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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
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Número de fumantes cai 45%

Categoria: Saúde

Nos últimos 20 anos, o consumo de cigarro no País caiu quase pela metade, mas os fumantes ainda representam fatia significativa da população brasileira: 17,5% das pessoas com mais de 15 anos. Os dados são da Pesquisa Especial de Tabagismo, apresentada ontem pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). A queda de 45% no número de fumantes foi comemorada por médicos e autoridades de saúde, que interpretam a redução como reflexo de uma série de medidas de políticas públicas.

O País tem hoje 25 milhões de usuários de tabaco. “O Brasil mostra compromisso forte com o controle do tabaco. Houve redução da prevalência de 34,8% da população (em 1989) para 17,5%, o que não é frequente. O Brasil é exemplo para o mundo”, diz Alfonso Tenorio-Gnecco, gerente de Prevenção e Controle de Doenças e Desenvolvimento Sustentável da Organização Pan-Americana da Saúde.

Datam das últimas décadas restrições que, progressivamente, restringiram propagandas de cigarro na TV e patrocínios a eventos esportivos e impuseram alertas obrigatórios sobre males do tabaco – entre eles, mais risco de desenvolver câncer de pulmão e enfisema pulmonar (veja linha do tempo abaixo). “São aquelas fotos no maço do cigarro, aterrorizando as pessoas que fumam. Claro que tem gente que acha de mau gosto, mas ajuda. As restrições ao fumo em locais coletivos também deram impulso a quem já estava querendo parar de fumar”, diz o médico Hakaru Tadokoro, oncologista da Unifesp.

A pesquisa do Inca mostrou também que, no grupo que segue fiel ao tabaco, os porcentuais de fumantes foram maiores entre os homens (21,6%), as pessoas de 45 a 64 anos de idade (22,7%), os moradores de área rural (20,4%), os menos escolarizados (25,7% dos que têm até um ano de estudo) e os de menor renda (23,1% daqueles que vivem com menos de um quarto de salário mínimo).

“Essa queda é ótima notícia, mas ainda tem muito o que avançar”, diz Irma de Godoy, presidente da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia. “Avançamos em políticas públicas, mas a gente observa que há um certo desconhecimento da população em relação a algumas doenças provocadas pelo fumo”.
A auxiliar de serviços gerais Tânia Marques, 51 anos, fumou pela primeira vez aos 9 anos, incentivada pelo pai, que pedia a ela que acendesse o cigarro. Aos 48, consumia até 4 maços por dia e gastava R$ 250 por mês. “Fumava até durante o banho. Tirava a cabeça de baixo do chuveiro e dava uma tragada. Se o dinheiro não dava, pegava escondido do marido”, conta.

Em 2008, decidida a largar o vício, fez tratamento de reposição de nicotina. “Mas fiz de conta que ainda estava fumando e guardava aquele dinheiro do cigarro. No fim do mês, comprava um presente para mim”. Em três anos, Tânia trocou a geladeira e a TV e comprou joias, um sonho antigo. “Agora posso gastar meu dinheiro no que quero. E estou mais saudável”.

Fábio Mazzitelli, Mariana Lenharo, Laís Cattassini e Clarissa Thomé

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