Estadão.com.br
Terça-feira, 29 de Maio de 2012
Cidade
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Paulistanos descobrem aluguel de bike

Categoria: Comportamento, Transporte

Grupo de ciclistas "Red Lu" em frente à estação Cinemateca (Mariana Lenharo/AE)

MARIANA LENHARO

No primeiro domingo depois do lançamento sistema de empréstimo de bicicletas Bike Sampa, moradores das regiões próximas às estações começaram a se familiarizar com o mecanismo de empréstimo pelo celular. Neste domingo, 27, havia seis estações em funcionamento, todas na Vila Mariana. Mas a partir desta segunda-feira, 28, o bairro vai abrigar 10 pontos ativos de aluguel de bike.

Para os moradores do bairro, o projeto deve incentivar as pessoas a deixar os carros em casa e adotar a bicicleta como meio de transporte ou atividade de lazer. A arquiteta Mariana Lucas, de 30 anos, experimentou pegar uma bike na estação Cinemateca, que fica no Largo Senador Raul Cardoso.

“Acho legal porque é um bairro muito gotoso, tem vários pontos interessantes na região e isso possibilita ter um transporte que leva de um ponto a outro sem precisar se preocupar devolver a bicicleta no mesmo lugarâ€, diz Mariana. Ela conta que, quando esteve em Paris, utilizou um sistema de empréstimo semelhante.

O economista Fernando Fonseca, de 42 anos, levou toda a família para conhecer o sistema. “Acho que vai ajudar na conscientização de que precisamos de um transporte alternativo, que ajude na diminuição do tráfego de automóveis. É uma iniciativa bacana principalmente para incentivar a nova geraçãoâ€, diz.

Fernando Fonseca e sua família na estação Humberto I (Mariana Lenharo/AE)

Alguns ainda consideram o preço do aluguel alto em comparação a outras iniciativas. O projetista de instalações elétricas Artur Lopes Regino, de 27 anos, cita que o sistema de empréstimo de bicicleta da seguradora Porto Seguro é gratuito na primeira hora e cobra R$2 para cada hora adicional. Já o Bike Sampa é gratuito apenas na primeira meia hora e cobra R$5 a cada meia hora a mais.

“Mas já é um bom incentivo para a pessoa começar a andar de bicicleta e se habituar a vê-la como meio de transporte. Além da questão da saúde, desafogaria bastante o trânsito de São Pauloâ€, diz Artur. Ele faz parte do grupo de ciclistas “Red Luâ€, que pedala uma vez por mês, sempre aos domingos. O grupo alerta que o sistema não inclui o empréstimo de capacete, item de segurança essencial.

Já a aposentada Maria de Fátima Borges, de 60 anos, considera que o programa atende a uma população minoritária. “A ideia é ótima, mas antes seria importante melhorar o transporte público para a população, que está sofrendo muitoâ€, diz. Ela mora em frente à estação Humberto I e foi ao ponto conferir como funciona o aluguel. “Vou usar a bicicleta. Para mim é excelente porque é na porta da minha casa. Mas, teria que ver o que vai ser bom para a maioria.â€

O gerente de informática Ricardo Luiz também passou pela estação Humberto I para conferir. Ele mora no bairro do Limão, na zona norte. “Se tiver uma estação na zona norte e eu puder devolver aqui, posso ir trabalhar de bicicleta. Tomara que dê certoâ€, diz.

Muita confusão no show do Franz

Categoria: Geral

Roberto Nascimento

A fila serpenteava em volta do Parque da Independência, na zona sul da capital, quando os escoceses do Franz Ferdinand subiram ao palco, neste domingo, 27, para mostrar clássicos do indie contemporâneo. A banda fez uma apresentação gratuita para fãs e também muitas famílias. Para controlar o público que tentou furar a longa fila, a Polícia Militar usou bombas de efeito moral.

Como o último show da banda no País, em 2010, a apresentação no 16.º Cultura Inglesa Festival foi fulminante, direcionada pela cativante pulsação de dance rock pelo qual a banda é conhecida. No You Girls, tocada logo no início do set, mostrou que, depois de anos de sucesso, Alex Kapranos e seus companheiros não perderam a mão e que se pode apostar no novo disco da banda, anunciado ainda para este ano.

