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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
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Sítios arqueológicos ameaçam reforma da Barra Funda

Categoria: Patrimônio

Felipe Oda

O projeto de reurbanização da Barra Funda, proposta na Operação Urbana Água Branca, está ameaçado. O estudo sobre impacto ambiental (EIA-Rima) encomendado pela Prefeitura identificou na área que será afetada, de 5,4 km², 11 prováveis sítios arqueológicos, com possibilidade de abrigarem cerâmicas indígenas ou objetos do início do século passado. Além disso, 5 imóveis tombados ou em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também podem ser danificados.

A data de início das obras da operação urbana ainda precisa ser definida pela Prefeitura. Antes disso, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente fará audiência pública para discutir o EIA-Rima. A pasta pode sugerir mudanças para evitar danos aos potenciais sítios arqueológicos ou ainda optar por dar continuidade ao projeto. Nesse caso, o Iphan precisa ser informado da decisão para que contrate empresas especializadas em arqueologia que escavarão e analisarão os terrenos.

 

Terreno na esquina da Av. Auro Soares de Moura Andrade com a Rua Pedro Machado é um possível sítio arqueológoco (Foto: Epitácio Pessoa/AE)

Terreno na esquina da Av. Auro Soares de Moura Andrade com a Rua Pedro Machado é um possível sítio arqueológoco (Foto: Epitácio Pessoa/AE)

“Depois que o Iphan é notificado, a obra só prossegue após o trabalho de escavação dos potenciais sítios ser finalizado”, explica a arqueóloga Lúcia Juliani, do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), órgão ligado à Prefeitura. Os estudos podem durar semanas ou até mesmo anos, explica o arqueólogo Job Lôbo, consultor da Walm Engenharia Ambiental, empresa responsável pelo EIA-Rima. Enquanto isso, as obras naquele trecho não podem continuar. “O tempo para o resgate (arqueológico) depende da quantidade de material encontrado, a profundidade, grau de preservação e tamanho do sítio”, explicou Lôbo. A cidade tem 16 sítios catalogados e estudados.

O Iphan informou que “irá avaliar as medidas mitigadoras (atenuantes) compensatórias necessárias para a preservação do patrimônio por tratar-se de um empreendimento (operação urbana) causador de grande impacto no solo, em área considerada de alto potencial arqueológico”.

Os 11 terrenos são tidos como possíveis sítios arqueológicos pelo seu estado de conservação. Neles, nunca foram erguidas construções e, por isso, seu subsolo pode ter objetos históricos. Além disso, estão perto do Rio Tietê, local que foi ocupado por índios.

Entre os imóveis tombados ou em processo de tombamento estão as duas casas da Rua Carlos Vicari, o terreno da antiga Indústria Francisco Matarazzo, a antiga Serraria Americana e um casarão na Rua Guaicurus. Todos, segundo o EIA-Rima, podem sofrer danos. A operação urbana prevê a construção de parques e 56 vias.

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