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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012
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Silicone PIP: mais 27 queixas de ruptura

Categoria: Saúde

FELIPE ODA e LÍGIA FORMENTI

Apenas nos primeiros dias do mês de janeiro, 27 mulheres prestaram queixas de ruptura das próteses da marca francesa PIP, adulteradas com silicone industrial, segundo informou ontem a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) à reportagem. Somadas às 12 reclamações já recebidas entre 2010 e 2011, chegam a 39 os casos de rompimento do produto francês – de um total de 100 queixas relacionadas a implantes de silicone.

Também ontem, o governo anunciou oficialmente a medida já adiantada pelo Jornal da Tarde na sexta-feira passada, dia 6: o Sistema Único de Saúde (SUS) vai bancar as cirurgias de retirada do silicone rompido, inclusive para as mulheres que implantaram a prótese por motivos estéticos – e não apenas para aquelas que passaram pela mastectomia (retirada da mama). Pacientes que tiveram problemas com a marca holandesa Rofil, que importou implantes da PIP, também poderão fazer a substituição.

A agência ainda não sabe quantas reclamações estão relacionadas à Rofil. Mas afirmou que, além do SUS, planos de saúde também serão obrigados a atender as pacientes nos casos de rompimento. “Isso já foi definido com a Agência Nacional de Saúde Suplementar”, disse o presidente da Anvisa, Dirceu Barbano. O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo, Arlindo Almeida, por outro lado, disse desconhecer essa determinação. “Não houve comunicado oficial. Não há como garantir que operadoras concordem em pagar custos para reparar o estrago feito numa operação que ela não autorizou”, explicou.

A estimativa é de que 20 mil cirurgias sejam feitas. Calcula-se que 12,5 mil mulheres no País colocaram próteses da fabricante francesa PIP. Outras 7 mil, da indústria Rofil. Um protocolo será preparado pelas sociedades médicas indicando quais exames terão de ser realizados. Numa segunda etapa, depois de identificada a demanda, o governo vai divulgar um cadastro com os lugares em que a troca será feita.

Também deve ser feita uma “convocação pública” para que as mulheres com implantes PIP ou Rofil busquem os serviços de saúde para a realização de exames. A orientação vale ainda para aquelas que desconheçam a marca de seus implantes. “Esse grupo deverá ser submetido a um acompanhamento mais rigoroso por parte dos médicos.”

A decisão de garantir a troca da prótese com problemas foi anunciada oficialmente ontem, depois de uma reunião da Anvisa com representantes de sociedades médicas e do Ministério da Saúde. A reunião foi marcada logo depois do cancelamento, no dia 30, do registro da prótese PIP, com alto risco de rompimento. Anteontem, a agência determinou também o cancelamento do registro da prótese Rofil.

O diretor da Anvisa disse que uma investigação está sendo feita para verificar se, a exemplo da Rofil, outras empresas compraram a produção da PIP. Barbano defendeu-se da afirmação, feita por parte dos médicos, de que o sistema de vigilância de próteses era pouco eficiente. “O problema foi provocado por uma fraude, por um ato criminoso. Não há mecanismos, nem aqui, nem em outros países, para identificar a fraude a tempo.”

Mesmo sem admitir as falhas, a Anvisa vai apertar a fiscalização. Agora, todas as fábricas de próteses de silicone serão vistoriadas – a ideia é completar a inspeção até fevereiro. O controle de qualidade das próteses também será alterado. Na próxima reunião da diretoria, deve ser votada uma resolução que obriga a análise de lotes de produtos antes de irem para o mercado, a exemplo do que é feito com camisinhas e luvas descartáveis. 

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