Abrindo para o Franz Ferdinand, os ingleses do The Horrors, a banda cult mais incensada de Londres no momento, fizeram apresentação sólida. Ao centro do parque, suas canções queimavam em fogo brando, mesclando vertentes díspares de rock, do new wave ao punk de garagem ao alternativo noventista, beirando, em algumas canções, o casamento de rock com eletrônico de Primal Scream.

Cabeludos, vestidos de jaquetões de couro, eles representam, não em termos de som, mas de atitude, um híbrido de Ramones e The Smiths para o público indie internacional: efervescência e angústia adolescente condensada em guitarras ferozes e vocais pensativos. Na Inglaterra, os fãs levaram o último disco da banda, Skying, para entre os dez primeiros das paradas de sucesso do ano passado.

Confusão. A expectativa de público para o festival era de 18 mil pessoas, embora às 18 horas era provável que a plateia do Parque da Independência não atingisse essa marca, de acordo com a organização do evento.

Mesmo com um número abaixo do esperado, havia confusão na entrada principal. Uma fila quilométrica se esticava ao redor da Praça do Monumento e, entre o muro e a grade, estruturava-se uma espécie de experiência sociológica com o público que respeitava a fila e o que a ignorava completamente, passando livre pelo largo espaço entre o muro do festival e o alambrado que afastava o trânsito.

“Fiquei na fila porque acredito que o Brasil vai melhorar algum dia”, disse Pedro Cintra, fã do Franz Ferdinand, que aguardava paciente. Já outra espectadora não pensou desse modo: “Estou com os meus filhos, não vou ficar duas horas em uma fila”, disse.

A reportagem avistou pelo menos um espectador pulando a grade do parque. Outros tentavam. E uma fatia considerável se conformava com a ideia de ficar de fora e montava acampamento do outro lado da rua, sentava na ladeira, com vista de longe para o palco. Perto da entrada, a fila dos “certinhos” encontrava a dos praticantes do “jeitinho” e um afunilamento a sucedia. A revista da Polícia Militar era lenta, pela quantidade de pessoas com mochilas e o fato de cervejas e outras bebidas alcoólicas serem proibidas no parque.

Foi a maior edição do Cultura Inglesa Festival. Laerte Mello, coordenador do evento, afirmou que o evento estava preparado. “No ano passado, a expectativa era de 12 mil. Neste ano foi de 18 mil”, disse. Quais medidas foram tomadas para receber o público maior? “Aumentamos o policiamento, o número de bombeiros e ambulâncias. Deslocamos todos os PMs para a revista, afim de torná-la mais eficiente”, contou Mello.

Kassab bate recorde de gasto com propaganda

Categoria: Geral

DIEGO ZANCHETTA e RODRIGO BURGARELLI

Os gastos da Prefeitura de São Paulo com contratos publicitários aumentaram 89% no segundo mandato de Gilberto Kassab (PSD), em valores corrigidos pela inflação, em relação ao primeiro mandato. Se comparados os cinco primeiros meses de 2011 e 2012, o acréscimo é de 70%. A ofensiva publicitária do governo conta até com distribuição de folheto mensal, cujo expediente vem com o endereço do gabinete do prefeito – Viaduto do Chá, número 15, centro.

 

Do Alto de Pinheiros, na zona oeste, a São Miguel Paulista, na leste, contribuintes estão recebendo o material dentro de um plástico com o nome do dono da casa, a exemplo das revistas. No folheto informativo de maio, a notícia de capa traz uma “perspectiva artística” do Edifício Cineasta, na Avenida São João, reformado e restaurado.

As obras para recuperar o prédio na região central, ainda degradado e pichado, começaram em 2 de abril. Os futuros moradores do prédio serão 50 artistas idosos cadastrados pela Prefeitura. No mesmo informativo, o governo fala sobre a criação de um parque linear de 1,5 km no Cantinho do Céu, região carente da zona sul.

Outro destaque da edição é o Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, citado como uma parceria da Prefeitura, que cedeu os terrenos para a construção dos conjuntos habitacionais populares. A gestão atual usou o cadastro do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) dos contribuintes para distribuir o informativo. O prefeito defende a campanha como “prestação de serviços” à população e cita como exemplo a propaganda da “faixa cidadã” para proteção de pedestres.

