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Terça-feira, 21 de Maio de 2013
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Migração tira da Grande SP 303 mil habitantes

Categoria: Geral

CRISTIANE BOMFIM

Em busca de qualidade de vida, há quase dez anos, a professora de história Valquíria Coelho Ferrari, de 72 anos, trocou a capital paulista por Jundiaí, no interior. A opção dela é reflexo do que vem acontecendo na Região Metropolitana de São Paulo na última década: mais gente tem saído do que chegado. Entre 2000 e 2010, o número de habitantes que deixaram os 39 municípios da Grande São Paulo supera o de pessoas que chegaram em 303.620, segundo estudo divulgado ontem pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados).

O êxodo equivale a duas vezes a população de São Caetano do Sul, no ABC. Essa é a maior queda no saldo migratório da história para a Grande São Paulo. Os dados mostram, ainda, inversão na tendência verificada na década 1991-2000, quando o saldo migratório foi positivo, com a chegada de 242.990 pessoas à Grande São Paulo.

O levantamento é resultado do cruzamento dos números de natalidade e mortalidade no Estado de São Paulo com os primeiros dados do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “A diferença entre o número de habitantes e o de pessoas que morrem e nascem em São Paulo é o saldo migratório. Ele define se as pessoas estão entrando ou saindo nos municípios”, explica a demógrafa da Fundação Seade, Sônia Regina Perillo.

Ela conta que, entre 2000 e 2010, a Região Metropolitana também acumula o menor crescimento populacional: apenas 0,98%. No período anterior, entre 1991 e 2000, o aumento foi de 1,68% ou 24.399 habitantes a mais por ano.

“A capital paulista apresenta ao longo das últimas três décadas uma tendência de saldo migratório negativo. Mas é a primeira vez que isso acontece com força nos outros 38 municípios. Isso mostra que a Região Metropolitana não está oferecendo atrativos para que as pessoas se fixem nela”, afirma Sônia.

Como ocorre nas últimas três décadas, a capital liderou o êxodo. Entre 1980 e 2010, mais de 1,5 milhão de pessoas deixaram a cidade. Só na última década foram 328.140 pessoas a menos. Osasco teve a segunda maior evasão de moradores entre 2000 e 2010, com 60.560 habitantes a menos.

Os principais motivos para a saída são qualidade de vida, segurança, alto custo das moradias, trânsito e poluição. “As pessoas estão optando por trabalhar na capital e morar em cidades mais distantes”, diz Sônia.

Para o arquiteto e diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, Valter Caldana, a descentralização da riqueza a partir da década de 1980 e investimentos no interior são alguns dos fatores que justificam a saída de pessoas da Região Metropolitana.
“Temos que levar em consideração que o que está ao redor de São Paulo melhorou muito. E isso começou na gestão do (ex-governador) Franco Montoro”, diz.

No caso de Valquíria, que optou por Jundiaí, o que pesou na decisão foi a saúde. Ela, que é baiana, mudou-se para a capital em 1989. Por problemas respiratórios, teve de procurar uma cidade com o “ar mais puro”, conta. Conheceu Jundiaí e se apaixonou. “A infraestrutura daqui é ótima. Temos ótimos hospitais, supermercados e salões de beleza maravilhosos, boas academias de ginástica.”

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