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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014
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Nada mudou onde houve mais enchente

Categoria: Administração, Clima

Manuel da Ressureição mora numa travessa da Av. Prof. Luis Inácio de Anhaia Melo e contruiu uma barragem de 1,65 metros. FOTO: HÉLVIO ROMERO/AE

 

FABIANO NUNES
TIAGO DANTAS

Nenhuma obra estrutural foi feita nos pontos da capital que alagaram mais vezes na última temporada de chuvas. Paulistanos temem ver novamente, em frente a suas casas, carros boiando, pessoas ilhadas, trânsito bloqueado, lixo acumulado e outros transtornos causados pelas inundações.

O Jornal da Tarde visitou na semana passada os 12 locais que mais apareceram na lista de pontos de alagamento intransitáveis do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) entre 1.° de outubro de 2010 e 30 de abril deste ano.

Pouca ou nenhuma ação do poder público foi percebida nos últimos meses, de acordo com os moradores. Durante as chuvas do final de semana, quatro desses pontos voltaram a alagar, como a Rua Romão Gomes, Avenida Alcântara Machado, Marginal do Tietê e Avenida do Estado.

Na Marginal do Tietê, a via que mais teve bloqueios causados por enchentes na última temporada – 22 vezes – o governo do Estado está retirando entulho e sujeira da calha do rio desde maio. O próprio governador Geraldo Alckmin (PSDB) já admitiu que o desassoreamento não garante que o Tietê ficará livre de transbordamentos.

Na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, zona oeste, onde foram registrados cinco alagamentos que não permitiam a passagem de veículos, vizinhos relataram que a Prefeitura limpou, em setembro, uma boca-de-lobo que sempre está entupida.

Nos outros dez locais visitados, porém, não havia obras nem houve relato de limpeza constante de bueiros. Até setembro, a Prefeitura gastou 8% da verba destinada ao combate a enchentes no ano todo (R$ 57,1 milhões), segundo reportagem publicada pelo JT sexta-feira – 22% dos recursos foram reservados.

“A Prefeitura precisa de um sistema de informação que tenha todos os equipamentos de drenagem cadastrados, como galerias e bueiros. Vai facilitar o planejamento de limpeza e manutenção”, afirma João Jorge da Costa, coordenador da divisão técnica de engenharia sanitária do Instituto de Engenharia.

Segundo ele, a limpeza dos bueiros deve ser feita constantemente. “Tem lugares que deveriam ter limpeza diária, como centros comerciais. A água da chuva leva muito lixo para as galerias. Na próxima tempestade, vão transbordar”, diz, citando que é importante investir na varrição das ruas e em campanhas educativas.

“É muito lixo (nesta rua). Nunca vi limparem esses bueiros”, diz a gerente de vendas Maria Aparecida dos Santos, de 40, que teve sua loja alagada no início do ano. O comércio fica na Avenida Alcântara Machado (Radial Leste), Belém, zona leste, próximo ao Viaduto Guadalajara, onde o CGE registrou nove pontos de alagamento intransitáveis.

Comportas

Excluindo a Marginal do Tietê, a via com mais alagamentos que impediram o tráfego foi a Avenida Professor Luís Ignácio de Anhaia Melo, na zona leste, com 19 casos. A única obra em andamento por ali é a construção do monotrilho que ligará Vila Prudente a Cidade Tiradentes.

A colocação de comportas nos portões das casas se tornou solução corriqueira. Foi o que fez o aposentado Manuel da Ressurreição, de 87 anos. “Precisavam aumentar a galeria que passa na avenida, pois essa via recebe toda a água da chuva que vem da Vila Alpina.”

O engenheiro e consultor em macrodrenagem Aluísio Pardo Canholi lembra que o aumento das galerias não é a única saída. “Nos lugares onde a água chega de maneira rápida, vinda de pontos mais altos, é preciso pensar em reservatórios, que têm se mostrado a melhor solução”, diz ele, que assinou, entre outras obras públicas, o piscinão subterrâneo do Pacaembu. 

Prefeitura diz que limpou um milhão de bocas de lobos

A Prefeitura diz que limpou neste ano “mais de 1 milhão de bocas de lobo e poços de visitas, mais de 1.500 quilômetros de extensão de córregos e outros 760 quilômetros de galerias”. Afirma que “mais de 51 milhões de metros cúbicos de detritos foram removidos dos piscinões”.

