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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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MEC mudou nota de alunos no Enem

Categoria: Educação

Paulo Saldaña e Carlos Lordelo

Ao contrário do que o Ministério da Educação (MEC) afirma, não foram apenas dois estudantes que tiveram alterada a nota da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A reportagem teve acesso a um documento em que o órgão que faz parte do consórcio organizador do exame elenca 129 candidatos que tiveram notas alteradas em função de “erro material”.

A lista foi entregue à Justiça Federal de São Paulo e consta no processo em que o estudante Michael Cerqueira de Oliveira, de 17 anos, pedia vista da prova. Aluno do Colégio Lourenço Castanho, ele teve a nota alterada de “anulada” para 880 pelo MEC – foi o primeiro caso de mudança de nota. Na semana passada, o ministério confirmou que outro estudante, em Belo Horizonte, também teve a nota corrigida.

Os nomes dos dois estudantes estão na lista a que a reportagem teve acesso. No texto, consta que o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/Unb) “informa que, em função do erro material, os participantes do Enem/ 2011 listados abaixo tiveram sua situação ou nota alterada”. A lista com os nomes tem três páginas e meia.

O ofício é endereçado ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), braço do MEC responsável pelo exame. O documento data de 30 de dezembro de 2011, antes do primeiro caso de alteração da nota da redação vir à tona.

A candidata Noemia Albojian Damazio, de 62 anos, é uma das citadas. Como teve a nota da redação zerada, ligou para o Fala Brasil, serviço de atendimento do MEC, e foi informada de que sua redação havia sido entregue em branco.

“Como a página podia estar em branco? Eu me dediquei ao texto, fui uma das últimas a sair”, reclama. “Sempre escrevi bem, tanto é que em 2010 fiquei com 700 na redação”. A candidata diz ter ligado outras várias vezes para o MEC e teria recebido sempre a mesma resposta: não havia o que fazer, a nota era mesmo aquela. Por isso, ela nem sequer se inscreveu no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que traz a oferta de vagas das instituições de ensino que adotam o Enem.

Correção subjetiva
Questionamentos sobre a redação do Enem marcaram as últimas edições do exame, mas neste ano foi a primeira vez em que o MEC assumiu ter alterado notas e deu vista de provas e correções. Assim que estudantes começaram a ter acesso ao espelho das correções, surgiram situações curiosas. É o caso de Bianca Peixoto Lucema, de 19 anos.

O primeiro corretor atribuiu 800 pontos na redação dela, em uma escala que vai até mil. O segundo avaliador zerou o texto por defender que ela havia “fugido ao tema” proposto. O terceiro corretor, por fim, deu 440, nota final para a estudante. Mesmo com recurso na Justiça, Bianca não conseguiu mudar sua nota e não conseguiu uma vaga em Medicina. “Consegui boas médias nas outras áreas”, garante. 

A folha de rosto de correção encaminhada pelo MEC para a aluna coloca outra dúvida sobre sua correção. Em parte do texto, o ministério afirma que a nota dela é 680, e não 440. O MEC defende que se trata de erro de digitação.

A redação de Bianca foi encaminhada para quatro corretores independentes para que eles corrigissem o texto, atribuindo uma nota ao material. Todos utilizaram a mesma matriz de cinco competências adotadas pelos corretores do Enem, assim como a mesma escala de notas. As notas dadas pelos convidados variaram entre 760 e 900 pontos. Não houve entre os quatro professores uma divergência acima de 140 pontos.

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