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Sábado, 25 de Maio de 2013
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Metroviários podem entrar em greve

Categoria: Metrô

O Metrô de São Paulo poderá parar devido à greve de seus funcionários nesta quarta-feira. Tudo vai depender do resultado de duas reuniões marcadas para a tarde desta terça-feira, dia 23. A primeira, às 15h, uma audiência de conciliação entre a empresa e os empregados no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na região central. Em seguida, o sindicato da categoria convoca assembleia às 18h30, em sua sede, na zona leste, para decidir se cruza os braços.

A tendência, até o começo da noite de segunda-feira, era a de que os metroviários optem pela paralisação. Isso porque a contraproposta formalizada pela Companhia do Metropolitano não agradou os trabalhadores. A empresa, controlada pelo governo do Estado, teve 20 dias, até ontem, para rediscutir a pauta de reivindicações e oferecer nova proposição. O prazo foi estabelecido pela desembargadora Rilma Aparecida Hemetério no dia 2, em audiência no TRT que evitou uma greve na manhã seguinte. Mas, para o presidente do sindicato dos metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, quase não houve avanços significativos.

“Nós cumprimos o tempo que a Justiça pediu, mas a última proposta enviada pelo Metrô piorou (em relação à original, apresentada em maio). Então, a situação ficou bem difícil.” Ele explica que um dos itens que mais irritaram a categoria foi a redução da parcela fixa do programa de participação nos lucros e resultados (PLR). No primeiro semestre, o Metrô havia se comprometido a pagar R$ 3.251,15 para cada funcionário. Agora, propõe R$ 3.062,21, além de uma parcela variável de 40% sobre o salário-base do trabalhador.

“Queríamos que a PLR fosse menos proporcional e que o valor fixo fosse no sentido de ficar igualitário. Mas agora a empresa inventou outra regra, que beneficiará só o pessoal da diretoria, que ganha mais. É quase uma provocação.” De acordo com Prazeres Júnior, dos mais de 8 mil funcionários do Metrô só os 371 que ganham mais seriam beneficiados.

Outra reivindicação da categoria, no entanto, foi atendida: a manutenção do pagamento da PLR em fevereiro, em vez de abril. O Metrô informou que “melhorou” proposta sobre a jornada de trabalho, respeitando as existentes, “de, no máximo, 36 e 40 horas”. Pode ser a segunda greve do ano dos metroviários, que cruzaram os braços em 23 de maio.

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Linha 5-Lilás não para de crescer

Categoria: Metrô

CAIO DO VALLE

Ex-fantasma, a Linha 5-Lilás, a segunda mais jovem do Metrô de São Paulo, completa dez anos de operação com a mesma estrutura física da sua abertura, mas com uma lotação cada vez maior. De 21 de outubro de 2002, quando foi aberta, até quinta-feira, 310,4 milhões de passageiros – equivalente à população dos Estados Unidos – circularam pelo “pequeno” ramal, que sempre teve seis estações e 8,4 km de comprimento.

Embora seja nanico perto de outras linhas – a 3-Vermelha, por exemplo, conta 22 km e 18 paradas –, o “metrô do Capão Redondo” não para de crescer em importância à população do setor sudoeste da capital, área ainda pobre em transporte de qualidade.

A relevância do ramal deu um salto no ano passado, quando a Linha 4-Amarela passou a se conectar, na Estação Pinheiros, com a 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), integrada à Linha 5 em Santo Amaro. Com essa ligação, moradores de bairros como Campo Limpo e Santo Amaro ganharam uma opção um pouco mais confortável e rápida que os saturados corredores de ônibus da zona sul para chegar à região central.

Não é à toa que, entre 2010 e 2012, a média de usuários na linha por dia útil tenha pulado extraordinários 60%, de 166 mil para 265 mil. Isso, para uma frota que permanece inalterada há uma década: sete trens. A demanda vai subir nos próximos anos, com a expansão dos trilhos até a Chácara Klabin, na zona sul.

Presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô (Aeamesp), José Geraldo Baião explica que a Linha 5 começou como um projeto da antiga Ferrovia Paulista S.A. (Fepasa), que operava o que hoje é a Linha 9 da CPTM.

“Como essa linha da Marginal do Pinheiros era muito ociosa, decidiram construir mais estações nela, além de criar esse ramal, para alimentá-la com passageiros de bairros como Capão Redondo e Jardim São Luís.”

