Moradores temem ‘cracoroosevelt’
- 14 de abril de 2012 |
- 22h40 |
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Categoria: Geral
CRISTIANE BOMFIM
Faltando pouco mais de quatro meses para a reabertura da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, moradores do entorno temem a possibilidade de o local, que tem área de 25 mil m², se tornar uma nova cracolândia. Ou uma ‘cracoroosevelt’, como define a aposentada Bartira Cataldi, de 69 anos. A dúvida se a praça terá ou não um serviço permanente de zeladoria, e a ausência de equipamentos públicos e atividades que atraiam a população são os principais motivos para a preocupação.
“São dois anos convivendo com o barulho e a poeira, e, mesmo assim, não arrisco dizer que isso tudo vai valer a pena. De que adianta reformar e não ter ninguém para cuidar e não ter nada que chame as pessoas para a praça?”, diz Bartira, que viveu na praça até os 22 anos, mudou-se para outros bairros e voltou em 1992.
Morador do centro há dez anos, o eletricista Edson Ferreira, de 29 anos, acredita que a praça “mais bonita e com banheiros públicos” vai atrair principalmente os usuários de drogas da cracolândia.
“Por causa das ações na região da Luz, esse pessoal se espalhou. E já tem muitos circulando por aqui. Isso vai aumentar quando abrirem a praça”, diz ele, que não acredita que uma base da Polícia Militar e outra da Guarda Civil Metropolitanas serão capazes de inibir pequenos crimes e a sensação de insegurança na praça.
Para o urbanista Valter Caldana, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, a sensação de desconfiança dos moradores é explicada pelos anos de degradação da Praça Roosevelt. “Gato escaldado tem medo de água fria. É justo que a população tenha alguma descrença e queira esperar o resultado antes de comemorar.” Mas ele afirma que o sucesso ou não da praça, a partir da entrega, é também responsabilidade dos moradores.
“A chance de a praça virar uma nova cracolândia é de 50%. Se a população não ocupar a praça, daqui um ano, ela será um depósito de poeira e de todo tipo de problema. Cabe ao poder público planejar e construir a cidade para o cidadão e nós temos de aprender a reocupar a cidade”, diz Caldana, que concorda com a preocupação dos moradores com a zeladoria da Praça. “Este é um dos principais problemas da cidade.”
Atividades
A Ação Local Roosevelt está conversando com os comerciantes, representantes das igrejas da Consolação e Presbiteriana instaladas no entorno, grupos de teatro e até a direção das escolas mais próximas para que sejam criadas atividades na praça.
“Queremos mobilizar e conscientizar as pessoas para que participem desse novo momento da praça. A ideia é que as escolas realizem atividades na Roosevelt, que os grupos de teatro encenem peças ao ar livre para criar esse laço”, afirma o presidente da Ação Local Roosevelt, Luís Cuza.
Segundo a Secretaria de Infraestrutura Urbana, os únicos equipamentos de lazer e cultura previstos para a praça é uma floricultura e um cachorródromo.

