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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Paulistano agora fuma de forma moderada

Categoria: Saúde

ISIS BRUM

O porcentual de paulistanos que consumem dois ou mais maços de cigarro por dia caiu de 42,15% para 28,83% de 2009 para 2010, uma redução de 31 %. Em compensação, houve aumento entre os que fumam de forma leve ou moderada, entre 1 e 40 cigarros por dia. Os dados são de um levantamento divulgado ontem, feito pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) durante ações estratégicas educativas promovidas pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod)na capital.

Foram entrevistados cerca de mil paulistanos a cada ano. A pesquisa classifica o fumante em três níveis, de acordo com a intensidade do consumo: leve (menos de um maço por dia), fumante (entre um e dois maços) e pesado (acima de dois maços). Cada pacotinho contém 20 unidades.

A diminuição da faixa de fumantes pesados vem acompanhada pelo aumento nas demais intensidades de consumo. O grupo dos intermediários passou de 24,86% para 29,19% – aumento de 17% de um ano para o outro. Já entre os leves, o crescimento foi de 32% – eles representavam 10,46% da amostra em 2009 e passaram a 13,82% em 2010.

Os especialistas comemoram a redução do número de cigarros tragados por dia pelo paulistano, mas ressaltam que qualquer nível de consumo pode ser perigoso. “Não há uma dose segura. E é preciso lembrar que qualquer forma de consumo do tabaco, incluindo narguilé, cachimbo ou charuto, é prejudicial à saúde”, aponta o diretor do Núcleo de Pulmão e Tórax do Hospital AC Camargo, Jefferson Luiz Gross. A instituição vai promover, a partir de sábado, uma exposição itinerante sobre os malefícios do cigarro na cidade (veja ao lado).

“Ficar ao lado de quem fuma já é prejudicial”, diz Gross. As pessoas expostas à fumaça do cigarro tem 30% mais risco de ter câncer do que aquelas que não convivem com fumantes, segundo os médicos ouvidos pela reportagem. Em relação ao levantamento na capital, a Secretaria atribui o resultado à lei antifumo, que restringe os locais onde é permitido fumar no Estado de São Paulo e entrou em vigor justamente em 2009.

O grau do tabagismo nos paulistanos entrevistados durante a pesquisa foi medido de acordo com a concentração de monóxido de carbono existente no organismo do participante por meio de um teste conhecido como ‘bafômetro do cigarro’. Os dados apontaram ainda que o porcentual de não fumantes passou de 22,5% para 28%.

“Quando há uma restrição externa, o fumante se sente estimulado a parar ou reduzir, pois 80% deles querem largar o vício”, analisa Marta Jezierski, diretora Cratod, órgão ligado à SES. “Essas restrições (lei antifumo) têm papel importante na mudança da cultura da dependência”, completa.

Apesar da melhora do cenário do tabagismo na capital, o porcentual de fumantes na cidade (19,6%) ainda é maior que a média nacional (15,1%), segundo a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, divulgada em abril.

A fumaça do cigarro tem cerca de quatro mil substâncias tóxicas – sendo 40 cancerígenas. O monóxido de carbono (liberado pelos escapamentos dos automóveis) está entre elas. Ele se associa às hemoglobinas, responsáveis pelo transporte de oxigênio no organismo, e impede a passagem do ar pela corrente sanguínea.

“Um fumante precisa fabricar uma quantidade muito maior de glóbulos vermelhos para transportar o oxigênio que uma pessoa que não fuma”, diz o cardiologista Carlos Alberto Machado, diretor de Ações Sociais da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Parar de fumar, mesmo após um longo período de consumo, sempre traz benefícios. “Em tratamentos com radio ou quimioterapia, a eficácia é menor entre aqueles que continuam fumando”, explica Gross. Os fumantes também têm mais risco de complicações durante as cirurgias.

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