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Terça-feira, 25 de Novembro de 2014
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Rotas para o Itaquerão têm problemas

Categoria: Transporte, Trânsito

Por Fabiano Nunes

Asfalto com ondulações, falta de sinalização, placas com defeitos. Todos os caminhos que levam ao futuro estádio do Corinthians, em Itaquera, na zona leste da capital, têm problemas estruturais. O Comitê Executivo Paulista para a Copa do Mundo prevê investimentos de R$ 478 milhões em obras viárias. Já especialistas em trânsito dizem que faltam obras de manutenção nessas vias.

Nesta semana, o Jornal da Tarde percorreu as cinco principais rotas para chegar até o estádio: Radial Leste; avenidas Governador Carvalho Pinto; Assis Ribeiro; São Miguel e Aricanduva. A reportagem percorreu no total 56 quilômetros. Todas estão com problemas de sinalização e defeitos no asfalto. Uma das melhores opções, para quem está na Penha e quer chegar a Itaquera, é o complexo viário formado pelas avenidas Governador Carvalho Pinto, Dom Hélder Câmara e Calim Eid, que liga a Marginal Tietê ao futuro estádio. Mas os problemas da avenida aparecem logo em seu início.

As placas de trânsito sofreram com o vandalismo e com o desgaste do tempo. Muitas estão pichadas, outras, danificadas e com as letras apagadas. “Quem está no início da avenida (Governador Carvalho Pinto) não tem ideia que vai até Itaquera. Não tem placa que indique a direção para o bairro. Sem contar que à noite é comum carros estacionarem na faixa de ônibus”, disse o autônomo Idal Goldszmidt, de 29 anos, que mora há quatro anos na região.

Para o engenheiro Sérgio Ejzenberg, mestre em transportes pela Escola Politécnica da USP, as reformas estruturais podem ser resolvidas em curto prazo. “Em seis meses ou menos é possível deixar tudo em ordem. Na verdade falta um plano de manutenção. Não é preciso deixar deteriorar para depois consertar. Melhor é fazer a manutenção do que a correção.”

Mas o motorista que estiver na Avenida São Miguel terá dificuldades para encontrar a direção para Itaquera. Na esquina com a Avenida Águia de Haia a placa que indica o bairro está virada para dentro de um posto de gasolina. “Trabalho aqui há dois anos e desde então essa placa está assim, virada para dentro. É um descaso”, reclamou o frentista João Ferreira Nascimento, de 48 anos.

O motorista sofre mesmo ao passar pela ondulada pista na Avenida Dr. Assis Ribeiro, que é um acesso para chegar à Rodovia Ayrton Senna. No trecho perto da USP-Leste, a sinalização do solo também está apagada e não há divisão entre as faixas. “O asfalto da pista é horrível. Tem muito remendo. É preciso melhorar a qualidade”, disse o consultor de vendas Marcelo Alves Malveira, de 37 anos, que mora há 27 anos no bairro. Ele conta que a drenagem da pista também é insuficiente. “Durante as chuvas, a água fica acumulada no meio da via, esse problema nunca foi resolvido”, disse.

Para o arquiteto e urbanista Flamínio Fichmann, consultor em engenharia de tráfego, é preciso pensar numa série de melhorias para as vias da região. “Não dá para pensar apenas em uma via isolada. Há muito tempo a CET abandonou o plano de orientação de tráfego para a cidade, que cuidava da sinalização de placas como um todo. Na zona leste é preciso melhorar a qualidade do asfalto das principais vias”, apontou.