boxes estão vazios, por falta de interessados em alugar”, afirma Cláudia. “Por outro lado, faltam vagas de estacionamento”, destaca.
Apesar da opinião, Cláudia diz que os comerciantes são a favor da revitalização do Parque D. Pedro. Mas esperam que alguns pontos, como a criação do shopping popular, sejam revistos.
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25 de março, catedral da sé, Centro, Parque Dom Pedro II, Pátio do Colégio, revitalização
Projeto prevê lago no Parque Dom Pedro
- 20 de junho de 2012 |
- 23h05 |
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Categoria: Administração, Meio ambiente
RODRIGO BRANCATELLI
O Parque Dom Pedro II mal merece a alcunha de “parque”. Deveria ser chamado de “obstáculo”, ou algo como Barreira Dom Pedro II. Ligação histórica entre o centro histórico de São Paulo e a zona leste, o local parece totalmente deslocado do resto da cidade, alheio, um grande nó viário, além de um dos melhores exemplos de degradação urbana e devastação sofridos por áreas verdes para construção e alargamento de vias.
Mais do que fazer prédios e passagens para veículos, o novo projeto de revitalização do Dom Pedro II pretende justamente resolver esse problema conceitual – transformar novamente em parque o mar de carros, ônibus e viadutos.
“Aquele espaço simbólico da várzea do Tamanduateí foi totalmente descaracterizado por obras violentas do sistema viário”, diz a arquiteta Fernanda Barbara, sócia do escritório Una Arquitetos, um dos responsáveis pelo plano. “O que mais queremos é que ele deixe de ser um bloqueio e recupere seu caráter público.”
Orçado em R$ 1,5 bilhão, o projeto é mais uma etapa da reurbanização da região, cujo processo começou de forma tímida com a demolição dos edifícios São Vito e Mercúrio. A ideia é enterrar um trecho da Avenida do Estado e criar na superfície uma lagoa e uma espécie de parque linear.
Estações de ônibus, metrô e do Expresso Tiradentes serão unidas em um único ponto. A região ganhará unidades do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). E toda essa nova esplanada acabaria unindo lugares históricos do centro – como o Mercado Municipal, o Palácio das Indústrias e o Pátio do Colégio.
A lagoa e o parque linear servirão como o principal espaço público. “Essa lagoa desempenha diversos papéis, ajudando na drenagem e na captação de águas pluviais, pois as enchentes são recorrente”, diz Fernanda.
Para que o projeto agora saia do papel, a Prefeitura ainda precisa resolver diversos pontos, como a demolição do Viaduto Diário Popular e a construção de um pontilhão sobre o Rio Tamanduateí.
Para a arquiteta, mesmo que a burocracia atravanque a revitalização, é importante que a cidade tenha projetos para debater temas urbanos para São Paulo.
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carros, conceitual, Dom Pedro II, ônibus, problema, revitalização, veículos, viadutos
Mercados municipais: nova cara para serem descobertos
- 25 de maio de 2012 |
- 23h07 |
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Categoria: Administração, Comportamento
LUISA ALCALDE
Os 15 mercados municipais da capital vão ganhar nova identificação visual. O objetivo da Prefeitura é padronizar as placas das fachadas para que os paulistanos saibam que nesses locais é oferecido esse tipo de serviço.
Um grupo da Supervisão Geral de Abastecimento de São Paulo (Abast) responsável pelos mercados e sacolões de São Paulo esteve reunido no início do mês com a diretora de paisagem urbana da SPUrbs, Regina Monteiro, para discutir como esse trabalho será elaborado.
“Muitas vezes, nem os moradores dos bairros em que eles ficam sabem que ali tem um equipamento desse tipo”, diz Regina. As novas placas serão chamarizes para mostrar que não é só o Mercado da Cantareira, ou Mercadão, no centro, que vende iguarias únicas. Os demais 14 mercados também estão cheios de curiosidades e produtos que só podem ser encontrados em seus boxes.
A maioria dos pontos é passada de pai para filho. E o atendimento personalizado é um dos diferenciais e que atrai tanta gente. A reportagem do Jornal da Tarde visitou esta semana dez mercados municipais do centro e das zonas sul, leste, oeste e norte e mostra o que encontrou: desde diferentes tipos de carnes e temperos a rodutos inusitados, como rapé produzido artesanalmente.
MERCADOS
O paulistano é convidado a viajar por meio de sabores, odores, texturas e cores assim que cruza os portões dos 15 mercados municipais da capital. Os boxes, na maior parte das vezes, são passados de pai para filho há gerações. Assim como receitas de famílias, só provadas nesses locais.
