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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
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Obra já era polêmica antes da tragédia

Categoria: Geral

Apontada por especialistas e dirigentes do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) como uma das possíveis causas do desabamento do Edifício Liberdade, as obras feitas pela Tecnologia Organizacional (TO), no 3º e 9º andares do prédio, eram fonte de polêmica antes da tragédia que até ontem havia deixado 14 mortos e 14 desaparecidos.

O condomínio já havia pedido explicações à TO sobre as intervenções que estavam sendo realizadas no prédio de 20 andares que desabou na quarta-feira e fez outros dois – de 10 e 4 andares – também caírem. Havia preocupação em relação ao entulho e ao peso que o material de construção nas salas da empresa exercia sobre a estrutura do edifício.

Contratado pela TO, o engenheiro calculista Paulo Sérgio da Cunha Brasil elaborou um laudo limitando-se a informar ao síndico Paulo Renha que os quatro sacos de cimento armazenados no terceiro andar não apresentavam risco à estrutura. Ele negou ter qualquer participação na obra e disse que não foi contratado para fazer avaliações no nono andar.

“Havia um questionamento do síndico se aqueles quatro sacos de cimento poderiam provocar dano à estrutura. Falei que esse era o peso de duas pessoas se cumprimentando. Pensei até que era brincadeira. Isso não pode, evidentemente, causar nenhuma avaria”, disse o engenheiro. Cada saco de cimento pesa 50 quilos.

Cunha Brasil destacou que não identificou um engenheiro responsável pela obra no local. Ele também disse ter achado estranho que Renha não tenha questionado sobre uma parede que ele viu sendo erguida no terceiro andar. “A parede é mais pesada que os sacos de cimento”, disse.

Sem pilares ou vigas

Ainda segundo o engenheiro, todos os pilares do prédio eram externos. Não havia pilares ou vigas no meio das lajes. A eventual remoção de parede interna, portanto, não provocaria abalo na estrutura. “Todos os pilares são externos. No meio da laje, não tem pilar ou viga. Era uma laje plana.”

Procurado, o advogado Geraldo Beire Simões, que representa o síndico do Edifício Liberdade, não retornou as ligações. À TV Globo, ele informou que o laudo sobre as obras no nono andar ainda estavam sendo aguardados.

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