Temas. Além do folheto de quatro páginas coloridas, o governo tem levado ao horário nobre da TV a campanha “Antes não tinha, agora tem”. A Virada Cultural, a campanha pelo respeito às faixas de pedestres e o novo sistema de varrição de ruas são os temas mais recorrentes nos comerciais. A conta dessa publicidade oficial, porém, tem saído cara para o contribuinte.

Nos primeiros quatro anos do governo Serra/Kassab, foram aplicados R$ 123,59 milhões na verba da propaganda oficial. Em valores corrigidos pela inflação, esse montante seria hoje de R$ 154,5 milhões. De 1.º de janeiro de 2009 até ontem, a administração já pagou R$ 291 milhões por “publicações de interesse do município”.

Dados do orçamento de 2012 indicam que a verba recorde já aplicada pela Prefeitura em publicidade, que inclui o folheto distribuído todos os meses na casa dos paulistanos para divulgar projetos do governo, vai ocorrer no último e sétimo ano do prefeito à frente do Executivo.

Só neste ano já foram pagos R$ 56 milhões para propaganda – 70% mais do que no mesmo período do ano passado. O que chama a atenção, porém, é o volume já empenhado nos primeiros cinco meses de 2012 para o setor: são R$ 98 milhões demarcados para a publicidade até 20 de maio, ou 83% do total previsto para ser gasto na área durante o ano todo, enquanto no mesmo período de 2011 esse volume empenhado somava R$ 55 milhões.

Para disseminar o bordão do “antes não tinha, agora tem”, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) contratou alguns dos melhores marqueteiros do País, que trabalham em grandes agências do setor, como a Agnelo Pacheco e a Lua Branca. Para divulgar a Virada Cultural, por exemplo, o governo gastou R$ 2 milhões, o equivalente a 28% do custo total do evento para 4 milhões de pessoas, realizado no dia 6.

Por meio da assessoria de imprensa, o governo defendeu os gastos como meio de prestar contas à população sobre o que a Prefeitura vem fazendo nos últimos quatro anos. Também citou campanhas de prevenção à dengue, cujo custo neste ano foi de R$ 1,9 milhão, e de vacinação para justificar o crescimento dos custos.

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tópicos Relacionados

OAB realiza Exame da Ordem Unificado

Categoria: Educação

A OAB realiza neste domingo, 27, a primeira etapa do 7.º Exame de Ordem Unificado. Ao todo, estão inscritos 111.909 estudantes e recém-formados em Direito de todo o País. A prova objetiva tem 80 questões e deve ser resolvida em até cinco horas.

Os locais de prova já podem ser consultados pelos candidatos no site da OAB (www.oab.org.br) ou nos endereços eletrônicos das seccionais da OAB e da Fundação Getulio Vargas (http://oab.fgv.br).

As questões da etapa objetiva abrangem as disciplinas profissionalizantes obrigatórias que integram o currículo mínimo do curso de Direito. No mínimo 15% dos testes versam sobre o Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei 8.906/94) e seu Regulamento Geral, Código de Ética e Disciplina e Direitos Humanos.

Para se classificar para a segunda fase, o candidato deve acertar pelo menos 40 questões. A próxima etapa, de caráter prático-profissional, será realizada no dia 8 de julho. A prova é composta de quatro questões práticas sob a forma de situações-problema, valendo, no máximo, 1,25 ponto cada, e mais uma peça profissional, valendo cinco pontos, sobre tema da área jurídica de opção do examinando, sendo as opções as seguintes: Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Constitucional, Direito do Trabalho, Direito Empresarial, Direito Penal, ou Direito Tributário.

Filosofia
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidirá na próxima segunda-feira, 28, se inclui questões de Filosofia do Direito nas futuras edições do Exame de Ordem Unificado, obrigatório para bacharéis em Direito que desejam exercer a advocacia. A proposta, encaminhada à Diretoria da entidade, veio de uma comissão formada especialmente para discutir mudanças na prova.

O Colégio de Presidentes de Comissões do Exame da OAB acolheu a sugestão e quer colocar perguntas sobre Ética e Hermenêutica na prova. O argumento básico, segundo divulgou a Assessoria de Imprensa da Ordem, é que “o mundo atual exige cada vez mais a formação de um advogado que não seja mero repetidor de leis e normas, e sim uma pessoa que saiba interpretar as normas”, e também “que possua uma conduta reta e adequada”.