O governo municipal também cita a retirada de 18.300 toneladas de inservíveis por meio da Operação Cata Bagulho e o aperto na fiscalização de descarte irregular de lixo em via pública.

Escolas discutem discriminação ao ProUni

Categoria: Educação, Geral

MARIANA LENHARO

Semanas depois de vir à tona o caso de discriminação contra a aluna do ProUni Meire Rose Morais, que cursa o último ano de Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), representantes da Faculdade de Direito da instituição resolveram criar um Fórum Permanente de Inclusão Social e Ações Afirmativas, inaugurado anteontem.

Outras universidades já têm ações que seguem na mesma direção, como a São Judas, que criou, neste semestre, um Núcleo de Atenção à Discriminação e Intolerância.

O fórum da PUC foi organizado pelos professores e desembargadores Consuelo Yoshida e Antonio Carlos Malheiros, titular da área de Direitos Humanos e coordenador da comissão responsável pela apuração do caso de discriminação contra Meire.

Malheiros adiantou que a ideia do movimento não é punir, mas ter um caráter pedagógico, “de maneira que possamos nos tornar mais tolerantes e receptivos a todas as ideias, e aceitarmos as diferenças”.

De acordo com Consuelo, o objetivo do fórum é a ampliação do envolvimento do corpo docente e discente, visando a prevenção da discriminação de qualquer natureza na universidade. O diretor da Faculdade de Direito, Marcelo Gomes Sodré, anunciou que vai criar mecanismos para que os alunos do ProUni passem a ter um acompanhamento mais detalhado.

“Historicamente detectamos poucos problemas, mas temos de confessar que, talvez, a gente não tenha se debruçado como deveria com relação ao acompanhamento desses alunos”.  Estudantes bolsistas presentes na inauguração do fórum mostraram-se receosos de que a atitude da PUC fosse apenas uma “resposta à mídia”.

“O que a gente percebe é que os fatos não são isolados. O que se torna isolado é uma voz ser realmente ouvida”, diz a doutoranda da área de Linguística Aplicada da PUC, Carla Messias.

Na Universidade São Judas, o Núcleo de Atenção à Discriminação e Intolerância foi criado neste semestre durante um simpósio sobre o holocausto. “Trouxemos sobreviventes do holocausto para mostrar para os alunos até onde pode chegar a intolerância”, conta o diretor de extensão Fernando Duch. “O objetivo dessas ações é fazer com que percebam a importância de valorizar as diferenças”.

No caso do Mackenzie, há comissões que se reúnem para acompanhar os bolsistas. “Felizmente, até hoje, não houve reclamação no sentido de manifestar descontentamento quanto a tratamentos desiguais”, afirma o professor Ademar Pereira, decano da instituição.

A primeira ação do fórum da PUC será incluir debates sobre o preconceito na semana de recepção aos calouros no próximo ano. Os próprios bolsistas, contudo, podem não chegar à universidade a tempo de participar dos eventos, pois os atrasos na seleção desses alunos, por parte do MEC, faz com que iniciem as aulas depois do restante da classe.

Uniban deve pagar R$ 40 mil à Geisy

Categoria: Educação

Geisy participa do reality show A Fazenda 3 (Foto: Divulgação)

A Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) foi condenada a pagar R$40 mil de indenização por danos morais a Geisy Arruda. Em outubro do ano passado, a estudante foi hostilizada por outros alunos nas dependências da universidade por trajar um vestido curto.

Os advogados de Geisy afirmam que houve falha na prestação de serviço e que os direitos da estudante, como consumidora, foram violados, por conta das agressões verbais e a ameaça a segurança pessoal.

Na defesa, a Uniban alegou não ter causado nenhum dano à Geisy, que ela causou danos à empresa e que teria planejado um episódio para adquirir notoriedade e conseguir vantagens.

Em junho, a Justiça ouviu nove testemunhas, entre alunos e funcionários da universidade, além da própria Geisy. Os advogados dela pediam R$1 milhão de indenização, mas o juiz de São Bernardo do Campo considera, em sua sentença, o valor de R$40 mil “quantia suficiente para compensar a violação sofrida pela autora”.

Atualmente, Geisy participa do reality show “A Fazenda 3″, exibido pela TV Record. Por estar em um confinamento no programa, a estudante ainda não tomou conhecimento da sentença.

(Marília Lopes)