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Sábado, 20 de Setembro de 2014
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SP vai liberar mais 1.200 táxis

Categoria: Transporte

BRUNO RIBEIRO
RODRIGO BRANCATELLI

Para tentar sanar o problema da falta de táxis na cidade, cooperativas, profissionais autônomos e a Prefeitura já estão negociando a liberação de mais 1.200 alvarás para taxistas no começo de 2012. A ideia é que São Paulo tenha 35 mil táxis pelas ruas – além do aumento da demanda durante este ano, o governo já está prevendo um crescimento no número de turistas que circulam na cidade por causa da Copa do Mundo de 2014.

“O prefeito já prometeu mais 1.200 alvarás, além dos 1.200 que foram concedidos neste fim de ano”, diz Natalício Bezerra, presidente do Sindicato dos Taxistas de São Paulo. A própria Prefeitura também assume que novos taxistas poderão ser necessários para atender um público cada vez maior na capital. “O Departamento de Transporte Público (DTP) se baseia no crescimento populacional e na demanda causada pelos constantes eventos de turismo e de negócios”, afirma a Secretaria de Transportes. “Após a inclusão dos novos alvarás, o DTP avaliará o reflexo e o impacto desses veículos no sistema viário. Se não atenderem à demanda, haverá a disponibilização de mais alvarás.”

Se a falta de táxis de dia já virou rotina para alguns paulistanos, nas noites e madrugadas o problema está se tornando cada vez mais aparente – principalmente depois do aperto da fiscalização da Lei Seca e da proximidade do Natal. A demanda foi multiplicada, mas o serviço está longe de atender o número de usuários. Dos 33.406 táxis que operam na cidade, 5 mil trafegam à noite, segundo estimativa do Sindicato dos Taxistas.

“Não é seguro, já fui assaltado duas vezes com uma arma na minha cabeça”, diz Carlos Meireles, taxista há quase 25 anos, que trabalha em Perdizes, na zona oeste da capital. “Lidar com bêbado é horrível, eles acham que são donos do táxi”, completa o motorista Maurício Pinheiro. “Tenho muitos amigos que trabalhavam à noite, mas agora preferem ficar de dia, para pegar as pessoas que estão indo fazer compras de Natal.”

Para os usuários, também não faltam reclamações. A reportagem testou quatro cooperativas de táxi e vários pontos de rua diferentes em duas noites – no sábado, dia 3 de dezembro, e na quinta-feira, dia 8. O pedido de espera mínima foi de 25 minutos. Às 3h do domingo, dia 4, a reportagem telefonou para cinco pontos na região do Itaim-Bibi, zona sul, e ninguém atendeu. Já uma cooperativa pediu “pelo menos uma hora” para conseguir um táxi, enquanto outra afirmou que não sabia quando teria uma unidade disponível.

“Se você não ligar muito antes e marcar um horário, é quase impossível conseguir um carro”, diz a fotógrafa Vânia Toledo, que só anda de táxi. “Tem jantar que eu ou as minhas amigas não conseguimos ir por falta de táxi.” Para a estudante Carolina Guedes, de 25 anos, a falta de opções também traz problemas para quem quer fugir das blitze da Lei Seca. “Usar táxi de madrugada é cada vez mais uma questão de sorte.”