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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
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Reciclar lixo eletrônico? É só clicar

Categoria: Comportamento, Meio ambiente

Isis Brum

A bateria do celular ‘arriou’, o computador ‘queimou’ e aquele refrigerador, que já não dava conta do recado, foi finalmente trocado. A satisfação de pôr em ordem a vida eletroeletrônica inicia um segundo desafio: o que fazer com os equipamentos velhos? Compostos por substâncias tóxicas e prejudiciais à saúde, esses aparelhos não podem ser simplesmente descartados no lixo comum. Para facilitar a vida de quem tem consciência ecológica, o Instituto Sérgio Motta lançou, em março deste ano, um site onde o internauta insere o CEP de sua residência ou empresa, escolhe o tipo de material a ser descartado – entre 45 opções disponíveis – e aguarda o buscador selecionar os pontos próximos do endereço sugerido.

O e-lixo maps, como foi chamada a ferramenta, funciona no site www.e-lixo.org e conta com 750 postos cadastrados, na capital e em outras grandes cidades do Estado, como Campinas, Ribeirão Preto, Santos, Guarujá e Santo André. A maioria, porém, é de operadoras de celulares. Em média, são feitos 400 acessos por dia, mas há picos de até 1 mil visualizações.  Segundo a diretora da entidade, Renata Motta, a meta é cadastrar todas as unidades de coleta e reciclagem existentes no Estado e expandir para todo o País. “A ideia surgiu porque percebemos que esse serviço é mal divulgado e fica escondido nos sites das empresas que o possuem”, afirma Renata Motta, sobre a necessidade de concentrar essas informações e torná-las acessíveis ao grande público.

O Cerdi/USP é um dos pontos de coleta cadastrados no site (Ernesto Rodrigues/AE)

O Cedir/USP também coleta material eletrônico (Ernesto Rodrigues/AE)

 

Destinação correta
A boa saúde da população depende da destinação correta da parafernália de objetos eletrônicos cada vez mais presentes no dia a dia. Todos esses equipamentos são produzidos a partir de substâncias contaminantes, como o plástico, e algumas altamente tóxicas, casos do cádmio, cromo, chumbo, fósforo e mercúrio. “Um aparelho celular jogado em um rio tem poder de contaminar 675 mil litros de água, o suficiente para matar a sede de 750 pessoas durante um ano”, alerta Sérgio Levin, diretor operacional da Coopermiti, cooperativa conveniada à Prefeitura de São Paulo e especializada no recolhimento e reciclagem de lixo eletrônico – o agendamento para recolher eletrônicos sem restrição pode ser feito no www.coopermiti.com.br. Para receber os produtos, a Coopermiti cobra uma taxa. Para monitores, o quilo custa R$ 0,25 e para pilhas, R$ 1,40. Para cada lâmpada descartada, fluorescente ou não, são R$ 0,60.

O Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática da Universidade de São Paulo (Cedir-USP), no Butantã, zona oeste, foi aberto há cerca de cinco meses e recebe gratuitamente o escarte material eletrônico. O agendamento da entrega é feito por telefone  – (11) 3091-6454 /6455.

O telefone móvel possui mais de cem substâncias tóxicas, inclusive arsênico, que pode provocar câncer. O mercúrio, usado na fabricação de monitores, TVs de tela plana e lâmpadas fluorescentes, pode causar perda de fertilidade e lesão irreversível no cérebro.

Para se ter uma ideia do potencial tóxico dessas substâncias, pilhas, lâmpadas e monitores de computador são reciclados no exterior. Não existe, no Brasil, uma empresa regularizada para descaracterizar os componentes de cada um desses itens. O processo, de acordo com Sérgio Levin, é feito em uma câmara isolada e com uso de pulmão artificial para evitar qualquer tipo de contato humano com as substâncias tóxicas.

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