O projeto foi herdado e construído pela CPTM, que o transferiu para o Metrô. Muitos anos após a sua inauguração, a Linha 5 operou abaixo da capacidade – em seu primeiro dia, em 2002, foram transportados 2 mil passageiros. O número é cem vezes menor do que a média diária apenas na Estação Palmeiras-Barra Funda.

A piora do trânsito em vias como a Estrada de Itapecerica ajudou a atrair mais gente para a linha. Associado à integração da Linha 4, o congestionamento ajudou a pôr a Linha 5 nos trilhos.

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Desconto no Metrô começa hoje

Categoria: Metrô

BRUNO RIBEIRO E JULIANA DEODORO

A partir de hoje, passageiros de metrô da zona sul podem embarcar em ônibus do Terminal Santo Amaro da SPTrans sem pagar passagem. A gratuidade é uma tentativa do Metrô de retirar usuários da superlotada Linha 9-Esmeralda da CPTM. Mas a economia de dinheiro também significa gasto de tempo: a viagem de ônibus pode ser quatro vezes mais demorada do que de trem e metrô.

O JT testou a oferta do Metrô na quinta-feira. Partiu da Estação Santo Amaro, da Linha 5-Lilás do Metrô, na zona sul, com destino ao Shopping Iguatemi, na Avenida Brigadeiro Faria Lima. Um repórter foi de ônibus, outro de trem e metrô. Pelos trilhos, a viagem foi feita em 30 minutos. De ônibus, usando a Linha 637P (Terminal Santo Amaro-Pinheiros), durou 1h57.

A diferença de tempo é justamente um dos fatores que fizeram a Linha 9-Esmeralda superlotar. O resultado do teste é que o trânsito torna a viagem de ônibus praticamente inviável. Nos trilhos, embora haja superlotação, há um trem atrás do outro e o percurso não tem interrupções. Já os coletivos ficam presos nos semáforos, mesmo nos corredores.

Descontos – O desconto oferecido pelo Metrô é o pagamento da integração com ônibus (R$ 1,65). Com isso, pelo menos parte dos usuários poderia, em tese, deixar de usar o trem – a economia, em um ano, é de R$ 435,60.

Outro desconto que passa a valer hoje é a redução de R$ 0,50 na tarifa de quem usa as Linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda entre 9h e 10h. A ideia é tentar retirar passageiros do horário de pico. O preço cai de R$ 3 para R$ 2,50.

Os dois benefícios são válidos apenas para quem tem bilhete único. O usuário que descer na Estação Largo 13 passará o bilhete único normalmente na catraca do ônibus – que estará programada para reconhecer o passageiro e não cobrar a tarifa.

O Metrô diz que ainda não tem estimativa de quantos usuários vão ser atraídos pelos descontos. Com isso, não é possível saber o custo dos dois programas. A proposta é manter o benefício até 2015, quando a Linha 5-Lilás chegará até a Chácara Klabin, na zona sul – o que deve aliviar a superlotação nos trens. Questionada, a empresa não comentou a diferença de tempo. Disse apenas que a ideia é “redistribuir” melhor os passageiros entre a rede.

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Obra vira ponto de churrascos

Categoria: Geral

CAIO DO VALLE

É noite. A fumaça sobe no Campo Belo, zona sul. Vem do quintal de uma casa desapropriada para a construção da Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo. Mas, ao contrário do que se poderia supor, a fuligem não parte das obras de demolição ou da soldagem de metais. A origem é uma churrasqueira, em torno da qual se reúnem funcionários administrativos do empreendimento. A confraternização deixa indignados vizinhos que aguardam ansiosos a expropriação de seus próprios imóveis.

Um deles é o professor de matemática Thiago Rodrigo Alves Carneiro, de 32 anos. Com uma câmera fotográfica, ele flagrou, de uma janela de sua residência, o mais recente dos churrascos realizados pelo pessoal contratado pelo Metrô, na última quarta-feira. Segundo relata, muitas pessoas participaram da festinha, inclusive um advogado da empresa, que é controlada pelo governo do Estado.

“Tinha bastante barulho e fumaça”, afirma Carneiro, para quem a reunião diverge dos fins para os quais o sobrado foi desapropriado. “O que mais nos revolta é imaginar que estão nos pressionando para sair de casa sem nem recebermos o dinheiro, alegando urgência para a obra. Aí, pegam a casa do lado para fazer churrasco.” A festa, diz ele, começou por volta das 18h e terminou antes das 22h.

