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Domingo, 31 de Agosto de 2014
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Para MP, atropelador teve intenção de matar

Categoria: Transporte, Trânsito

O Ministério Público do Estado (MPE) de São Paulo denunciou à Justiça, por homicídio doloso (com intenção), o motorista do Golf que atropelou, na calçada em frente ao Shopping Villa-Lobos, zona oeste, mãe e filha, em setembro do ano passado. As duas morreram. O condutor, Marcos Alexandre Martins, de 35 anos, tomou conhecimento ontem de que está sendo processado pela Promotoria paulista. Ele tem um prazo de dez dias para apresentar a sua defesa em juízo.

A medida é vista pela família das vítimas como um grande avanço para que motoristas embriagados ou em alta velocidade – caso de Martins – que provoquem mortes ou ferimentos recebam penas mais severas. Muitas ocorrências assim ainda são tipificadas como homicídio culposo ou lesão culposa (sem intenção). Consequentemente, a punição é mais branda: detenção de dois a quatro anos, nos casos de morte.

“O MP entendeu que pelo fato de estar em excesso de velocidade e embriagado, e que isso tenha sido constatado, ele assumiu o resultado de morte sem dar chance de defesa às vítimas, além de expor a segurança de outras pessoas a dano potencial”, diz Maurício Januzzi, advogado da família e presidente da comissão de trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo (OAB-SP).

Com isso, o promotor José Carlos Cosenzo pediu 14 anos de prisão por vítima, 28 no total. A denúncia foi concluída no fim de setembro, mas só veio a público ontem, com a citação de Martins.

O palestrante Rafael Baltresca, de 32 anos, filho e irmão das vítimas – a dona de casa Miriam Afif José Baltresca, de 55, e advogada Bruna Baltresca, de 28 –, espera que Martins “cumpra uns bons anos” na cadeia. “Não por vingança, e sim por justiça.”

Ele criou uma proposta para legalmente alterar as penas para motoristas irresponsáveis. Até ontem, quase 700 mil pessoas já tinham assinado a petição, que precisa de 1,3 milhões de signatários para ser enviada ao Congresso. Ela está disponível em www.naofoiacidente.org.
Martins não foi localizado pela reportagem para comentar a decisão da Justiça.

CAIO DO VALLE

Helicóptero que caiu levava noivo

Categoria: Acidente

NATALY COSTA

O helicóptero que caiu neste domingo entre Arujá e Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, levava um noivo para sua festa de casamento. Danilo Everson dos Santos Rosa, de 24 anos, e a mãe, Maria de Lourdes Rosa, de 49, eram levados pelo piloto Rodrigo Batista Lemos para o Sítio Recanto dos Sonhos, onde aconteceria a comemoração.

O helicóptero, que decolou do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, teve problemas no motor a dois quilômetros do local da festa e o piloto teve de fazer um pouso forçado em uma região de mata fechada.

Os três tiveram apenas ferimentos leves e passam bem. O piloto e Maria de Lourdes foram levados ao Pronto-Socorro de Arujá, mas tiveram alta ainda no domingo. Danilo foi levado para o Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba, onde passou por exames e teve alta nesta segunda-feira.

Morador de Guarulhos e torcedor do Palmeiras, Danilo é noivo de Roana Gomes, com quem se casaria às 15h do domingo. Os convidados – tinha até ônibus com parentes de outras cidades – já estavam no local da festa quando o pai da noiva ficou sabendo do acidente.

Segundo a reportagem apurou, a noiva e a sua família ficaram em estado de choque até chegar a segunda notícia: estava tudo bem com os três. Danilo teria alta ainda naquela tarde e chegaria a tempo de casar.

A festa foi retomada com música e tudo e só acabou por volta das 21h, quando a última pessoa da família foi embora. O noivo, porém, não saiu do hospital a tempo de trocar alianças.

O mesmo helicóptero, um Robinson R44 prefixo PT-YPY, já havia se envolvido em um acidente em 2000, quando pertencia à frota da América Air Táxi Aéreo. Hoje, é um helicóptero particular e tem todas as licenças em dia, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O caso está sendo investigado pelo Serviço Regional de Proteção ao Voo 4 (Seripa 4) e um inquérito foi aberto na delegacia da cidade de Itaquaquecetuba.

Ecovias terá de pagar R$ 30 mil a vítima de engavetamento na Imigrantes

Categoria: Justiça, Transporte, Trânsito

O juiz Sidney Tadeu Cardeal Banti, da 3ª Vara Cível do Fórum Regional da Lapa, na zona oeste de São Paulo, determinou que a concessionária Ecovias pague indenização de R$ 30 mil por danos morais a um dos motoristas envolvidos no engavetamento de 104 veículos ocorrido na Rodovias dos Imigrantes em 16 de setembro de 2011. Uma pessoa morreu e 29 ficaram feridas no episódio, a série de batidas em número de veículos da história da estrada.

A decisão, do dia 17 de julho, foi publicada na segunda-feira, 6, no Diário Oficial da Justiça. Na sentença, o magistrado afirma que os motoristas não tiveram culpa pelo engavetamento, tampouco a neblina ou a Polícia Rodoviária Estadual. “Ficou cabalmente demonstrado a ineficácia da segurança implantada pela ré (Ecovias), que liricamente confia apenas nos avisos de ‘reduza a velocidade’ e ‘neblina na pista’ e não implantou de forma correta operação de contenção de motoristas mais apressados”, afirmou Banti.

“Por se pagar pedágio caro, espera-se que a concessionária efetue prestação de serviço compatível com aquilo que cobra”, mencionou.

O advogado responsável pela ação, Ademar Gomes, representa outras 80 pessoas envolvidas no acidente em processos individuais – 37 motoristas e 43 passageiros – e tem confiança que as próximas sentenças também serão favoráveis. “Tenho plena convicção de que as demais decisões saem até outubro e de que é possível ganhar em primeira e segunda instâncias”, disse.

