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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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IPT faz analisa de pedaço de laje de prédio

Categoria: Geral

WILLIAM CARDOSO

Pedaços da laje onde foi feita a obra contra infiltração no Edifício Senador, no centro de São Bernardo do Campo, no ABC, serão enviados para análise no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Os laudos deverão apontar o motivo do desabamento ocorrido segunda-feira. O acidente provocou as mortes de Júlia Moraes, de 3 anos, e da enfermeira Patrícia Alves Farias de Lima, de 26.

“Pediremos a análise justamente para saber mais sobre a resistência do material usado, se a estrutura já estava corrompida ou não. Trabalhamos com a hipótese da infiltração associada a outras causas, como a época de construção da laje, por exemplo, e quanto tempo levou até que resolvessem o problema”, explicou o delegado Victor Lutti, titular do 1.º Distrito Policial de São Bernardo.

O peso da manta asfáltica colocada sobre a laje, a instalação de um ralo para escoar eventual excesso de água também serão alvo da investigação. A Prefeitura de São Bernardo disse que também fará um laudo técnico para saber os motivos do desabamento.

O síndico Lauro Salera negou ontem que a causa do desabamento esteja relacionada ao reparo na cobertura ou à infiltração. “Há mais ou menos um ano, foi feita a impermeabilização da área e nada mais. O reparo passou por um teste de vedação, tudo direitinho. Não apresentou qualquer tipo de problema depois. Não tenho a menor ideia do que pode ter causado a queda das lajes”, falou.

A Defesa Civil aguarda a conclusão do perícia para definir quando o edifício será liberado para reformas. A avaliação inicial é de que as estruturas não estão completamente condenadas.

“A família estava toda reunida no sábado, quando passou um carro da funerária. Ela disse ‘olha, já veio me buscar’, brincando. Parecia uma premonição”, afirmou a técnica de enfermagem Adriana Paixão, de 40 anos, tia de Patrícia.

Depois disso, também em tom de brincadeira, Patrícia comentou com os parentes que não gostaria, em hipótese alguma, que seu velório fosse realizado em Rio Grande da Serra, também no ABC, onde morava a maior parte da família. A cerimônia foi realizada ontem na vizinha Ribeirão Pires, e só depois então o corpo seguiu para o Cemitério São Sebastião, em Rio Grande da Serra.

A enfermeira é descrita como uma mulher bastante presente no cotidiano da família e dedicada ao trabalho. “Na semana que vem, ela iria começar a fazer uma pós-graduação. Era cheia de planos, queria trabalhar no Samu”, disse a padeira Andréia Mendes, de 37 anos, tia de Patrícia.

O mecânico de manutenção Marcelo Aparecido de Souza, de 40 anos, lembrou ontem da sobrinha se divertindo na festa do último sábado. “Parecia uma despedida. É assim que a gente vê as coisas agora”, lamentou.

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