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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Bichos serão espantados do Rodoanel

Categoria: Geral

Edison Veiga
Rodrigo Burgarelli

A empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) vai contratar uma equipe técnica para afugentar bichos nativos na região de Mata Atlântica por onde passará o Trecho Norte do Rodoanel. A concorrência pública para a escolha da empresa está marcada para sexta. A ganhadora terá 36 meses para executar o trabalho.

De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental produzido para o empreendimento, há na região 354 espécies de anfíbios, répteis, mamíferos e aves, além de uma infinidade de insetos. “Muitas espécies detectadas na região são extremamente sensíveis às alterações em seu hábitatâ€, comenta o biólogo Luís Silveira, curador das coleções ornitológicas do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP).

A ideia é que os bichos sejam espantados da área afetada, buscando com isso reduzir o impacto sobre a vida selvagem, principalmente no caso de mamíferos de médio e grande porte e aves. “A partir de procedimentos sincronizados e direcionados, a fauna com maior poder de deslocamento passa a utilizar outras áreasâ€, detalha o documento da Dersa que especifica o serviço. Para o afugentamento, a equipe técnica vai usar equipamentos como buzinas e apitos.

No caso de animais com menor mobilidade, estão previstos resgates e remoções. Os bichos que forem mortos no processo devem ser destinados para estudos científicos. “Sem dúvida há risco de desequilíbrio ambientalâ€, admite Marcelo Arreguy Barbosa, gerente da divisão de gestão ambiental da Dersa. “Por isso temos uma equipe para fazer o monitoramento durante a obra.â€

O presidente da Dersa, Laurence Casagrande, acredita que o trecho mais preocupante em relação ao impacto ambiental é a região próxima da Serra da Cantareira. “O restante já é uma área composta por terrenos rurais, que não têm mais cobertura de florestaâ€, afirma. “Mas nossa política é de reduzir os danos.â€

Outro trecho
Entre 2009 e 2010, o biólogo Silveira coordenou uma equipe que fez estudos ambientais na área do Trecho Sul do Rodoanel. Participaram desse projeto 25 profissionais do Museu de Zoologia. Ali, se depararam com muitos animais em risco de extinção. “A região ainda abriga populações importantes de espécies, como a onça-parda, o macuco, a jaguatirica, o sagui-da-serra-escuro, os passeriformes cigarra-verdadeira e pixoxó, entre tantos outrosâ€, diz.

Para Silveira, o melhor jeito de diminuir a interferência na fauna é contemplar esse impacto na definição do traçado do Rodoanel. “Quanto menor a interferência na floresta, melhor. E, de maneira similar ao já realizado no Trecho Sul do Rodoanel, o monitoramento de fauna continua sendo um componente fundamentalâ€, alerta. De acordo com o presidente da Dersa, a cada nova obra a companhia melhora seus métodos.

Novo presidente do Metrô deve vir da própria empresa, diz secretário

Categoria: Metrô, Sem categoria, Transporte

Caio do Valle

O próximo presidente do Metrô de São Paulo deve sair de alguma diretoria da própria empresa, afirmou na noite de ontem o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes. Segundo ele, há 90% de chance de o próximo dirigente já trabalhar na companhia.

“Além do próprio (José Kalil Neto, atual presidente), temos mais dois nomes que estamos vendo”, afirmou Fernandes, sem citá-los. O diretor de operações, Mário Fioratti Filho, seria uma das opções. Ele, no entanto, já teria declinado o convite.

Apesar da declaração, o Jornal da Tarde apurou que o governo do Estado considera alternativas em outros setores da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, à qual o Metrô está vinculado.

Kalil Neto tornou-se presidente do Metrô na semana passada. Ele substituiu Sérgio Avelleda, que ficou pouco mais de um ano no cargo e saiu para trabalhar em uma empresa privada do segmento ferroviário.

Depois de o jornal O Estado de S. Paulo ter revelado na última quinta-feira (5) que, em 2007, Kalil Neto foi condenado em primeira instância por improbidade administrativa quando era diretor da estatal Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que sua permanência seria provisória e que o governo do Estado anunciaria um novo nome para presidir o Metrô depois da Páscoa.

Um documento do Ministério Público Estadual (MPE) contra Kalil Neto e outros quatro diretores da Dersa denunciava a contratação sem licitação de um escritório de advocacia para dar apoio jurídico à empresa durante as obras do Rodoanel.

