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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014
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SP libera mais 16 mil imóveis

Categoria: Administração, Geral, Habitação

ADRIANA FERRAZ
DIEGO ZANCHETTA
RODRIGO BRANCATELLI
A Prefeitura de São Paulo quer lançar no mercado um estoque de títulos imobiliários que vai permitir a construção de 16.740 apartamentos no eixo Lapa-Barra Funda, na zona oeste da cidade.
O objetivo é levar cerca de 66,9 mil moradores para espaços ociosos ao longo da linha férrea, que corta a região. Se todo o potencial construtivo for vendido, serão 160 habitantes por hectare em bairros cuja ocupação média hoje é de 36 por hectare.

O projeto de lei que revisa a Operação Urbana Água Branca permite um adicional de 1,85 milhão de metros quadrados no perímetro de 540 hectares entre a Lapa e a Barra Funda. A nova cota é três vezes maior do que os 409 mil m² consumidos nos últimos 17 anos na área da operação, e que permitiram a chegada de empreendimentos como o Bourbon Shopping, o condomínio Casa das Caldeiras e o câmpus da Universidade 9 de Julho (Uninove).

O estoque extra será negociado na Bolsa de Valores, em leilão, por meio da venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). Os títulos permitem à iniciativa privada construir acima da metragem estabelecida na lei de zoneamento.

Segundo a Prefeitura, a área que foi adensada por prédios comerciais na Pompeia, em Perdizes e na Água Branca será “protegida” pela nova legislação.

O foco agora é atender a demanda por prédios residenciais na Lapa e na Barra Funda, especialmente na área entre a linha do trem e o Rio Tietê.

Residências
Ao propor a revisão da operação urbana, a gestão Gilberto Kassab (PSD) argumenta que houve uma mudança de perfil na região, antes com vocação comercial e hoje, majoritariamente residencial. Técnicos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano justificam que há dezenas de galpões do “outro lado da linha do trem”, muitos abandonados há duas décadas, que podem ser substituídos por torres de apartamentos.

Os bairros são dotados de boa infraestrutura de transportes públicos. Lançamentos recentes na região têm 100% de unidades vendidas em menos de dois meses, segundo corretores.

Tanto interesse se traduz em números. Do total de 1,85 milhão de m² extras, 1,05 milhão será vinculado a empreendimentos residenciais. É mais que o triplo do estoque atual, fixado em 300 mil m².

O novo estoque residencial ainda representa 59% dos 3,11 milhões de m² edificados em toda a capital paulista em 2011 – foram 443 prédios no ano passado, com 38.149 apartamentos, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

Melhorias
A dúvida de especialistas ouvidos pela reportagem, porém, é se a chegada de novos prédios vai se reverter em melhorias para a população, o que não ocorreu nos primeiros 17 anos da Operação Urbana Água Branca.

O corredor comercial que se consolidou na última década na Avenida Francisco Matarazzo ainda não se reverteu em obras e benefícios viários e urbanísticos, como previa o projeto original de 1995

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Sítios arqueológicos ameaçam reforma da Barra Funda

Categoria: Patrimônio

Felipe Oda

O projeto de reurbanização da Barra Funda, proposta na Operação Urbana Água Branca, está ameaçado. O estudo sobre impacto ambiental (EIA-Rima) encomendado pela Prefeitura identificou na área que será afetada, de 5,4 km², 11 prováveis sítios arqueológicos, com possibilidade de abrigarem cerâmicas indígenas ou objetos do início do século passado. Além disso, 5 imóveis tombados ou em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também podem ser danificados.

A data de início das obras da operação urbana ainda precisa ser definida pela Prefeitura. Antes disso, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente fará audiência pública para discutir o EIA-Rima. A pasta pode sugerir mudanças para evitar danos aos potenciais sítios arqueológicos ou ainda optar por dar continuidade ao projeto. Nesse caso, o Iphan precisa ser informado da decisão para que contrate empresas especializadas em arqueologia que escavarão e analisarão os terrenos.

