Santo faz parte da família de Kassab
- 11 de setembro de 2010 |
- 23h09 |
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Categoria: Geral
São Kassab teria curado dois cegos e ressuscitado um bebê. Já o prefeito Kassab fez a lei Cidade Limpa (Foto: Divulgação)
Bruno Ribeiro
Trânsito, excesso de lixo, superpopulação e falta de vagas em creches. O prefeito Gilberto Kassab é um homem comum encarregado de resolver esses problemas. A diferença entre ele e os outros 11 milhões de habitantes da cidade é que, se quiser pedir um milagre, o prefeito pode rezar para a própria família. São Naantalla Kassab, beatificado em 1998 e canonizado pelo papa João Paulo II em maio de 2004, é tio-bisavô do prefeito da capital.
São Naantalla Kassab é um dos quatro santos da Igreja Maronita, braço da Igreja fiel ao Vaticano sediada no Líbano – terra de origem da família do prefeito. Ele viveu no século XIX e teria feito milagres tanto em vida quanto após sua morte, em 1858.
Dentro da Igreja Maronita, São Naantalla Kassab também é chamado de “Al-Hardini”. “Não é bem um apelido. É que é tradição chamar uma pessoa pelo nome da região de onde ela vem. Hardini é a região onde nosso santo nasceu”, diz o padre Sleiman Eid, também conhecido como padre Salomão, pároco da Catedral Nossa Senhora do Líbano, na Liberdade, no centro de São Paulo.
“Há uma proximidade, mas ele não é tão próximo”, diz o prefeito, ao comentar a ligação com o parente santificado. “Ele foi canonizado há alguns anos e, para a família, é um motivo de orgulho”, diz.
A resposta séria, dada antes de uma entrevista coletiva na última sexta-feira, foi feita depois de um momento de descontração do prefeito: “São dois santos na família. Ele e eu”, brincou Kassab, cujo “milagre” mais famoso, por enquanto, é a Lei Cidade Limpa, aprovada em 2007 e até hoje sua principal vitrine política.
O número de milagres do outro santo da família é maior. São Naantalla Kassab teria devolvido a visão a dois homens. Segundo a tradição maronita, ele teria ainda ressuscitado um bebê tido como morto – cujo nascimento já seria fruto de um milagre, uma vez que a mãe da criança era considerada estéril. A mãe, de origem muçulmana, teria prometido que, se Kassab lhe desse a graça de ser mãe, ela batizaria o menino na fé cristã.
O prefeito é formado em engenharia civil e economia e está na vida pública desde 1980. Seu tio-bisavô era padre e nasceu em 1808. “Ele foi professor de São Charbel, que é muito importante para nós. A gente é o que as pessoas falam de nós. As pessoas falavam de Hardini como responsável, um homem muito religioso e fiel”, diz o padre Salomão.
Naantalla Kassab teria sido agraciado, ainda vivo, com um milagre que encheu cestos de mantimentos de sua igreja em um momento de dificuldades. Ele morreu após uma infecção nos tecidos do pulmão.
O prefeito visitou a cidade onde São Naatalla Kassab e seu próprio avô viveram, no Líbano, após o carnaval do ano passado, durante uma viagem oficial àquele país promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Líbano. Na cidade, a família Kassab é tida como profundamente religiosa. Três irmãos do santo eram monges.
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