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Sábado, 25 de Outubro de 2014
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Roller derby invade o Ibirapuera

Categoria: Geral

Cristiane Bomfim

É impossível não notar quando, nas noites de sexta e domingo, garotas maquiadas, usando shorts curtos coloridos e meias arrastão vestem seus patins na marquise do Parque do Ibirapuera, na zona sul da capital.

Elas são 24 e têm entre 20 e 35 anos. Praticam o roller derby, um esporte de contato sobre patins que fez muito sucesso nas décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos, quase desapareceu e agora “está voltando com tudo”, garante Beki Band-Aid, como é conhecida a produtora de cinema Juliana Bruzzi, de 30 anos, fundadora da primeira liga de São Paulo: a Ladies of Hell Town – ou Garotas da Cidade do Inferno, em português.

Só meninas podem participar deste esporte. Aos homens, restam as funções de treinador ou juiz. Os patins são do tipo quad, com duas rodinhas na frente e duas atrás. É obrigatório que as jogadoras usem capacete, joelheiras, cotoveleiras, munhequeiras e protetor bucal.

“É para garantir a segurança”, afirma Beki. Ela lembra que o esporte não é violento. “As pessoas acham que tem violência, mas não é assim. O contato é permitido e as quedas podem ocorrer. Tudo tem regra.”

O roller derby é disputado em pista oval, entre dois times com mínimo de 14 e máximo de 20 componentes. Na pista, são cinco garotas de cada time que patinam no sentido anti-horário. O objetivo é marcar pontos ultrapassando as adversárias.

Cada partida tem dois tempos de 30 minutos que são divididos em períodos menores – chamados de jam – de até dois minutos. A jammer é a pontuadora do time. Ela é identificada por uma estrela no capacete. As outras quatro jogadoras são bloqueadoras e devem impedir a ultrapassagem da jammer adversária.

Não são raros os hematomas nos braços e pernas. “Não pode empurrar ou dar cotovelada para fazer o bloqueio, mas é permitido fazer com o antebraço e ombros. E vão ocorrer quedas”, explica o treinador da equipe Denis Pierre Araki, de 26 anos, conhecido no esporte como Coach (técnico, em português) D. Araque. Ele foi apresentado à liga por sua mulher e decidiu ajudar no treinamento. “Ando de patins há 14 anos.”

Outra regra: os participantes, quando são reconhecidos pela liga e deixam de ser fresh meat – carne fresca –, ganham um codinome. O apelido é registrado num site internacional (www.twoevils.org) e não pode ser repetido.

“Para virar novata (rookie) e ter direito ao nome, a menina precisa ter aprendido a jogar em todas as posições e mostrar comprometimento com a liga”, explica a fundadora Beki. A decisão é tomada em conjunto pelas integrantes mais antigas da liga.

Durante o treino, as garotas aprendem a patinar com velocidade e até a melhor forma de cair. “Difícil é ajeitar a postura para andar de patins para o derby”, explica Coach D. Araque.

Ele lembra que o esporte não exige um tipo físico específico. Podem participar altas e baixas, magrinhas e gordinhas. “Todas as características físicas são aproveitadas no jogo. Então, não tem desculpa.”