Se a proposta for aprovada, a Diretoria da OAB deverá estabeler quais conteúdos constarão das provas, o número de questões e a partir de que exame serão aplicadas as novas exigências.

Bairros-jardim na berlinda

Categoria: Sem categoria

FELIPE TAU

A Companhia City, mais importante empresa privada de planejamento urbano da história da cidade de São Paulo, completa cem anos em setembro e seu aniversário é o retrato de uma reviravolta urbanística na capital. Símbolos de loteamentos ideais em boa parte do século passado, os bairros-jardim, marca da empresa, foram cercados por prédios e concreto ao longo das décadas e hoje representam trincheiras verdes: ocupados sobretudo por casas residenciais e com farta arborização, resistem a disputas judiciais e investidas do mercado imobiliário.

“Esses bairros, próximos do centro, são um oásis de qualidade ambientalâ€, diz a geógrafa Magda Adelaide Lombardo, supervisora do Centro de Análise e Planejamento Ambiental (Ceapla) da Unesp de Rio Claro. Segundo ela, essas áreas, assim como os parques da capital, são responsáveis por manter o equilíbrio climático da metrópole. “O Jardim América, por exemplo, pode ter até sete graus a menos que o centro num mesmo momentoâ€, afirma.

Magda é autora de uma pesquisa segundo a qual a temperatura varia até 14ºC entre o centro da cidade, região mais verticalizada, e a Serra da Cantareira. As medições foram feitas via satélite com auxílio da Nasa (agência espacial norte-americana).

Os bairros-jardim começaram a ser construídos em 1911. Na época, a City reuniu recursos de investidores ingleses e comprou 12 milhões de metros quadrados na cidade – 37% da mancha urbana de então. Os arquitetos Barry Parker e Raymond Unwin traçaram os primeiros loteamentos e, ao longo de um século, o número de bairros da City chegou a 28 – ocupando 20 milhões de metros quadrados atualmente.

Os exemplos mais conhecidos são o Jardim América (1915) e o Pacaembu (1925). Com ruas sinuosas, calçadas largas, predominância de residências horizontais e vasta arborização, eles são protegidos pela Lei de Zoneamento.

Ela garante a validade das regras de uso e ocupação do solo estabelecidas pela City com cada um dos proprietários. Apesar disso, nem todos estão tranquilos.

“As regras da City são valiosas, mas não são suficientesâ€, afirma a aposentada Iênides Benfati, de 67 anos, presidente da Associação Viva Pacaembu e moradora do bairro – tombado em 1991 – há 42 anos. “O assédio é constante. Foram três tentativas de destombamento desde 2001â€, diz ela. A última, em 2010, é contestada pela associação na Justiça.

Inspirado no modelo da City, outro loteamento horizontal, o Jardim das Bandeiras, da década de 1950, na zona oeste, é objeto de uma disputa no Supremo Tribunal Federal (STF). A Associação Amigos do Jardim das Bandeiras (AAJB) quer impedir que uma incorporadora construa um prédio de quatro andares na região, contrariando as regras locais. A associação entende que a decisão pode influenciar o futuro de bairros semelhantes, já que a determinação do STF é parâmetro para decisões de instâncias inferiores.

Porém, para o arquiteto Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e relator do atual Plano Diretor da cidade (de 2002), os bairros-jardim não correm riscos.

“A tendência é de não modificação. Isso já está colocado com uma cláusula do atual Plano diretor, acho muito difícil alguém propor uma mudança no seguinteâ€, acredita. O atual Plano Diretor Estratégico (PDE), conjunto de leis que disciplina o crescimento da cidade, expira neste ano.

Nabil adverte que há pressões para que a Lei de Zoneamento seja mudada em ruas e avenidas centrais dos bairros-jardim. Segundo ele, a disputa ocorre entre os moradores. “Alguns querem que o comércio seja permitido, para que se aumente a oferta de serviços e o bairro se valorize. Outros temem o aumento do trânsito.â€

Posts Relacionados

  • No Related Post

Tópicos Relacionados