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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014
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Prostituição a cada 11 km em São Paulo

Categoria: Geral

Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise

“Eu não sou menor de idade e por isso eu faço o que quero com o meu corpo”, disse uma menina de pouco mais de 1,5 metro, com uma saia surrada e um rosto de criança – que não aparentava ter mais de 15 – na beira da Rodovia Presidente Dutra, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

Nas rodovias onde passa grande parte da riqueza do Brasil, também estão meninos e meninas vendendo seus corpos para sobreviver, satisfazer vícios ou enriquecer aliciadores. As estradas federais paulistas apresentam um ponto de exploração sexual infantil a cada 11,2 quilômetros – o pior índice do País, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (6) pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

O levantamento da PRF apontou a existência de 1.820 focos onde há essa prática ao longo dos 66 mil quilômetros da malha rodoviária federal. Houve pouca variação em relação a 2007, quando foram registrados 1.819 pontos.

“Verificamos migração entre os pontos, indicando que o enfrentamento ainda não é eficaz”, disse o inspetor da PRF Moisés Dionísio da Silva. “Mas o mapeamento servirá para definir prioridades para fiscalização e políticas públicas.”

A polícia identificou como pontos de exploração postos de gasolina, boates na beira das rodovias, bares, restaurantes e até trevos de acesso. A maior parte (69,3%) está em áreas urbanas e os estados com maior registro de pontos são Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais e Goiás.

São Paulo é o nono com 92 pontos. Mas a malha de rodovias federais do Estado é uma das menores do País, o que significa que o problema está presente em praticamente toda a sua extensão. O levantamento dividiu os pontos de exploração segundo nível de risco.

E a liderança dos considerados “críticos” fica de novo com São Paulo, quando se leva em conta a extensão da malha. “Intenso movimento de caminhões, alta densidade populacional na beira das estradas e desigualdade entre os municípios transforma São Paulo num ‘resumo’ da exploração no País. A desigualdade é comum nos pontos mais problemáticos”, disse Dionísio.