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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013
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Memorial da TAM vai abrir em julho

Categoria: Geral

CRISTIANE BOMFIM

Todas as terças-feiras, quando está em São Paulo, o empresário gaúcho Roberto Silva, de 56 anos, prepara junto com a mulher 70 cachorros-quentes e os leva para os operários que estão trabalhando na construção do memorial em homenagem às vitimas do acidente da TAM que matou 199 pessoas.

A rotina, que começou em janeiro, irá terminar no dia 17 de julho, quando a tragédia completa cinco anos e quando o memorial deverá ser inaugurado. Há três anos, ele comprou um apartamento em frente ao aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, e com vista para a praça, só para acompanhar de perto as obras que, quando terminadas, vão deixar menos pesadas suas noites.

A filha de Silva era uma das comissárias de bordo do voo JJ 3054. Tinha 20 anos e estava na TAM havia 10 meses. “Os operários não têm noção do que estão construindo. É muito mais que uma obra. Foi nesta praça a última vez que a minha princesa Madalena esteve na terra”, diz Silva, que se divide entre São Paulo e o Rio Grande do Sul.

Quando não está no canteiro de obras, ele acompanha o trabalho dos operários da janela do apartamento no número 7.305 da Avenida Washington Luiz. “Aquele lugar vai deixar de ser um espaço cinzento e feio. Vai ser bonito e de vida porque a vida continua”, diz.

Cerca de 70 homens se revezam na construção da praça. Trabalham de domingo a domingo das 7h às 17h para que nada atrase e com a supervisão do engenheiro Edgar Barreiros, de 53 anos, que garante que antes da data prometida tudo estará pronto. Mesmo com as chuvas imprevistas.

“O gaúcho vem sempre conversar com a gente. E não é o único. Outros parentes das vítimas passam por aqui para fazer homenagem”, conta Barreiros.

Amoreira
A praça está sendo construída ao redor de uma amoreira que resistiu à explosão da aeronave. “Ela será o símbolo da vida e da capacidade de vencer os traumas. Todo o projeto se organizou em torno dela”, explica o arquiteto e autor do projeto Marcos Cartum, que semanalmente visita o local.

O espelho de água ao redor da amoreira já está pronto. O muro em formato de arco que a separa da Avenida Washington Luiz e dá a sensação aos pedestres que passam por ela de que estão em um mirante, também.

Falta ainda o piso, que por enquanto é puro barro. “Nós começaríamos a fazê-lo no feriado de Corpus Christi, mas a chuva não ajudou. Como voltou a chover hoje (ontem) vamos deixar para sexta, sábado e domingo que são dias com previsão zero de chuva”, explica Edgar.

No piso, serão colocados 199 pontos de luz em memória às vitimas do acidente, que também terão seus nomes pintados na mureta que separa o espelho de água do resto da praça. A previsão é de que a parte civil do memorial – que inclui alguns brinquedos para crianças e bancos – esteja pronta até 10 de julho.

Os trabalhos de paisagismo, como colocação de grama e plantio de pequenos arbustos, devem começar antes disso.

Reflexão
O presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ3054 (Afavitam), Dario Scott, de 49 anos, afirma que a construção da praça está dentro do que foi combinado com a Prefeitura.

“No início, queríamos que ela tivesse um teatro com 190 lugares para que o local fosse símbolo de alguma ação social, mas explicaram que não seria possível, nos apresentaram outro projeto que foi aceito pela maioria”, diz Scott.

“É um marco para a cidade de São Paulo e um espaço para reflexão para que acidentes como estes não ocorram mais”, completa. Segundo ele, as homenagens e atos realizados pelos familiares e amigos das vítimas no dia da inauguração do memorial serão definidos na próxima semana.

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