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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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País testa droga para prevenir a aids

Categoria: Saúde

O uso diário de um medicamento oral contra a aids pode evitar a infecção pelo vírus da doença em pessoas saudáveis? Três centros de ensino nacionais e 350 homens brasileiros homossexuais vão ajudar a responder a essa pergunta, o que pode abrir caminho para uma nova arma no combate ao HIV. Atualmente, o preservativo ainda é o único método comprovado de prevenção.

A fase de testes em humanos do estudo inédito Iniciativa Profilaxia Pré-Exposição (iPrEx), promovido pelo governo norte-americano em parceria com a Fundação Bill e Melinda Gates e coordenado pela Universidade da Califórnia, foi concluída e a pesquisa acaba de entrar na fase de tabulação de dados.

Os primeiros resultados devem sair até o final deste ano. No total, onze centros de pesquisa no mundo participam do trabalho, em cinco países (além do Brasil, EUA, Tailândia, Peru e Equador). Os 350 voluntários brasileiros – saudáveis, não infectados pelo HIV – foram recrutados pela Faculdade de Medicina da USP, a Fundação Oswaldo Cruz e a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Durante um ano e meio, metade recebeu um comprimido diário da combinação de dois antirretrovirais e orientações sobre o uso da camisinha, entre outros cuidados. A outra metade, um comprimido de placebo (substância inócua) e também orientações sobre a necessidade do preservativo para o sexo seguro. Os resultados dos dois grupos serão comparados para se verificar a eficiência dos remédios.

“Caso haja eficácia, será um importante passo para provar que os medicamentos podem também ser usados como prevenção antes da exposição ao vírus”, diz o pesquisador-líder no Brasil, Esper Kallas, da USP. Segundo ele, um trabalho com as mesmas drogas em macacos mostrou a eficácia delas.

Grupos mais vulneráveis, que têm maior dificuldade em negociar o uso da camisinha em determinadas situações, poderão um dia ser os maiores beneficiados pelos resultados da pesquisa – caso, por exemplo, de travestis e profissionais do sexo.

“Uma medida que venha a ampliar os métodos de prevenção é sempre bem-vinda”, diz Jorge Beloqui, da ONG Grupo de Incentivo à Vida. “Mas a adesão pode variar segundo a população”. 

Fabiane Leite

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