Haddad admite disputar a Prefeitura de SP
- 11 de julho de 2011 |
- 19h32 |
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Categoria: Educação
O ministro da Educação, Fernando Haddad, admitiu que seu nome, com sua autorização, “está efetivamente sendo discutido” no PT como um dos possíveis candidatos do partido à Prefeitura de São Paulo, nas eleições municipais do ano que vem.
“Eu tenho apreço por esse movimento”, disse o ministro. E justificou: “(O movimento em favor do nome dele para a disputa da Prefeitura paulistana) é em função de uma realização pessoal, por ter feito um trabalho no MEC que ganhou alguma visibilidade. Não deixa de ser para mim e para a minha equipe um sinal de que o Brasil tem avançado na área social, tem de avançar mais, mas não deixa de ser um reconhecimento”.
Sempre tratando o assunto com ressalvas e cuidado político para não desmerecer outros possíveis pré-candidatos do partido, Haddad diz que seu nome está longe de ser consenso. “Existe o debate dentro do PT sobre essa questão, mas, na verdade, é a posição de uma parcela que é minoritária dentro do partido”, disse.
“Então, se eu considerar isso agora estarei cometendo dois erros: primeiro, com o ministério. Segundo, de natureza política, de não reconhecer que quem cogita essa possibilidade com algum entusiasmo é uma parcela minoritária do partido”.
Em um partido dominado em São Paulo pela senadora e ex-prefeita Marta Suplicy, o ministro Haddad reconhece até que há uma enorme resistência a seu nome. “Se fosse uma pretensão pessoal, isso me afetaria. Mas não é uma pretensão pessoal. É uma discussão que está sendo feita com um colegiado de pessoas. É natural que seja assim. Simpatias por um ou outro. Mas não é um projeto pessoal”, explicou.
Haddad fez questão de citar os nomes de Marta e do seu colega de ministério Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) como petistas que podem reivindicar, segundo ele, até com mais direito, a posição de candidatos à Prefeitura de São Paulo em 2012.
“Considero que há figuras no partido que estão mais bem posicionadas e têm todo direito de pleitear a candidatura e disputar”, afirmou. “Eu entendo isso, que pessoas que possuem uma história de militância dentro do partido e teriam legitimidade de fazer a disputa comparando gestões, como seria o caso da Marta, ou se recolocando, como seria o caso do Aloizio. Enfim, pessoas que têm mais história no PT.”
O ministro da Educação tem um padrinho de peso: o maior defensor da sua candidatura e autor da ideia é o ex-presidente Lula, que tem feito apelos por “nomes novos” para tentar vencer o PSDB e Gilberto Kassab, o atual prefeito da capital.
O ministro sabe que a disputa é dura. A senadora Marta Suplicy, que já declarou querer uma revanche contra o tucano José Serra, tem grande incidência sobre o PT paulistano. Para emplacar Haddad, Lula terá de impor o nome do ministro, sob o risco de provocar um racha na campanha petista.
Diante desse cenário, a situação de Haddad pode ser descrita assim: não milita em favor da candidatura porque tem uma agenda cheia no MEC, mas não desautoriza as articulações. Ele resume: “Sem que eu esteja militando por isso, o nome está efetivamente sendo discutido.”
PARA LEMBRAR
Gestão não escapa de erros
Desde que assumiu o ministério, em 2005, ainda no governo Lula, Fernando Haddad enfrentou vários problemas. Em outubro de 2009, o Estado revelou o vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com isso, o Ministério da Educação foi obrigado a cancelar a prova e a remarcar o exame com dois meses de atraso.
No ano seguinte, em janeiro de 2010, o ministério estreou o Sistema de Seleção Unificado (Sisu) com diversos problemas – congestionamentos, dificuldades de acesso e mensagens de erro. Mais uma vez o ministro teve de enfrentar as críticas.
Já no final do ano passado, Haddad enfrentou de novo falhas na realização de outro Enem. Desta vez, foi a identificação errada das provas. O caso foi à Justiça e o impasse pôs no limbo 48.458 vagas oferecidas em instituições federais.
Haddad sobreviveu aos problemas e, a pedido de Lula, a presidente Dilma manteve o ministro no comando da pasta. Mas, em maio, um novo problema: depois da polêmica do kit contra a homofobia, criado pelo ministério, Haddad teve de suspender a produção do kit e recolher o material.
Lisandra Paraguassu e Rui Nogueira / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo
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