Outro churrasco já havia acontecido em agosto, informa Carneiro, que trava na Justiça uma batalha por um preço justo por sua expropriação – o Metrô busca pagar menos do que o valor de mercado dos imóveis que desapropria. Em abril, o Jornal da Tarde mostrou a história dele e de sua mãe, que vive há 40 anos na mesma casa, perto da Avenida Jornalista Roberto Marinho. Ela e outras residências, inclusive a do churrasco, vão dar lugar a acessos da Estação Vereador José Diniz do monotrilho.

Advogada do antigo proprietário do imóvel onde os funcionários da obra assaram carnes, Maria José Santiago Lema Ledesma concorda que, embora não seja proibido, fazer confraternizações desvia da finalidade da desocupação da casa, antes locada para um escritório. “É aquilo que se fala: nem tudo o que é legal é moral e nem tudo o que é moral é legal.”

Para ela, a atitude é desrespeitosa. “Enquanto uns estão sofrendo, outros estão se divertindo.” Ledesma diz que o imóvel vem sendo usado como base para engenheiros do consórcio construtor da Linha 17: não será demolido tão rápido, apesar da velocidade pedida no processo desapropriatório. O JT foi ao sobrado na quinta-feira, mas os funcionários se negaram a responder a perguntas.

Até julho, 72 processos de desapropriação tramitavam contra o Metrô referentes ao monotrilho da Linha 17. A empresa informou que o imóvel onde ocorreram os churrascos é usado “para apoio às obras de construção dos pilares”. Não foi tecida consideração sobre as festas. A demolição das casas na região começa em janeiro.

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Trem para interior deve sair da Água Branca

Categoria: CPTM

A estação Água Branca da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na zona oeste da capital, deve se transformar no ponto de partida para trens de passageiros com destino ao interior e ao litoral, além de receber uma parada de Metrô. O projeto é o mais concreto aceno de que o Estado poderá voltar a ter trens de passageiros interligando a capital a outras regiões metropolitanas.

Atualmente, a estação serve apenas aos usuários da Linha 7-Rubi da CPTM, que liga a estação da Luz, no centro, a Francisco Morato, na Grande São Paulo. A Água Branca, porém, já está definida como terminal do trem expresso que deverá levar passageiros de São Paulo a Jundiaí em 25 minutos. A CPTM lançou edital para contratar o projeto executivo dessa linha no mês passado. A previsão é que o projeto seja contratado até dezembro.

Até 2020, a estação será uma das paradas da Linha 6-Laranja do Metrô, que cobrirá o itinerário São Joaquim-Brasilândia. Mas a intenção do governo é que a Água Branca seja o que a Estação da Luz foi no começo do século passado: um grande ponto de conexão entre a capital e o interior.

A linha de Jundiaí faz parte do pacote de três ligações ferroviárias expressas que o governo do Estado planeja tirar do papel até o final dessa gestão. Os outras dois trajetos prometem levar passageiros até Sorocaba e Santos.

A aposta nos trens regionais para melhorar o transporte entre as principais cidades do Estado é um reflexo do aumento da frota de carros em São Paulo – que, em fins de semana e feriados, acaba travando as principais rodovias. O próprio secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, costuma dizer que as concessionárias de estradas pedem para que trens como o de Jundiaí saiam logo do papel.

A definição da Estação Água Branca como este novo grande terminal será feita em janeiro, segundo o superintendente de planejamento da CPTM, Silvestre Eduardo Rocha Ribeiro.
Ele afirma que a CPTM contratou um estudo para identificar as viagens diárias entre as regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas e Santos, além da região de Jundiaí e do Vale do Paraíba. Após a conclusão dos estudos, prevista para janeiro, as demais ligações passarão por licitações para escolha dos projetos e para a contratação das obras.

“A estação Água Branca existirá. Ali, estou prevendo mais plataformas. Mas por onde o trem de Sorocaba chegará? É isso que está sendo decidido. Sorocaba e Jundiaí, para a gente, está decidido”, afirma Ribeiro. “Em Santos, você tem o pré-sal. Onde vai morar todo o mundo que vai trabalhar por lá? Em Santos não cabe. No ABC? Se eu considerar isso, onde vou descer nessa estação? A Água Branca pode ser uma conexão dos trens. Mas a linha pode ter mais de uma parada em outro lugar.”