Fumo passivo ameaça gravidez
- 9 de março de 2011 |
- 23h37 |
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Categoria: Saúde
FERNANDA BASSETTE E FELIPE ODA
Que fumar durante a gravidez faz mal para o bebê não há dúvidas. O alerta, agora, é para o perigo do fumo passivo na gestação: o risco de que a criança nasça morta é 23% maior entre as grávidas que convivem com fumantes em casa. A constatação vem de uma revisão de 19 estudos sobre o tema que acaba de ser publicada pela Pediatrics, publicação oficial da Academia Americana de Pediatria. Os pesquisadores também descobriram que a probabilidade de malformação no feto sobe 13% em gestantes expostas à fumaça do cigarro.
Especialistas afirmam que as substâncias químicas presentes no cigarro são até mais nocivas para os fetos do que para suas mães, que têm contato direto com a fumaça. “A obtenção de oxigênio nos fetos a partir do sangue da mãe ocorre pela hemoglobina fetal”, explica a cardiologista Jaqueline Issa, diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor, do Hospital das Clínicas. “A hemoglobina fetal absorve muito mais monóxido de carbono do que o próprio organismo da mulher. Dessa forma, o feto é muito mais suscetível ao efeito químico do cigarro.”
Na revisão, nenhuma das mulheres havia fumado durante a gravidez, mas todas tinham respirado a fumaça do cigarro dos familiares – e o pai do bebê era a primeira fonte dessa fumaça na maioria dos estudos. “As mulheres precisam evitar serem fumantes passivas desde antes da concepção e também durante toda a gravidez”, diz a professora Jo Leonardi-Bee, da Universidade de Nottingham (Inglaterra), coautora do estudo.
Responsável pelo Programa Antitabágico do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (USP), o pediatra João Paulo Lotufo diz que o cigarro provoca uma vasoconstrição, diminuindo o fluxo sanguíneo na placenta. Assim, com menos irrigação, há mais riscos de natimortos. “Ou o marido da grávida para de fumar ou ela troca de parceiro para evitar os riscos do fumo passivo na gravidez. Não tem outra opção”, sentencia.
Em um levantamento feito por Lotufo com 200 mães fumantes no período de amamentação, 30% delas disseram que seus médicos indicaram que parassem de fumar, mas nenhum deles soube orientá-las sobre como fazer isso. “Bebês que vivem em ambientes com fumantes têm de duas a cinco vezes mais riscos de morte súbita”, explica o médico.
Pneumologista do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo) da Uni versidade Federal de São Paulo (Unifesp), José Roberto de Brito Jardim revela que a universidade está criando até um ambulatório exclusivo para atender as grávidas fumantes. O objetivo é orientá-las sobre como parar de fumar, mesmo após o parto. “O cigarro tem mais de 3 mil substâncias não identificadas. O risco para a mãe é risco para o feto”, analisa.
Para o pneumologista Lúcio Souza dos Santos, do A. C. Camargo, é difícil estabelecer os riscos do fumo passivo para a gestante porque tudo depende da concentração da fumaça no ambiente e da quantidade de vezes em que a mulher é exposta ao cigarro. “A concentração do poluente é fundamental. Mas, se a exposição ocorrer repetidamente, certamente haverá riscos para o feto”, declara.
De acordo com Sandra Regina Sestokas, diretora do Hospital Maternidade Interlagos, da Secretaria estadual da Saúde, o cigarro tem ainda um efeito severo sobre a fertilidade feminina, por causa do efeito cumulativo. “Mulheres não têm renovação dos óvulos”, lembra.
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