Estado.com.br
Terça-feira, 29 de Maio de 2012
Cidade
Seções
Arquivos
Tamanho do Texto

Igreja sem banco, santo e altar

Categoria: Geral

FELIPE TAU

Um dos maiores artistas e arquitetos sacros do País, com mais de 300 igrejas no currículo, o paulistano Cláudio Pastro, de 64 anos, é responsável há mais de dez anos por todas as obras de arte na Basílica de Aparecida, a segunda maior do mundo, no interior de São Paulo. Mas é na Pompeia, bairro da zona oeste da capital, que fica sua obra preferida: uma pequena capela sem bancos e com uma rocha de granito como altar. Ela é dedicada a Santo André, que tem seu dia comemorado hoje.

Em homenagem ao santo, será realizada uma missa às 20h na capela, na Casa das Irmãs de Santo André. Inaugurada em agosto de 1995, a capela tem paredes brancas, amplas janelas retangulares e telhado com telhas de barro, traços pouco comuns nas igrejas tradicionais. Dentro dela, apenas uma imagem da Virgem Maria e duas pinturas de Pastro: as imagens de Santo André e de Jesus Cristo. Os bancos deram lugar a um grande assento circular de madeira, rodeado por carpete, onde os fiéis podem se sentar.

“Ela é simples, mas contém o essencial”, resume Pastro, responsável por trabalhos como o interior do Pátio do Colégio, no centro, e pelas obras dentro da capela usada pelo papa Bento XVI em sua visita a Aparecida, em 2007. A simplicidade, porém, esconde uma série de simbolismos.

De acordo com Pastro, tudo foi pensado com base na liturgia católica, desde o lado de fora. “Quem fotografa de frente, tem a impressão de que ela está entrando na terra, como se estivesse vindo do céu”, diz ele. Já o telhado, em quatro águas, remete a uma forma de tenda, “para lembrar a peregrinação do homem durante a vida”.

As referências ao universo cristão continuam no interior. “O edifício é quadrado, o que representa a Terra, o humano, para todos os povos. Já o círculo no meio da capela (o banco) é sinal de perfeição: o casamento do divino com o humano.” No lugar do altar, há uma rocha de granito quase bruto, de 2,5 toneladas, vinda de Salto, no interior de São Paulo.

Para o professor Fábio Mariz Gonçalves, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), a presença de elementos tipicamente nacionais é uma das grandes características do trabalho de Pastro. “Ele consegue lidar com a tradição cristã, mas tem algo de profundamente brasileiro em suas obras”, diz Gonçalves, que trabalhou com o artista no projeto da Catedral de Campo Limpo, na zona sul. “É o artista sacro mais importante do Brasil e um dos mais importantes do mundo.”

Formado em arquitetura sacra na Academia de Belas Artes Lorenzo de Viterbo, na Itália, Pastro tem obras na própria Itália, na Alemanha, em Portugal e na Espanha. No Brasil, assina igrejas, pinturas, esculturas e outras peças do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Entre as obras na capital paulista, estão a Igreja de São Marcos, na Pedra Branca, e o interior da Paróquia de Santo Emídio, na Vila Prudente.

2 Comentários Comente também

Deixe um comentário: