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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
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Garotos lutam contra preconceito para virar bailarinos

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Mariana Lenharo

Fazer balé custa caro para Manoel Matsumoto, 11 anos. São pedaços do lanche, o melhor lugar na fila ou qualquer outra coisa que uma certa colega de classe quiser lhe pedir. Ela é a única na escola que sabe sobre sua paixão quase secreta pelas sapatilhas. “Fica me chantageando: se não fizer o que ela pede, espalha a notícia para todos os colegas”, conta o garoto. E, no país das chuteiras, ele prefere não arriscar a reputação. “Meus amigos são daqueles que tiram sarro de tudo, daqueles que quando passam por alguém dão um tapa na cabeça. Se soubessem, não perdoariam”.

Irmão de Manoel, o bailarino Henrique, 13 anos, também passou por cenas embaraçosas desde que começou a dançar, aos 9. “Os vizinhos ficavam implicando, até a própria família fazia piadinha, mas ele sempre foi persistente”, conta a mãe dos garotos, Lilian Matsumoto. Os dois começaram a dançar por influência da irmã, também bailarina. Manoel diz que tem um primo que vai às apresentações só para tirar sarro. “Mas depois implora para ser apresentado às meninas do balé”, diverte-se.

Na casa do estudante Maurício Alves de Souza, 16 anos, o apoio da mãe não veio. Pelo contrário: ela queria, na verdade, ver o filho jogando futebol. A situação é parecida com a do garoto Mauro, personagem da novela ‘Escrito nas Estrelas’, da TV Globo. Ali, contudo, a reprovação vem do pai, indignado com a escolha esportiva do filho. Para Maurício, ao contrário, o pai teve um papel fundamental. Aos 11 anos, meses depois de ver uma apresentação de dança na Av. Paulista, disparou: “Pai, posso fazer balé”? Isso depois de já ter desistido do judô e da escolinha de futebol. Fez um teste na Escola Paulista de Dança, em Moema, e saiu de lá como bolsista.

Assim como os irmãos Matsumoto, Maurício também já enfrentou comentários maldosos na escola. “É incrível, se alguém faz alguma coisa que não seja futebol, eles já começam a zoar”, conta. Mas se orgulha da admiração que conquistou entre as meninas. Para elas, conta o garoto, ele é especial porque “curte uma coisa que vai lhe trazer um futuro”. O estudante Anderson Lima, 14 anos, também não se importa quando ouve piadinhas sobre o balé. “Tem alguns que ficam enchendo, mas nem ligo”, garante ele, que dança ao lado da irmã gêmea.

Nem todos os meninos, contudo, estão preparados para lidar com o preconceito. “Alguns sofrem tanta discriminação que, muitas vezes, não conseguem terminar o curso”, conta Paula Castro, que fundou, há 35 anos, o tradicional Ballet Paula Castro. “Hoje, há mais bailarinos que há 30 anos, mas eles ainda são poucos”, constata. Segundo ela, as danças de rua, como o hip hop, têm funcionado como porta de entrada para o balé.

O educador físico Fabiano Pries Devide, professor do Programa de Mestrado em Ciências da Atividade Física, da Universidade Salgado de Oliveira (Rio de Janeiro), dedica-se à pesquisa do preconceito de gênero nos esportes. Para ele, a inserção do homem na dança é como um cruzamento de fronteira. “Ao se inserir na dança, os homens são questionados em termos de sua identidade sexual, como se houvesse uma relação causal entre a prática corporal e a construção dessa identidade”, observa.

Na opinião de Devide, a escola, principalmente a educação física, deveria ter o papel de estimular um debate sobre o assunto, o que poderia colaborar para “um ambiente de respeito às diferenças”. O preconceito, diz a psicóloga Ana Mercês Bock, professora de psicologia social e educacional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, tem a ver com o fato de que, no imaginário social, o balé está fortemente relacionado à figura feminina. “Quanto mais machista a sociedade, maior a resistência. E o Brasil costuma ser mais machista que outros países, com exceção dos países árabes”, conclui.

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4 Comentários Comente também
  • 25/07/2010 - 13:25
    Enviado por: Rebecca

    Nossa… Que problemão! Agora, falando sério, que matéria mais inútil.

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  • 25/07/2010 - 22:26
    Enviado por: mauricio

    …me desculpe rebeca…
    -mas você já passou por isso alguma vez?
    -é acho que não,por ser mulher e por ser ignorante a tal ponto.Se você acha mesmo essa matéria inútil você não precisa ler essa matéria,nem entre no site….

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  • 01/08/2010 - 15:18
    Enviado por: Regina

    A arte quanto mais popular mais benefícios trás independente da idade e classe social.
    Facilita no aprendizado e na busca de novos conhecimentos, além de amenizar os preconceitos.
    Acredito que quanto mais houver incentivo a arte e ao esporte mais os jovens estarão preparados para tomar decisões objetivas e determinadas na sua vida.

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  • 18/04/2011 - 23:38
    Enviado por: Cibele Daniel

    Amo ballet de todo coração…
    Quando vou nas apresentações de ballet da minha irmã só vou admirar os meninos que dançam; Admiro demais BAILARINOS eles tem respeito e passam segurança quando levanta uma bailarina, sem eles que nos levantaria numa apresentação do quebra-nozes
    :)

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