Mortos no Rio podem passar de 20
- 26 de janeiro de 2012 |
- 23h29 |
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Categoria: Geral
O centro do Rio amanheceu ontem envolto por uma nuvem de poeira, após bombeiros terem virado a noite em busca de possíveis sobreviventes do desabamento de três prédios comerciais, na noite de quarta-feira. Até o fim da noite de ontem, quatro corpos tinham sido retirados da montanha de escombros que tomou a Avenida Treze de Maio. Vinte e duas pessoas continuavam desaparecidas. No fim da tarde, parentes concentrados na Câmara dos Vereadores já não tinham esperanças de que bombeiros pudessem encontrar alguém com vida.
O desmoronamento mudou a rotina no centro da cidade. Ruas próximas da Cinelândia foram interditadas. A prefeitura pediu que a população não fosse de carro para o centro. Pessoas usavam máscara para se proteger da poeira que resultou da tragédia.
O primeiro corpo encontrado foi o de Celso Renato Cabral, de 44 anos. Ele estava abraçado a uma carteira de sala de aula e tinha um celular no bolso. O segundo corpo estava dilacerado, sem documentos. Cornélio Ribeiro Lopes, de 73 anos, foi identificado por parentes. O quarto corpo era de uma mulher, não identificada até a noite de ontem. Dos seis feridos na véspera, cinco foram liberados e uma mulher submetida a cirurgia continuava internada.
O recém-reformado Theatro Municipal ganhou como paisagem de fundo uma parede de tijolos e uma montanha de entulho. Com o passar do tempo, a esperança de encontrar vida no meio do entulho deu lugar à resignação. “As chances são muito baixas”, disse o comandante da Defesa Civil, coronel Sérgio Simões. Na noite da tragédia, ele falara de bolsões de ar que poderiam fornecer oxigênio aos soterrados.
Quando a reportagem chegou ao local do desabamento, poucos minutos após a tragédia, ainda não havia isolamento e mais de cem pessoas transitavam pelas imediações sem entender o que havia ocorrido. Havia cheiro de gás no ar e muitos carros encobertos pelo pó. Bombeiros alertaram que era preciso se afastar dos prédios vizinhos, cuja solidez estava em dúvida. Pessoas que trabalhavam nas imediações ou passavam por ali contavam o que tinham visto. “Estava levando um casal e o desabamento aconteceu na hora em que passávamos pela Almirante Barroso. O carro não foi atingido, mas ficou coberto de pó”, contou o taxista Robson Pedro.
Quatro prédios na região foram esvaziados para facilitar o trânsito das equipes de resgate. A população mostrava solidariedade. O dono do Galeto Liceu, André Tavares, abriu as portas mais cedo para servir água às equipes de resgate. “É minha forma de ajudar.”
As causas do acidente ainda são desconhecidas. O Conselho Regional de Engenharia do Rio acusou a empresa que funcionava em seis dos 20 andares de prédio que desabou de fazer obras irregulares. A empresa nega.
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