Lixo reciclável: 35% do material coletado é perdido
- 24 de junho de 2010 |
- 23h40 |
- Tweet este Post
Categoria: Sem categoria
Cristiane Bomfim
Três vezes por semana, a dona de casa Beatriz Ferraz, de 55 anos, separa o lixo reciclável da famÃlia e leva para um posto de entrega voluntária de uma empresa privada. Moradora da Rua Girassol, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, ela conta que há um mês a coleta seletiva da Prefeitura não passa no local. “Mesmo quando passava eu não confiava no serviço. A coleta é desorganizada, o lixo é amassado no caminhão e eu não tinha garantia de que seria tratado da forma correta”, diz.
A suspeita da dona de casa é confirmada por especialistas e pessoas que trabalham na separação do material. Segundo eles, um terço das 120 toneladas de lixo reciclável que a Prefeitura diz recolher diariamente é desperdiçado. Em dinheiro, essa quantidade representa mensalmente cerca de R$ 250 mil ou R$ 3 milhões ao ano, segundo cálculos do presidente do Instituto Brasil Ambiente e autor do livro Os bilhões perdidos no lixo, Sabetai Calderoni. As contas levam em consideração o preços vigentes para a venda destes materiais para empresas recicladoras.
O desperdÃcio ocorre porque as garrafas PET, o papel, as embalagens plásticas e longa vida e o vidro separadas pelos moradores são colocados em caminhões compactadores, que prensam o conteúdo. “Este caminhão não deveria ser usado. A perda é grande porque o lixo vira uma paçoca e não tem como recuperar. O material suja, quebra, fica prensado”, diz a coordenadora de ambiente urbano do Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em PolÃticas Sociais (Polis), Elizabeth Grimberg. Segundo levantamento do instituto, por dia, uma média de 42 toneladas de lixo que chegam à s 18 cooperativas conveniadas com a Prefeitura para serem separadas e enviadas à empresas recicladoras não podem ser aproveitados. O ideal para fazer a coleta do material, segundo Elizabeth, são os caminhões gaiola (que tem a caçamba ampliada com armações de ferro), onde o material é transportado sem ser amassado.
“A cidade está pagando caro por aterros, quando boa parte do lixo poderia ser reaproveitada”, diz Calderoni. Por mês, a Prefeitura paga R$ 48 milhões à s concessionárias Ecourbis e Loga. Elas respondem pela coleta, transporte e destinação do lixo. O valor inclui gastos com dois aterros. A coleta seletiva representa 1,2% do lixo domiciliar produzido na cidade por dia, que é de 10 mil toneladas.
Nas cooperativas, o lixo que chega nos caminhões compactadores leva muito mais tempo para ser separado. Segundo Luzia Maria Honorato, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), em média, um cooperado consegue fazer a separação de três toneladas de lixo por mês. “A quantidade poderia ser maior se o material não fosse compacto.” Sabetai diz que o ideal a ser triado em um mês é 10 toneladas.
A Loga e a Ecourbis afirmaram, por nota, que a utilização dos caminhões compactadores são exigidos no contrato com a Prefeitura. A capacidade deles é de 15 toneladas, mas no caso da coleta seletiva, a capacidade de carga foi limitada para até 3,5 toneladas.
Além do desperdÃcio, a cidade enfrenta ainda problemas no serviço de coleta seletiva, que se agravou desde maio. Sem o serviço, o lixo que poderia ser reciclado vai para aterros. Os especialistas criticam a Prefeitura. “A cidade possui 18 cooperativas com 1.000 trabalhadores. É pouco”, afirma Jutta Gutberlet, pesquisadora e coordenadora do projeto Brasil-Canadá para reciclagem.
Posts Relacionados
Tópicos Relacionados
- : Camelôs têm licença cassada em Pinheiros http://t.co/R0nxYELK 3 hrs ago
- : Ainda dá tempo de pegar sua fantasia http://t.co/QArPOMXW 3 hrs ago
- : Parte de prédio do Brooklin é interditado http://t.co/YnZ4EJec 3 hrs ago
- : Ônibus atropela 11 pessoas em ponto http://t.co/XQMEE3TW 3 hrs ago
- : Presidente do Metrô diz que usará lei para evitar greve http://t.co/aZ2PAa7Q 10 hrs ago
- More updates...
Posting tweet...
Powered by Twitter Tools




RSS
Deixe um comentário: