MP quer investigar ação na cracolândia
- 10 de janeiro de 2012 |
- 23h19 |
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Categoria: Administração
BRUNO PAES MANSO
WILLIAM CARDOSO
“Operação precipitada”, feita “à base de cavalos, bombas de gás, balas de borracha, dor e sofrimento” e “aparentemente desastrosa”. Após criticar a Operação Centro Legal, o Ministério Público Estadual anunciou ontem que instaurou inquérito civil para investigar as medidas adotadas por Estado e Prefeitura na cracolândia.
A reação do governo veio rápido. Minutos depois das declarações do Ministério Público, o secretário de Estado da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, definiu a atuação dos promotores como “oportunista”, “pirotécnica” e “de interesse dos traficantes”. “O destino desse inquérito é o limbo dos arquivos”, disse ele, reclamando que os promotores nem sequer ouviram o Estado.
A discussão foi mais um capítulo da polêmica que começou na terça-feira da semana passada, com o cerco da cracolândia pela Polícia Militar. Um dia depois, o coordenador de Políticas sobre Drogas da Secretaria de Estado da Justiça, Luís Alberto Chaves de Oliveira, disse que a estratégia da operação era forçar usuários a buscar tratamento por meio de “dor e sofrimento” causado pela dificuldade de encontrar a droga.
Ontem, os promotores rebateram. “Queremos articulação e respeito em vez de dor e sofrimento”, disse o promotor de Justiça de Direitos Humanos e Inclusão Social, Eduardo Ferreira Valerio.
Ferreira Pinto negou que a ação da PM tenha sido precipitada. E disse que a Prefeitura dispunha dos equipamentos sociais e de saúde necessários para atender aos consumidores de crack. “Dizer que era preciso esperar a abertura do centro da Rua Prates é um despropósito.”
Para os promotores, a operação tampouco serve para acabar com o tráfico. Eles também criticaram os gastos na operação, Ferreira rebateu afirmando que as medidas estão sendo tomadas com transparência e disse “lamentar” a leviandade das acusações. Por fim, afirmou que a polícia continuará na cracolândia independentemente do inquérito.
Em nota, a Secretaria da Justiça, responsável por coordenar as ações, teve outra posição. “O governo do Estado vê com bons olhos todos os esforços de outras instituições, como o Ministério Público, para aperfeiçoar o combate a esta chaga social.”
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