Em nota, a Ecovias informou que entrará com recurso nos próximos dias e lembrou que já obteve ganho de causa em outros processos. “Vale lembrar que nas outras ações sobre o mesmo assunto foram proferidas decisões favoráveis à concessionária, não tendo sido atribuído qualquer tipo de responsabilidade em relação ao acidente ocorrido em 15 de setembro de 2011″, afirmou o comunicado.

Engavetamento. A série de colisões na Imigrantes começou às 12h45 de uma quinta-feira, na altura do km 41, na Represa do Alvarenga, em São Bernardo do Campo, sentido São Paulo. Houve batidas em um raio de 2 km. Na época, a Polícia Militar culpou a neblina – a visibilidade era de 10 metros em alguns pontos.

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Dois morrem em acidente em obra do Metrô

Categoria: Acidente, CPTM, Metrô, Transporte, Trânsito, Transporte

Caio do Valle

Um acidente deixou dois operários mortos no canteiro de obras da futura Estação Eucaliptos, na Linha 5-Lilás do Metrô, por volta das 12h30 desta sexta-feira, 22. De acordo com o Corpo de Bombeiros, uma grua caiu no terreno em frente ao Shopping Ibirapuera, na zona sul.

A Polícia Militar chegou a enviar um helicóptero Águia para o local. Ele pousou no estacionamento de um supermercado Pão de Açúcar vizinho às obras do Metrô. Apesar disso, não houve resgate. Os bombeiros encaminharam cinco viaturas e 14 homens para atender a ocorrência.

A Companhia do Metrô abriu sindicância para apurar as causas e responsabilidades do acidente. A apuração será conduzida pela Gerência de Engenharia de Obras da Linha 5-lilás. Em nota, o Metrô disse que lamenta os falecimentos e informa que prestará plena assistência às famílias das vítimas.

A extensão da Linha 5-Lilás ligará os bairros de Santo Amaro e Chácara Klabin, zona sul. Ela deve ficar pronta em 2015. O consórcio Heleno Fonseca/Triunfo é responsável pelas obras no trecho onde ocorreu o acidente. Trata-se do lote de número 5 da obra de expansão da Linha 5-Lilás, onde estão sendo construídas as estações Eucaliptos (que originalmente se chamaria Ibirapuera) e Moema.

Campo de Marte repete erros da vizinhança de Congonhas

Categoria: Aviação, Geral

FABIANO NUNES E TIAGO DANTAS

O movimento do Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, cresceu 77% nos últimos dez anos. E está chegando ao limite. De acordo com especialistas, o efeito é semelhante ao que ocorreu com o Aeroporto de Congonhas, na zona sul, que teve seu entorno tomado por prédios. O conflito entre tráfego aéreo e vizinhos sempre foi um entrave para a expansão dos terminais. Com o adensamento demográfico também se torna uma dor de cabeça para os moradores da vizinhança.

Ontem, um avião que decolou do Campo de Marte caiu em Parada de Taipas, matando o piloto. O dano só não foi maior porque a aeronave não atingiu nenhum imóvel.

Nos últimos 20 anos, dezenas de prédios cresceram no entorno do Campo de Marte. Apesar de os moradores não terem um movimento contra o aeroporto, as pistas, antes afastadas, estão coladas a avenidas e edifícios. No bairro de Santana nove prédios foram construídos por ano na última década. Nesse período, segundo o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), surgiu uma média de 452 novos apartamentos por ano na região.

O tráfego aéreo do Campo de Marte, que iniciou suas atividades em 1920, cresceu na mesma proporção da ocupação urbana ao seu redor. O aeroporto, que opera com aviões pequenos e helicópteros, passou de 20 mil pousos e decolagens no primeiro trimestre de 2003 para 35 mil no mesmo período deste ano.

Para a diretora do Movimento Defenda São Paulo, Marcia Vairoletti, o grande tráfego de helicópteros na região é um risco para os moradores. “Ao lado do aeroporto existe uma aglomeração muito grande. Não houve planejamento do poder público no momento da ocupação”, aponta.

“O processo de verticalização próximo aos aeroportos é uma realidade. Isso não representa mais riscos, mas o ideal é que o aeroporto fique numa área não urbanizada. Como Congonhas, a cidade envolveu o Campo de Marte. Isso restringe qualquer capacidade de ampliação. Vai sempre travar na desapropriação, que é sempre difícil”, afirma o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano.

Aeroporto congelado – Além dos riscos e transtornos para a vizinhança (como o barulho), o crescimento do movimento perto do limite também traz problemas para quem usa o terminal. Sem espaço para expansão, por causa do crescimento imobiliário, empresas já migram para aeroportos do interior, principalmente para aqueles em cidades próximas à Região Metropolitana.

“Os hangares de Marte estão lotados, não há espaço para construir mais. O aeroporto está do jeito que é há 30 anos. Não houve modernização para acolher mais aviões e as empresas estão indo para Jundiaí”, diz o presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (APPA), George William de Araripe.

Embora o Campo de Marte não tenha linhas aéreas regulares, ele é o quinto em movimento operacional no Brasil. Em 2011 foram cerca de 133 mil operações de pouso e decolagem, número superior ao, por exemplo, do Aeroporto Internacional de Salvador, que registrou aproximadamente 125 mil.

Mas o crescimento não significa melhora na infraestrutura. “Para trazer mais aviões seria preciso mudar o eixo da pista, mas há um conflito com a rampa e o tráfego de Congonhas. O projeto foi abandonado. Existem propostas para a construção de aeroportos particulares na Grande São Paulo, essa deve ser a solução”, diz Araripe.