Estado.com.br
Terça-feira, 29 de Maio de 2012
Cidade
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Marginal: velocidade de caminhão pode cair

Categoria: Transporte

Com a restrição durante o dia, a Marginal do Pinheiros passou a ser invadida, após as 21h, por caminhões de todos os tipos e tamanhos.

Eles trafegam em alta velocidade, realizam manobras arriscadas, infringem as regras e colocam em risco os outros motoristas. A situação fez a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) iniciar estudos para reduzir o limite de velocidade na via.

Os caminhões podem circular na Pinheiros, das 21h às 5h, a até 90 km/h. A CET deve reduzir esse limite para 70 km/h nos próximos dias. A mesma medida já foi adotada na Tietê.

“Deixar os caminhões andarem a 90 km/h ali é assustador, absurdo”, afirmou o engenheiro Sérgio Ejzenberg, mestre em Transportes pela Poli/USP, que analisou o trânsito na Avenida dos Bandeirantes e nas marginais do Tietê e do Pinheiros na noite de segunda-feira, a pedido da reportagem. “Se um veículo pesado tiver de frear, poderá facilmente tombar.”

A restrição aos caminhões nas avenidas dos Bandeirantes, Jornalista Roberto Marinho e Marginal do Pinheiros começou no último dia 2. Caminhoneiros que trafegam entre 5h e 21h podem ser multados em R$ 85,12 e levar quatro pontos na carteira de habilitação.

Cerca de 30 mil veículos deixaram de circular por dia na Pinheiros. O problema é que, à noite, quando eles voltam à via, há pouca ou nenhuma fiscalização.

A CET informou que oito agentes atuam na Marginal do Pinheiros, “além de contar com policiais do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) e com a fiscalização dos radares (existem quatro no trecho)”.

Na segunda-feira, nas duas horas em que percorreu a via, a reportagem não encontrou nenhum dos dois guinchos apontados pela CET para atendimento nas avenidas dos Bandeirantes e Politécnica.

O que se vê são caminhões correndo, tentando recuperar o tempo perdido durante o dia. Após as 21 horas é possível ver grandes veículos de carga, como cegonheiras, invadindo todas as faixas para fazer ultrapassagem e depois retornar às pistas da direita em manobras bruscas.

“Não estamos infringindo a lei. Andamos dentro do limite”, disse o caminhoneiro João Luís Dias, que esperava no acostamento a hora de poder circular, na noite de segunda-feira.

Em vez de utilizarem o Rodoanel, como o governo esperava, os veículos pesados estão trafegando à noite para evitar pedágios e percursos mais longos.

“Como os caminhões conseguem rodar sem trânsito à noite nas marginais, eles preferem andar ali a pegar o Rodoanel, que é pedagiado”, disse Ejzenberg.

Naquela noite, caminhões trafegavam aos montes, um cortando o outro e apostando corrida com os outros carros. Ejzenberg afirma que a redução da velocidade nas vias é essencial para evitar acidentes com essa nova dinâmica.

Rodovia x avenida

“Como pode uma BR-116 ter velocidade máxima de caminhões de 60 km/h e dentro da capital ser de 90 km/h?”, compara ele, apontando para os caminhões que correm como os carros.

Um caminhão a 90 km/h passa do lado do carro da reportagem, perto de uma curva na Marginal do Pinheiros, próximo da Ponte Eusébio Matoso.

“Eu não faço curva ao lado desse caminhão, nunca. Sei que ele pode tombar numa velocidade dessas. Como uma carreta vai frear assim?”

Ejzenberg ainda chama a atenção para as marcas de derrapagens de caminhões na Marginal do Tietê. São dezenas, todas localizadas perto de saídas para as pistas central e local da via.

“São justamente os pontos de decisão, quando o motorista precisa trocar de pista”, explica o engenheiro. “Mas como a sinalização é ruim e ainda não há iluminação, a gente vê todas essas marcas absurdas, que mostram a velocidade que os caminhões estavam.”

Renato Machado e Rodrigo Brancatelli

2 Comentários Comente também
  • 16/09/2010 - 10:03
    Enviado por: Dr. Traffic Calming

    “Eles trafegam em alta velocidade, realizam manobras arriscadas, infringem as regras e colocam em risco os outros motoristas. A situação fez a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) iniciar estudos para reduzir o limite de velocidade na via”.
    A empresa mista CET trata determinadas situações como se não fossem de sua responsabilidade, fiscalização, por exemplo, e como se não tivesse conhecimento e responsabilidade anterior do problema. Depois de tantas infrações e muitos acidentes – vários fatais por tantos anos, agora vai iniciar os estudos para reduzir o limite de velocidade? Manteve a opção Velocidade (fator contribuinte para muitos dos acidentes) ao invés de Fluidez por tanto tempo e agora se comporta como estivesse isenta inclusive pela decisão anterior?
    A cidade foi “acelerada” por decisão da empresa CET, que colocou limites de velocidade, inapropriados em toda a Capital: Basta ver por exemplo, a av. Paulista e o entorno do Ibirapuera com 70 km! Bairros residenciais foram simplesmente “retalhados” e determinadas ruas tiveram seu limite de velocidade aumentados, apenas para facilitar o trânsito de passagem – sem critério, de carros,caminhões e agora VUC’s. Vários desses locais se tornaram focos de muitos acidentes, principalmente por erros de projetos de tráfego, sinalização falha ou inadequada e total falta de fiscalização ativa.
    “Encher” a cidade de placas, como as de limite de velocidade incompatíveis com o local, e as de proibido estacionar onde, por exemplo, em ruas de Moema, chega a haver 10 placas – 5 de cada lado em apenas um quarteirão, (normalmente quatro seriam suficientes – 2 de cada lado – no início e no final da proibição), sem a fiscalização constante, só servem para favorecer os fabricantes de placas e seus comissionados.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 16/09/2010 - 16:05
    Enviado por: Virgìlio Melhado Passoni

    Creio que serà uma boa medida, atè porquê, não iriam tomar uma iniciativa dessa natureza sem ter certeza que os meios justifiquem o fim.

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário: