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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Patrimônio é invadido por sem-tetos na Mooca

Categoria: Habitação, Patrimônio

Creche na Rua Joao Antonio de Oliveira, tombada e invadida por sem tetos (Foto: Evelson de Freitas/AE)

Creche na Rua Joao Antonio de Oliveira, tombada e invadida por sem tetos (Foto: Evelson de Freitas/AE)

 

Luiz Guilherme Gerbelli

Moradores de rua invadiram o terreno da antiga Creche Marina Crespi, na Mooca, zona leste da capital. Inaugurada em 1933, a construção é defendida pelos moradores como patrimônio histórico e o seu tombamento está em analise no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).

Ao todo, 56 famílias se dividem entre dois andares. No início, ocupavam o terreno apenas para dormir, mas, desde a semana passada, os novos moradores permanecem no local durante todo o dia.

A Associação Santo Agostinho (ASA), proprietária do terreno, promete entrar na Justiça com um pedido de reintegração de posso nos próximos dias. Na porta, duplas de Guardas Civis Metropolitanos se revezam dia e noite para impedir a entrada de novos invasores. O Boletim de Ocorrência para denunciar a ocupação foi feito na última quinta-feira.

“Vivemos uma situação difícil. Muitas famílias perderam as suas casas porque não têm emprego e não conseguem pagar o aluguel”, disse uma moradora que se identificou como Mel Rodrigues, de 30 anos. Ela está na creche junto com o marido, Roni, de 40 anos, e dois filhos. “Quem entrou foi chamando outra família que estava desabrigada.”

Para as janelas, as famílias improvisaram proteções contra o frio. Durante a noite, também armam um fogueira. Os moradores também aproveitam a água encanada para tomar banho e levar as roupas.

O teto do segundo andar já foi retirado. No local havia um projeto da construtora Eztec para a construção de um condomínio residencial de 73 metros de altura e 226 vagas de garagem. A empresa negou ser proprietária do local.

Ontem, a direção da associação esteve na reunião quinzenal do Conpresp e informou que entidade tem baixos recursos e vive de parcerias, por isso, não tem condição de realizar a manutenção necessária do prédio.

Até dezembro, a associação mantinha a Creche Marina Crespi em parceria com a Prefeitura. Sem condições financeiras de continuar a funcionar, cerca de 220 alunos foram transferidos para outras unidades.

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