No entanto, o secretário Jurandir Fernandes afirmou que “não está correndo atrás” de um novo nome. Leia parte da entrevista que ele concedeu por telefone ao Jornal da Tarde.

JT – O próximo presidente do Metrô deve vir da empresa, ou de fora?
Jurandir Fernandes – Preferencialmente. De fora, eu não vejo muita facilidade, porque nós queremos dar ritmo, que é alucinante, fortíssimo. E nós não vamos perder uma vírgula nesse ritmo. E tem também um pessoal muito experimentado. O Metrô é uma escola.

JT – O presidente pode sair de uma diretoria do Metrô?
Jurandir Fernandes - Digamos assim, 90%, para não deixarmos 100%.

JT – O José Kalil Neto pode continuar na presidência?
Jurandir Fernandes – Todos estão em pé de igualdade. O dr. Kalil não teve nenhum fato que o desabonasse. Para alguém cair no Ficha Limpa, é preciso ter três marcas: ter um citação dolosa, e a dele não foi, ter sido fator de enriquecimento ilícito, e não houve enriquecimento algum pois foi um contrato normal de mercado, e terceiro, ter causado prejuízo à população. Não teve prejuízo, porque o advogado escolhido acabou dando até sucesso. Na época, também, era muito mais comum e corriqueiro ir em busca dos melhores advogados. Digamos que eu tenha uma causa de R$ 100 milhões para defender. Aí eu faço uma licitação e ganha um advogado bem baratinho, e ele perde a causa… Então, acho que a diretoria (da Dersa, da qual Kalil Neto era membro na época) agiu na função de melhor servir o Estado. Não foi impróprio. Isso é notório. O próprio juiz diz isso no acórdão. O Kalil é uma das pessoas mais competentes e íntegras que eu, pessoalmente, já conheci nesses meus dez anos aqui de Metrô. Não existe nada, nada, nada que deixe uma gotinha de mácula sobre ele. Isso, eu falo com uma certeza de muita gente que vem e me diz isso.

JT – Então o senhor estaria propenso a mantê-lo?
Jurandir Fernandes - Não, eu não faço nenhum juízo de manter ou não manter. Isso aí a gente vai discutir. Até, também, eu sempre tenho que perguntar para os interessados. Eu posso gostar desse ou daquele, mas eu tenho que saber o que a pessoa pensa também.

JT – A definição sair logo?
Jurandir Fernandes - Qualquer que seja o nome, a gente não está correndo atrás de fazer uma coisa em 10 horas ou 24 horas. Até porque o dr. Kalil está conduzindo o processo com a maior tranquilidade. Meu problema seria grave se não tivesse ninguém lá. Nós estamos tranquilos.

Rodoanel: Trecho Norte é liberado

Categoria: Estradas, Geral, Obras viárias, Transporte

PAULO SALDAÑA
RENATO MACHADO

O Trecho Norte do Rodoanel ganhou nesta terça-feira sinal verde da autoridade ambiental do Estado. Depois de questionamentos que atrasaram sua construção por 14 anos, a rodovia de 44 quilômetros de extensão – que atravessará a região da Serra da Cantareira e passará por São Paulo, Arujá e Guarulhos – já pode ser licitada pelo governo. As obras devem começar neste ano.

O Conselho do Meio Ambiente (Consema) aprovou nesta terça, 28, parecer da Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) sobre estudo e relatório de impacto ambiental (EIA/Rima) do trajeto. Em reunião marcada por tumulto e protestos de manifestantes, 23 conselheiros votaram a favor e 7, contra.

A decisão de ontem garante a Licença Ambiental Prévia da obra, que terá sete túneis e mais de 20 viadutos. Com ela, a empresa de Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) – responsável pelo empreendimento – pode publicar edital, fazer sondagens de campo e cadastrar famílias e donos de imóveis que serão diretamente impactados.

O parecer aprovado faz 119 recomendações à Dersa para que a instalação definitiva da obra seja concedida. Apresenta duas alterações em relação ao que a empresa vinha trabalhando, incluindo a interligação com a Avenida Inajar de Sousa, na zona norte de São Paulo – a Dersa havia retirado o trevo, a pedido da Prefeitura da capital.

