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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013
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Manutenção falha torna placas de trânsito incompreensíveis

Categoria: Transporte, Trânsito

Caio do Valle

A função das placas de trânsito é ajudar a pôr ordem no fluxo de veículos e pedestres. E quando o caos atinge a própria sinalização horizontal? Na cidade de São Paulo, o desgaste do tempo, a falta de manutenção e o vandalismo afetam boa parte desses equipamentos, tornando-os, em muitos casos, incompreensíveis. Para resolver uma pequena parcela do problema, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) começou a substituir 10 mil (ou 2%) das 450 mil placas presentes nas ruas. A troca, contudo, ainda tem deixado vários sinais ilegíveis para trás.
O Jornal da Tarde percorreu 50 quilômetros de vias nas zonas norte, oeste, sul e central e encontrou 114 placas com defeitos. Desbotamento da tinta, amassados, sujeira e pichação foram os problemas mais comuns observados. Na Avenida Santo Amaro, ao lado da esquina coma Rua Doutor Eduardo de Souza Aranha, zona sul, a reportagem encontrou o pior caso. Muito velhas, todas as placas destinadas à travessia segura dos pedestres estão em péssimas condições. Em uma delas não é possível ler nada da mensagem que orienta a atravessar só quando a luz verde acender.
Pedestre frequente na região, o ajudante de cozinha Rodrigo Cesar, de 26 anos, reclamou das condições da placa. “Não consegui enxergar nada, é um absurdo. Pagamos muito imposto para deixarem a situação ficar crítica assim”. A poucas quadras desse ponto, na Rua Januário Cardoso, a CET já instalou novas placas que sinalizam o sentido do trânsito. Em uma rua paralela, porém, a Lourenço de Almeida, um sinal que indica qual é a velocidade máxima permitida aos carros, 30 km/h, está totalmente apagado.
Se ocorrer um acidente viário que poderia ter sido prevenido com placas em boas condições, a CET deve ser responsabilizada. É o que diz o engenheiro Sergio Ejzenberg, mestre em Transportes pela Universidade de São Paulo (USP). “Está no primeiro artigo do Código de Trânsito Brasileiro. Os órgãos de tráfego respondem objetivamente por ação ou omissão no caso da garantia do trânsito seguro.”
De acordo com o especialista, as placas precisam ser obrigatoriamente visíveis nas condições mais adversas possíveis, como em noites chuvosas. “Senão, ela some na paisagem urbana. E as placas têm de ter legibilidade.”
O consultor de tráfego Flamínio Fichmann defende que a CET modernize e torne mais ágil seus meios de detectar placas problemáticas. “Com o georreferenciamento que já existe, isso é muito simples. É injustificável não ter ainda. Mostra desleixo”. Para ele, ações pontuais como a que está em curso não resolvem. “É preciso ter manutenção permanente.”
A CET informou que está gastando R$ 5 milhões na colocação das novas placas, todas refletivas. A instalação acaba em até 80 dias. Segundo o órgão, as placas citadas pelo JT “passarão por vistoria e serão substituídas.”  ::

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