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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Sistema antienchente falha na 1ª chuva

Categoria: Administração, Clima, Geral, Habitação

Travessa na altura do 1100 da Avenida Delfino Facchina, em Americanópolis, que alagou (Foto: Clayton de Souza/AE)

 

No primeiro teste após ser anunciado oficialmente, o Sistema de Previsão e Alerta de Enchentes do governo do Estado falhou ao não prever o transbordamento do Ribeirão dos Aterrados, em Americanópolis, zona sul da capital.

O alagamento da Avenida Delfino Facchina, anteontem à noite, provocou a morte de duas pessoas e deixou seis famílias desabrigadas. Outras áreas vulneráveis a alagamentos estão fora da cobertura do sistema monitorado pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) desde 13 de outubro.

“Hoje, não temos todos os córregos sendo monitorados. O sistema não consegue chegar a esse nível de detalhe (de antecipar uma enchente no Ribeirão dos Aterrados, afluente do Córrego dos Zavuvus)”, disse o superintendente do Daee, Amauri Pastorello.

Segundo ele, os técnicos do Daee acompanham os níveis de água nas represas, nos piscinões, rios e maiores córregos da região metropolitana. O volume de chuva e o nível dos cursos de água são colhidos por 200 estações espalhadas pelo Estado. O número deve subir para 240 até dezembro.

No dia 13, ao apresentar o sistema de monitoramento à imprensa, a secretária de Saneamento e Energia, Dilma Pena, afirmou que “cada piscinão, córrego ou rio tem uma estação instalada em pontos estratégicos”. “O córrego que transbordou ontem (anteontem) ainda não é monitorado. Mas pode ser”, opinou Pastorello.

Embora não tenha admitido defeito no sistema ao Jornal da Tarde, o superintendente afirmou à TV Globo que “a falha não é do equipamento. A falha ainda está no processo de monitoramento”.

O sistema fornece informações em tempo real às subprefeituras e à Defesa Civil. A ideia é que, caso o computador aponte para uma tendência de alagamento, esses órgãos possam se preparar para evitar uma tragédia.

Enquanto isso não funciona, os moradores da Avenida Delfino Facchina se viram como podem. Quando começa a chover, eles correm para as janelas, lajes ou qualquer lugar alto e avisam os motoristas para não passarem pela via. Anteontem, não foi diferente.

O aviso, porém, foi ignorado. E Almir Martins de Souza, de 51 anos, e sua mulher, Nádia, de 46, morreram afogados dentro do próprio carro, que foi arrastado pela água. A sobrinha deles, Mayara, de 8, e uma vizinha do casal, Maria Sueli Gomes, de 32, conseguiram se salvar. “Não sei como consegui sair. Tinha certeza de que iria morrer”, disse Maria, que pegou carona com o casal quando esperava o ônibus.

Nádia e Almir saíam da farmácia onde foram comprar remédios para a mãe de Mayara. O grupo não contava, no entanto, que a avenida estava alagada. Quando o veículo começou a boiar na água, Maria conseguiu quebrar o vidro e escapar. Depois resgatou a garota.

Prefeitura vai retirar casas

A Prefeitura informou em nota que seis famílias que vivem na Avenida Delfino Facchina foram removidas, pois suas casas foram destruídas pela chuva. A administração não informou para onde elas foram levadas.

Outras 30 famílias da comunidade receberão a partir do mês que vem um benefício do Auxílio Aluguel, que é de R$ 300 por dois anos. Essas famílias já estão cadastradas na Secretaria Municipal de Assistência Social e a partir de hoje receberão colchões, roupas e mantimentos.

O subprefeito de Cidade Ademar, José Rubens Domingues Filho, afirmou que as casas dessas 30 famílias estão interditadas há cerca de dois meses e que os moradores serão removidos de lá até o fim desta semana.

O subprefeito disse ainda que a remoção é necessária para que sejam realizadas obras para aumentar a vazão do córrego. “Isso evitaria novas enchentes”, afirmou.

Na entrevista, o subprefeito fez um apelo: “Quem mora em área de risco, procure a subprefeitura para se cadastrar na pasta e se mude imediatamente para casa de parentes, pois as pessoas correm risco de morte”.

Felipe Grandin, Marcela Spinosa e Tiago Dantas

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