 

Terreno na esquina da Av. Auro Soares de Moura Andrade com a Rua Pedro Machado é um possível sítio arqueológoco (Foto: Epitácio Pessoa/AE)

Terreno na esquina da Av. Auro Soares de Moura Andrade com a Rua Pedro Machado é um possível sítio arqueológoco (Foto: Epitácio Pessoa/AE)

“Depois que o Iphan é notificado, a obra só prossegue após o trabalho de escavação dos potenciais sítios ser finalizado”, explica a arqueóloga Lúcia Juliani, do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), órgão ligado à Prefeitura. Os estudos podem durar semanas ou até mesmo anos, explica o arqueólogo Job Lôbo, consultor da Walm Engenharia Ambiental, empresa responsável pelo EIA-Rima. Enquanto isso, as obras naquele trecho não podem continuar. “O tempo para o resgate (arqueológico) depende da quantidade de material encontrado, a profundidade, grau de preservação e tamanho do sítio”, explicou Lôbo. A cidade tem 16 sítios catalogados e estudados.

O Iphan informou que “irá avaliar as medidas mitigadoras (atenuantes) compensatórias necessárias para a preservação do patrimônio por tratar-se de um empreendimento (operação urbana) causador de grande impacto no solo, em área considerada de alto potencial arqueológico”.

Os 11 terrenos são tidos como possíveis sítios arqueológicos pelo seu estado de conservação. Neles, nunca foram erguidas construções e, por isso, seu subsolo pode ter objetos históricos. Além disso, estão perto do Rio Tietê, local que foi ocupado por índios.

Entre os imóveis tombados ou em processo de tombamento estão as duas casas da Rua Carlos Vicari, o terreno da antiga Indústria Francisco Matarazzo, a antiga Serraria Americana e um casarão na Rua Guaicurus. Todos, segundo o EIA-Rima, podem sofrer danos. A operação urbana prevê a construção de parques e 56 vias.

Prefeitura quer triplicar população da Barra Funda

Categoria: Geral, Urbanismo

Operação Urbana Água Branca prevê, entre outras medidas, desapropriação de parte dos centros de treinamentos do São Paulo e do Palmeiras, além da construção de uma avenida em trecho do terreno onde hoje está o Playcenter (Foto: Evelson de Freitas/AE)

Operação Urbana Água Branca prevê, entre outras medidas, desapropriação de parte dos centros de treinamentos do São Paulo e do Palmeiras, além da construção de uma avenida em trecho do terreno onde hoje está o Playcenter (Foto: Evelson de Freitas/AE)

Felipe Oda

A Prefeitura quer triplicar o número de habitantes da Barra Funda, retomar parte dos terrenos onde estão os centros de treinamento (CTs) do Palmeiras e do São Paulo e desapropriar uma parcela do Playcenter.

A proposta, que faz parte da Operação Urbana Água Branca, é dividir a região, rica em transporte público, mas deficiente em estrutura viária e em drenagem, em nove microrregiões com mudanças específicas para as necessidades de cada uma.

Não serão criados novos bairros, mas a cara da Barra Funda deve mudar. A população passaria dos atuais 25 mil habitantes, para 85 mil. Seus galpões industriais dariam lugar a novos empreendimentos. O viário também receberá intervenções para dar fluidez à frota de 27,4 mil carros em 2025 – hoje, são 8 mil carros.

“A setorização é boa. É importante o planejamento bairro a bairro para atender às necessidades específicas das regiões”, afirma o urbanista Cândido Malta. “É preciso incentivar o desenvolvimento de serviços e, assim, evitar grandes deslocamentos da população”, diz o diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, Valter Caldana.

Criada há 15 anos com o objetivo de melhorar as condições de mobilidade para veículos e pedestres, a Operação Água Branca sempre teve como meta reurbanizar a orla da ferrovia de modo a integrá-la à paisagem. Prevê também o escoamento natural da água da chuva, associando o sistema de drenagem ao de áreas verdes, e a recuperação de referenciais paisagísticos, como a Serra da Cantareira.

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