Cada um deles guarda peculiaridades, como o da Lapa, na zona oeste, o segundo mais movimentado da capital e que tem grande parte do público formado por nordestinos. Não à toa, também oferece uma variedade enorme de produtos do Norte e Nordeste.
“As pessoas que moram na periferia e são do Norte pegam o trem aqui na frente e aproveitam para levar os alimentos típicos para fazer em casa”, afirma Cassiano de Oliveira, dono de um laticínio. O que ele mais vende? “Bolo de fubá de Pernambuco e requeijão baiano”, afirma.
Os clientes, completa Nelson Katsuragi, de 46 anos, dono da Peixaria São José, não se importam em levar – de trem – para casa siris e caranguejos vivos. “Vendo de 50 a 60 quilos todos os dias”, garante.
Do outro lado da cidade, o bairro Alto da Boa Vista, na zona sul, concentra um grande número de alemães que vieram trabalhar e morar em São Paulo. Caso do engenheiro Harro Wender, de 82 anos, que não passa uma semana sem ir ao Mercado de Santo Amaro para comprar produtos de sua terra natal.
A frequência dos imigrantes estrangeiros é tão grande que o também descendente de alemães Daniel Hollaender, dono do Penedo Frios e Laticínios, contrata aulas de alemão para as funcionárias se comunicarem com os fregueses. “No final de semana aqui vira ponto de encontro da colônia”, comenta Hollaender.
Também na zona sul, o dono da Rotisserie Boccaricca, Vladimir Marchezin, de 60 anos, praticamente “nasceu” dentro do Mercado Municipal do Ipiranga. “Meu pai é um dos fundadores. Estamos aqui desde 1940. Meu berço muitas vezes foram as sacarias de feijão e arroz do empório que meu pai tinha aqui”, recorda-se ele.
No mesmo local, o Empório do Bacalhau guarda um “tesouro”: açafrão espanhol vendido entre R$ 50 a R$ 70 mil o quilo, afirma o especialista em temperos da casa, Gabriel Oliveira, de 24 anos. “Oferecemos embalagens com 0,3 grama por R$ 25 o pacote”, diz.
Chefs de cozinhas renomados são clientes do Mercado de Pinheiros, garantem os funcionários dos boxes, como Vilson Cipriano da Silva. “Eles costumam vir às quintas, sextas e sábados”, diz ele, que tem preciosidades como a cachaça Anísio Santiago, da região de Salinas, Minas Gerais, por R$ 360 a garrafa. Ou ainda a Havana, por R$ 600. “Ainda não chegou, mas em breve teremos”, garante.
E como “um fuminho de corda não faz mal a ninguém”, nas palavras do balconista José Paulo, de 65 anos, a charutaria do Mercado de Pinheiros resiste ao tempo e existe naquele local desde 1971. “Nunca morreu ninguém por fumar cigarro de palha e cheirar rapé”, afirma. O fumo vem de Arapiraca, Alagoas. ::
Governo cria PPP para o centro
- 13 de abril de 2012 |
- 23h03 |
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Categoria: Administração, Urbanismo
ARTUR RODRIGUES
O governo estadual quer a ajuda de empresas para revitalizar o centro de São Paulo. Na segunda-feira, será lançada uma Parceria Público-Privada (PPP) para criação de 10 mil unidades habitacionais populares na região. O objetivo é fazer os investidores construírem ou reformarem moradias em áreas subutilizadas.
Entre as estratégias para seduzir a iniciativa privada está a desapropriação de terrenos e prédios vagos em favor de empreendedores com projetos de utilidade pública.
“Nosso foco é beneficiar pessoas que trabalham, mas não moram no centro. Queremos repovoar a área, que fica vazia à noite”, diz o secretário estadual de Habitação, Silvio Torres. Segundo ele, a ideia é reduzir a demanda por transporte e aproveitar melhor a infraestrutura da região central, trazendo moradores da periferia.
Os bairros selecionados para fazer parte da PPP são Santa Cecília, Barra Funda, Bom Retiro, Pari, Brás, Mooca, Belém, Cambuci, Liberdade e Bela Vista. Os empreendimentos serão 90% voltados a quem ganha até cinco salários mínimos – e os demais a pessoas que recebem até dez salários.
Do total de unidades, 2 mil serão reservadas a pessoas cadastradas por entidades de sem-teto e movimentos sociais selecionados pelo governo.
Pelo projeto, os compradores dos imóveis deverão pagar um preço menor do que a média dos aluguéis do centro. A parcela mínima será de R$ 125 e a máxima, de R$ 680. Os valores, no entanto, só começariam a ser cobrados depois que as pessoas estivessem vivendo no novo imóvel.
Para mapear os locais que poderiam ser aproveitados, a secretaria contratou uma empresa que percorreu seis setores da cidade, catalogando prédios, barracões, estacionamentos e terrenos que poderiam ser mais bem utilizados do ponto de vista habitacional.
Entre as áreas há várias às margens de linhas de trem, onde existem terrenos vagos e prédios abandonados. No total, foram mapeadas aproximadamente 40 mil unidades. Quem quiser investir terá acesso ao material desenvolvido.
Entre os projetos incentivados está o de manter espaços comerciais no andar térreo e apartamentos nos demais pavimentos. O uso misto dos espaços é visto como uma solução para o esvaziamento noturno da região central, bastante visível em bairros como Bom Retiro. A Prefeitura também testa projetos com essa proposta, a exemplo dos Estados Unidos.
O governo afirma que essa é a primeira PPP da habitação no País e o modelo da parceria acaba de ser criado. Entre as possibilidades está uma que pode assustar especuladores, permitindo que investidores indiquem terrenos alheios para desapropriação. “O Estado vai criar condições para o empreendedor”, diz Torres.
O governo entraria com o subsídio de parte do valor gasto após o fim das obras, para ser pago em de 25 anos. Diferentemente do que ocorre com os conjuntos habitacionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, quem vai comercializar e ficar com a carteira de compradores será a iniciativa privada.
Cinemas dão lugar a estacionamentos
- 27 de agosto de 2011 |
- 23h00 |
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Categoria: Lazer, Patrimônio, Segurança, Urbanismo

O antigo Cine Broadway, inaugurado em 1962 na Rua Aurora, virou estacionamento (Foto: Ayrton Vignola/AE)
Gio Mendes
Dos 40 cinemas que estavam em atividade nas ruas do centro de São Paulo há exatos 25 anos, 14 foram transformados em outros empreendimentos. A maioria virou estacionamento. Para especialistas, a degradação do centro nas últimas décadas determinou o fechamento das salas. O público deixou de frequentar os cinemas da região por medo da violência.
Os estacionamentos ocuparam o lugar de oito cinemas. Dois se tornaram shoppings populares. Uma igreja evangélica, um estúdio de tevê, um teatro e um hotel surgiram no local de outras quatro salas. Um cinema foi demolido, 13 estavam fechados, sem nenhum tipo de uso, e outros 10 tentam sobreviver exibindo filmes pornográficos.
Apenas dois cinemas resistem no centro com filmes do circuito comercial em cartaz ou mostras com temas específicos. O Marabá, inaugurado em 1945 na Avenida Ipiranga, ficou fechado para reforma durante dois anos e foi reaberto em 2009 pela PlayArte, distribuidora brasileira de filmes. O Olido, localizado desde 1957 na Avenida São João, passou a ser administrado pela Prefeitura em 2004.
Para o urbanista Nabil Bonduki, professor de Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), o poder público deveria reabrir os cinemas que estão fechados, pois isso ajudaria no processo de revitalização da cidade. “Não dá para dispensar uma área de valor histórico e cultural que poderia ser recuperada como espaço de uso da população e deixá-la se transformar num estacionamento para atender um número relativamente pequeno de veículos”, disse o urbanista.
De acordo com Bonduki, o fim dos cinemas de rua diminui a circulação das pessoas no centro da cidade, fator determinante para a recuperação de regiões deterioradas. “Com o desaparecimento dos cinemas de rua, desaparece a possibilidade de a cidade ter qualquer tipo de atividade na rua. Isso gera uma processo de desertificação das ruas, com o crescimento de problemas como a violência”, observou o professor.
O presidente da Associação Preserva São Paulo, Jorge Eduardo Rubies, também defende a reativação de algumas salas para que o centro da cidade volte a ser um lugar frequentável à noite. “Se o poder público mantém o cinema de rua ativo, todo o entorno vai se beneficiar. Restaurantes, lanchonetes e bares vão ficar movimentados, pois passarão a ser frequentados pelo público do cinema. E com mais gente circulando pelas ruas, as vias públicas ficam mais seguras”, afirmou Rubies.
Segundo Rubies, um exemplo claro de como o fechamento de um cinema interfere na redução de clientes de outros estabelecimentos comerciais pode ser visto no caso do Belas Artes, na região da Avenida Paulista, que deixou de exibir filmes depois que o proprietário do prédio decidiu não renovar o contrato de aluguel com os donos do cinema. “O movimento da pizzaria Micheluccio caiu bastante em virtude do fechamento do Belas Artes. Os comerciantes da região lamentam a perda dos clientes que frequentavam o cinema.”
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