Além disso, foi aprovada a manutenção da pista ao sul do bairro Bimbo, em Guarulhos. Um desvio ao norte do bairro havia sido proposto pela prefeitura de Guarulhos. Apesar de constar no licenciamento, ficou definido que novos estudos serão realizados para definir alternativas.

A reunião foi várias vezes interrompida por moradores da região afetada, ambientalistas e representantes de entidades civis. Cerca de 50 pessoas foram impedidas de entrar por falta de espaço. A principal reivindicação era em relação aos prazos de agendamento da reunião.

A convocação só ocorreu no dia 21 e o parecer foi colocado na internet no dia 22, véspera de Corpus Christi. “Com o feriado, só houve um dia para análise de um estudo imenso e complexoâ€, diz o ambientalista Carlos Bocuhy. O presidente do Consema e secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB), garantiu que tudo foi feito de acordo com o regimento do conselho, que pede 48 horas de antecedência para a reunião.

Guarulhos dá parecer favorável ao Rodoanel

Categoria: Urbanismo

A Prefeitura de Guarulhos entregou nesta quinta-feira, 12, um parecer favorável à construção do trecho norte do Rodoanel. O documento foi encaminhado à Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A). Nele constam diversas condicionantes em relação ao plano de intervenções que será feito no trecho dentro dos limites do município.

“O Rodoanel é uma obra importante para o País. Mas existe uma série de intervenções que devem ser realizadas antes e durante a implantação do projeto para amenizar o impacto sobre as regiões atingidas”, afirmou o prefeito Sebastião Almeida.

A Prefeitura solicita a apresentação de um plano de reassentamento para todas as famílias afetadas pelo empreendimento, com o objetivo de garantir o direito à moradia.

Também é requisitada a construção de novos equipamentos públicos em substituição aos que serão atingidos pelo traçado proposto pela Dersa. Entre eles estão um reservatório do sistema de abastecimento de água na região do Bananal e uma escola pública municipal, no bairro Chácaras Cabuçu.

Almeida declarou que as reivindicações constavam em relatório enviado pela Prefeitura à Dersa durante a audiência pública realizada na cidade em janeiro deste ano.
Marcela Gonsalves

Alterado trecho Norte do Rodoanel

Categoria: Administração, Transporte

PAULO SALDAÑA

Catorze anos depois de ter seu primeiro traçado proposto (prevendo três túneis contornando a Serra da Cantareira pelo sul) e sem que um quilômetro tenha saído do papel, o futuro Trecho Norte do Rodoanel teve ontem seu traçado novamente alterado. Desta vez, as mudanças agradaram às prefeituras de São Paulo e Guarulhos e aos moradores da região.

O projeto final apresentado no início do ano sofreu duas alterações. Ligada ao governo do Estado, a empresa de Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) suprimiu o trevo de ligação com a Avenida Inajar de Souza, na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da capital, e fez desvio da mancha urbana do bairro de Bambi, em Guarulhos. Em reportagem publicada pelo JT no dia 21, a Dersa havia defendido o trevo da Inajar para aliviar a Marginal do Tietê.

As mudanças foram apresentadas nesta terça-feira, 3, em audiência pública pelo presidente da empresa, Laurence Casagrande Lourenço. Mais de 300 moradores dos bairros atingidos pela obra participaram do evento público, no Instituto de Engenharia, zona sul da capital.

O clima chegou a ficar tenso e as apresentações dos diretores da Dersa foram interrompidas diversas vezes pelos presentes. Moradores cobram um projeto habitacional mais amplo para os atingidos direta e indiretamente pelo traçado.

“Temos de pensar em moradias para todos os atingidos e também nos impactos futuros da obra, com relação à poluição de uma estrada como essaâ€, disse o autônomo Miguel Gomes, de 45 anos, morador de Taipas, um dos bairros atingidos.

Cancelamento
A advogada Maria Cristina Greco, da seção Santana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), chegou a pedir o cancelamento da audiência, argumentando que não há trajeto licenciado para a obra. Lourenço negou o pedido. “Indeferimos porque é do interesse público.â€

Com orçamento estimado de R$ 5,8 milhões, o projeto do Trecho Norte defendido atualmente pelo governo tem 44,2 km e vai das Avenidas Raimundo Pereira de Magalhães, em São Paulo, à Via Dutra, em Arujá. Estão previstas cerca de 3 mil desapropriações ao longo do trajeto.