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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Kassab deve inaugurar apenas uma obra em 2012

Categoria: Administração

TIAGO DANTAS

A reforma da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, deve ser a única grande obra civil que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) vai inaugurar em 2012, último ano de seu mandato. Enquanto a oposição diz que isso é uma mostra de que há problemas na administração da capital, Kassab argumenta que seu objetivo não é apenas colocar placas em novas construções, mas, sim, fazer “um bom uso do dinheiro público”.

Pelo menos outras seis intervenções devem ficar prontas em 2013, quando um novo prefeito assume a cidade. É o caso da Fábrica dos Sonhos, que deve abrigar barracões das escolas de samba do grupo especial do carnaval paulistano, e da Praça das Artes, anexo do Teatro Municipal. Problemas com licitações, pressão de grupos de moradores e até a quebra do convênio que permitia ao governo municipal conceder o licenciamento ambiental para suas obras explicam parte dos atrasos.

“A cidade está acostumada com ações imediatas. Por outro lado, criticamos antecessores que não pensaram a longo prazo. E por isso a cidade tem muitos problemas”, argumenta o vereador Marco Aurélio Cunha, líder do PSD na Câmara. “O prefeito tem quebrado um paradigma. Em vez de montar e inaugurar rápido, mas faltando peça, está fazendo projetos para 10 ou 15 anos”, completa. Como exemplo, Kassab cita o repasse de R$ 2 bilhões ao Metrô.

Diretora do Movimento Defenda São Paulo, a urbanista Lucila Lacreta discorda do vereador. “Acho que o prefeito Kassab focou seus esforços em um projeto de poder e abandonou a cidade. Os serviços nas subprefeituras pioraram e elas, que têm o tamanho de verdadeiras cidades, perderam autonomia para planejar”, afirma Lucila. “Os projetos que a Prefeitura aprovou, como o túnel da Água Espraiada (que liga a Avenida Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes, na zona sul) e o Piritubão (centro de convenções em Pirituba, zona oeste, que pode sediar feira internacional em 2020), atendem claramente a interesses do mercado imobiliário.”

Também arquiteto, Kazuo Nakano, do Instituto Polis, concorda que a gestão Kassab tem investido em estudos e projetos, porém de forma isolada, o que não garante o planejamento da cidade. Além disso, segundo Nakano, “há falta de clareza da Prefeitura em informar quais são as obras prioritárias para a capital”. “Sem saber quais são as prioridades, a população não adere aos projetos. E hoje em dia não se pode pensar que o processo participativo é uma coisa secundária”, afirma Nakano.

Independentemente do andamento das demais obras na cidade, o presidente da Ação Local Roosevelt, Luiz Cuza, está contente com o resultado da intervenção na sua região e aguarda a inauguração da nova praça para o fim de agosto. “Fazemos reuniões com técnicos da Prefeitura e engenheiros da obra a cada dois ou três meses. Queremos que seja uma praça da comunidade, um grande centro cultural comunitário.” O projeto prevê duas garagens subterrâneas, o plantio de árvores e a instalação de uma base da PM.

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