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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Em SP, lixo reciclável se acumula em prédios

Categoria: Meio ambiente

FABIANO NUNES

Os condomínios da capital estão acumulando lixo reciclável por falta de coleta seletiva. A demanda está cada vez maior, mas as 21 centrais de triagem da cidade não dão conta de processar o material produzido a cada dia. E os síndicos, após estocarem por algum tempo os resíduos recicláveis, o descartam junto com o lixo comum.

É o que tem acontecido no edifício Saint Moritz, na Avenida Moema, na zona sul de São Paulo, que há quatro anos faz a coleta seletiva. Mas este ano teve que despejar o material reciclado junto com o lixo comum por atraso na coleta. A Ecourbis, empresa responsável pela coleta nas zonas sul e parte da leste, se recusou a levar o material. “Eles alegaram que não tinha para onde levar por que as centrais de triagem estavam lotadas. Como o contêiner de reciclado estava transbordando, tivemos que despejá-lo no lixo comum”, comentou a fisioterapeuta Patrícia Botto, de 35 anos, subsíndica do prédio. A coleta seletiva é feita uma vez por semana.

De 2009 para 2011, o volume médio de resíduos coletados diariamente na cidade de São Paulo teve um aumento de 12,5%. Passou de 16 mil toneladas por dia para 18 mil. Mas a quantidade de itens enviados para a reciclagem continua por volta de 1%. Passou de 120 toneladas (0,71%)por dia em 2009, para 214 (1,13%) em 2011.

“O ideal é que a cidade estivesse reciclando cerca de 25% do total do lixo produzido”, apontou a arquiteta e urbanista Nina Orlow, da Rede Nossa São Paulo. Mas, de acordo com ela, a cidade precisa fazer um estudo gravimétrico do lixo, o que traduz o porcentual de cada componente que é recolhido. “O que afinal temos no nosso lixo da varrição, quanto há nele de plástico, papel, que poderia ser reaproveitado? Enquanto a cidade não fizer essa análise, fica impossível traçar planos e metas para a reciclagem”, comentou.

O Edifício Copan, no centro da capital, que conta com cerca de cinco mil moradores, chega a gerar 75 toneladas de lixo por mês. Desse total, consegue enviar para a reciclagem 15 toneladas. Mas também encontra dificuldades na hora da coleta. “As cooperativas nem sempre funcionam. Como sou grande gerador de lixo, fiz uma parceria com uma ONG para a coleta. Mas tem semanas que eles não recolhem o material reciclado, que fica se acumulando na garagem”, reclamou o síndico do condomínio, Affonso Celso Prazeres de Oliveira, de 73 anos. Só de pilha ele tem cerca de uma tonelada que ainda não teve destinação. “Essa semana não vieram coletar o lixo, a gente quer ajudar, mas tem horas que dá vontade de descartar o lixo para reciclagem junto com o lixo comum”, disse.

A síndica do Edifício Rio Sena, na Rua Henrique Schaumann, em Pinheiros, zona oeste, tenta há um ano implementar a coleta seletiva no seu prédio, mas sem sucesso. “Chegamos a fazer a coleta seletiva por quatro anos, mas a empresa que recolhia parou de fazer o serviço. Mantivemos a filosofia da coleta seletiva pois temos os contêineres, mas o material é despejado com o lixo comum, pois a Loga não incluiu nossa rua no itinerário da coleta seletiva”, reclamou. A empresa disse que a rua não está cadastrada para ter a coleta seletiva.

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