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Terça-feira, 18 de Junho de 2013
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Projeto do monotrilho já provoca debates

Categoria: Transporte, Trânsito, Urbanismo

CAIO DO VALLE

É um marco arquitetônico? É o Minhocão? Não. É o monotrilho. Ou quase isso. A polêmica estrutura de apoio aos futuros trens suspensos já dá indícios de como será sua aparência quando for entregue, ano que vem.

E reacende o debate: trata-se de uma aberração urbanística? Ou, ao contrário, de um elemento que agrega valor à paisagem? Nesta semana, o Jornal da Tarde conversou com defensores e opositores do projeto. Bem ao lado da controversa obra de extensão da Linha 2-Verde do Metrô, na Avenida Professor Luiz Ignácio Anhaia Mello, zona leste.

No ataque, a pedagoga Rosa Richter, de 47 anos, e sua amiga, a economista Deise Bonome, de 43, críticas ferozes desse meio de transporte. As duas moram no Morumbi, zona sul, bairro rico por onde passará outro ramal de monotrilho, a Linha 17-Ouro. Do lado de lá, o empresário Jocimar Olaia, de 51 anos, que vive perto da obra da Linha-2 e apoia o projeto em curso na zona leste.

Até que as primeiras vigas de concreto por onde deslizarão os trens fossem instaladas, a sombra que provocariam era uma das principais preocupações de ambos os lados. Mas agora que 110 delas já foram içadas, Olaia abandonou o receio.

“Veja como a estrutura é leve. Não tem nada a ver com o Minhocão”, disse ele, ressaltando que muita luz solar passa entre as vigas paralelas, que são bem mais estreitas do que a via elevada que corta o centro da cidade.

Ele também acredita que o paisagismo executado pelo Metrô sob a obra, com o plantio de árvores e outras plantas, além de uma ciclovia, contribuirá para melhorar o aspecto do canteiro central de avenidas como a Anhaia Mello.

“É impossível achar que isso aqui é uma coisa que vai embelezar São Paulo”, argumenta Rosa. Ela defende uma linha subterrânea de metrô para a sua região, em vez do monotrilho pretendido pelo governo do Estado.

Para ela e Deise, mesmo sendo vazada, a estrutura atrairá moradores de rua e usuários de drogas, principalmente perto das pilastras. “E outra coisa: quem vai fazer a manutenção do jardim que ficará embaixo?”

Olaia, que é vice-presidente do Rotary da Vila Prudente, defende que, apesar de não ser o ideal, o monotrilho ajudará quem precisa do transporte coletivo na zona leste. “Ou era isso, ou não teríamos nada, porque o metrô não viria para cá.” Quando estiver pronta até Cidade Tiradentes, a extensão da Linha 2 deve transportar 550 mil pessoas diariamente dia.

Para Rosa, o ideal, nesse caso, seria uma linha de metrô convencional. E no Morumbi? E se o metrô resolvesse fazer ali uma linha de metrô com capacidade convencional, mas elevada, pode ser? Não. Tem que ser subterrâneo. “Queremos o melhor.”

Mercado imobiliário
A arquiteta e urbanista Ermínia Maricato, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), identifica o possível motivo de repulsa do monotrilho por alguns.

“Qualquer transporte de massa que passe por um bairro de elite vai causar quebra na valorização imobiliária. A questão é: ‘E daí?’ A função social da propriedade e da cidade está, pela Constituição, acima do interesse individual.”

Ela cita o exemplo do próprio Minhocão. A desvalorização causada por ele garantiu “a única possibilidade” de pessoas de baixa renda de morarem em locais bons do centro, como a Santa Cecília.

Passageira de uma linha de ônibus que faz o mesmo percurso do futuro monotrilho da zona leste, a costureira Maria do Carmo Cavalcanti, de 52 anos, não se incomoda com a estética: “Não acho feio nem bonito. Acho necessário.” Já o zelador José Roberto dos Santos, de 47, crê que o elevado surpreende por ser uma novidade. “É estranho porque não tem em nenhum outro lugar da cidade.”

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