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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014
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Donos mandam empalhar pets

Categoria: Comportamento

MARICI CAPITELLI

Fotos e imagens já não são mais suficientes como recordação dos animais de estimação que morrem. Donos estão preservando também uma parte do corpo dos pets. Isso é possível com a taxidermia artística, popularmente conhecida como empalhamento. O que antes era restrito às espécies silvestres vem ganhando espaço entre os bichos domésticos. Para os proprietários, é a maneira encontrada de ter para sempre seus companheiros.

Mas é preciso ter estrutura psicológica para fazer essa escolha. O museólogo e taxidermista Emerson Boaventura, de 39 anos, faz papel de psicólogo antes de aceitar o trabalho de taxidermia de um pet. Isso porque já teve dono que taxidermizou o animal e enfrentou muito sofrimento emocional na hora de buscá-lo.

“É muito interessante. Se a pessoa chega e fica segurando o animal morto no colo sem conseguir se soltar dele e colocar na bancada é preciso conversar mais a fundo com esse cliente.” Nesses casos, Emerson orienta a deixar o corpo do animal com ele e pensar melhor. “O dono precisa entender que vai mudar a relação dele com aquele animal, que o cão taxidermizado vai expressar um cão e não o seu amigo cão.”

Passada a comoção inicial da perda do bicho e desse tempo para pensar, muitas pessoas acabam desistindo da taxidermia, segundo o profissional.

Mas para os que aceitam, Emerson também impõe uma condição: só faz o pet em posição como se estivesse dormindo. “Quando estão vivos é muito gostoso ver os bichos dormindo porque eles estão em paz. E vai ser essa sensação de prazer que vai ficar toda vez que ele olhar para o animal.”

Caso optasse por manter em posição de movimento, como se estivesse abanando a cauda ou andando, Emerson afirma que o proprietário, mesmo de maneira inconsciente, iria esperar uma reação quando se aproximasse do animal empalhado. “Como isso não vai acontecer, a pessoa pode ficar deprimida.”

Reação
O taxidermista Luis Carlos Mendes Antunes, de 41 anos, trabalha com o pet exatamente na posição escolhida pelo dono. “É dessa maneira que ele quer preservar seu animal e isso faz sentido para ele.” De acordo com o profissional, quando os proprietários vão buscar a peça pronta, costumam reagir com espanto e alegria. “É uma surpresa com o quanto ficou fiel ao animal original.”

Os dois taxidermistas são procurados por pessoas de todas as classes sociais e com as mais diversas histórias. Muitos vão logo avisando que pagam o que for preciso para que seu animal seja preservado. Mas Emerson também já preservou um periquito por R$ 50 de uma senhora muito humilde. Ela pagou cinco prestações de R$ 10.

Os preços também variam. Emerson cobra por um poodle em torno de R$ 1,2 mil. Um fila pode chegar a R$ 3,8 mil. Os gatos de pelo curto entre R$ 1,2 mil e R$ 1,4 mil. Um persa, R$ 1,6 mil. No estúdio de Luiz, um papagaio custa por volta de R$ 300, já um pinscher, em média R$ 600, e um pastor alemão, R$ 2 mil.

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