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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Projetos saem das escolas para livrarias

Categoria: Educação

LUCIANA ALVAREZ

Com menos de 15 anos de idade, ainda no ensino fundamental, estudantes de algumas escolas paulistanas já experimentaram o gosto de serem autores de livros. Em geral são obras coletivas, fruto de projetos de pesquisa com finalidade didática e muita dedicação, que extrapolam os limites da sala de aula.

Para os 70 alunos do 9º ano do Colégio Regina Mundi, na zona sul, anteontem foi um dia emocionante, pois ocorreu o lançamento do livro Matemática nas Profissões, na Livraria Cultura. Trata-se de um projeto desenvolvido nas aulas de matemática que deu tão certo que os professores não se conformaram simplesmente em dar nota e passar para o próximo assunto.

“Todo professor de matemática escuta direto a pergunta: por que tenho de aprender isso?”, explica a docente Elaine Barrela sobre o surgimento da ideia do trabalho. “Dividimos as turmas em grupos, cada um teve de investigar como se usa a matemática em determinada profissão, com pesquisas e entrevistas. Eles se envolveram bastante e o resultado foi surpreendente.”

O resultado impressionou também os autores. “Não pensava que iria tão longe, mas tenho muito orgulho do nosso trabalho”, diz o aluno Vinícius Ferraioli de Paula, de 14 anos. “Fizemos tudo no livro: pesquisa, textos e ilustrações. Para mim, a parte mais difícil foi escrever. Nunca tinha feito um texto tão grande.”

O Livro da Maria-Fedida, produzido pelos estudantes do 1º ano do ensino fundamental de 2008 do Colégio São Domingos, surgiu de uma ideia proposta pelos próprios alunos. “Eles observaram ovinhos na escola e quiseram descobrir do que se tratava”, conta a professora Renata Aguiar, que orientou o projeto. Foram as 21 crianças que pesquisaram, escolheram que informações entrariam e fizeram os desenhos que ilustram a obra.

Primeiro, o trabalho virou um livreto distribuído para as famílias. Mas a mãe de um aluno, dona da editora Alameda, viu no material potencial para bem mais. “Quando contei em classe a proposta de transformar o projeto em livro de verdade, eles ficaram alucinados, toparam na hora”, lembra a professora.

Uma das pioneiras em transformar o trabalho escolar em obra vendida nas livrarias foi a professora Theodora Maria de Almeida, com o Quem canta seus males espanta, de 1998. O livro já está na 31ª edição.

As músicas foram gravadas e as ilustrações, feitas pelos alunos do ensino infantil do colégio Bola de Neve naquele ano. “Era um trabalho que nasceu a pedido dos pais dos alunos, que vinham me perguntar como se cantava determinada música que os filhos aprendiam na escola”, diz Theodora. “Mas eu conhecia um pessoal de uma editora e eles acharam a ideia bárbara.”

Concurso reúne os melhores textos da escola pública
Outro jeito de estimular a produção de textos e de trabalhos artísticos na escola é a realização de concursos. Essa forma é adotada quando se abrange um número maior de estudantes, o que tornaria inviável publicar o trabalho de cada um.

Hoje será lançado o livro Escritor na Escola, uma publicação de nove textos de alunos – poesias, crônicas e contos – de algumas escolas públicas. O livro nasceu de um projeto da Academia Paulista de Letras e do Centro de Integração Empresa Escola para incentivar a leitura.

Neste ano, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, em parceira com a Câmara Brasileira do Livro (CBL), lançou o 1º Prêmio Ser Autor. Participaram alunos da rede e também os professores. A antologia, com 123 trabalhos, foi lançada na Bienal do Livro.

Na rede municipal paulistana foram escolhidos 20 desenhos de alunos que ilustrarão as capas dos cadernos distribuídos com o kit escolar no ano que vem. O tema do concurso, que está na segunda edição, foi O Melhor Lugar do Mundo.

Também no ano que vem, o Colégio Nossa Senhora do Carmo promoverá um concurso de redação entre seus alunos, cujos textos vencedores estarão em um livro. O tema já foi definido: Cuidar do que Está Próximo. “Pode ser interpretado como a natureza ou como os outros seres humanos”, diz a professora de ciências Izabel Cristina Stankezicius, que idealizou o prêmio.

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