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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013
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DNA é mais complexo do que se pensava

Categoria: Saúde

Onze anos atrás, quando o primeiro rascunho de sequenciamento do genoma humano foi publicado, uma das maiores surpresas foi constatar que apenas 2% das 3 bilhões de “letras” químicas que o compõem correspondem a genes propriamente ditos. Os outros 98% foram apelidados de “DNA lixo”, por não ter função conhecida no corpo.

Mais de uma década de ciência depois, mais de 30 trabalhos publicados simultaneamente em quatro revistas científicas de peso, incluindo Nature e Science, descartam em definitivo o apelido pejorativo, confirmando várias evidências acumuladas ao longo dos anos de que o “DNA lixo”, na verdade, é valioso.

A geneticista Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP), acredita que os dados abrirão muitas perspectivas de tratamento, apontando para novos alvos genéticos e melhorando o entendimento de como o genoma funciona. Uma das áreas médicas que certamente tirará proveito dos dados é a oncologia, na qual a relação entre genética e fisiologia se dá de forma mais acentuada.

Os resultados, oriundos do projeto Enciclopédia de Elementos de DNA (Encode, na abreviatura em inglês, que significa “codificar”), indicam que mais de 80% do genoma humano têm algum tipo de função bioquímica operacional. “Eu diria que o termo ‘DNA lixo’ pode ser definitivamente jogado no lixo”, diz a geneticista Mayana.

Dentro do que se chamava de lixo, os pesquisadores do Encode encontraram uma riqueza milionária de sequências chamadas reguladoras, que não codificam proteínas diretamente, mas interagem de alguma forma com o funcionamento dos genes.

Algumas funcionam como interruptores, ligando ou desligando genes. Outras, como um botão de volume: aumentando ou diminuindo a intensidade com que eles se expressam. É esse maquinário regulatório que permite ao ser humano ser uma espécie biologicamente tão complexa com “apenas” 20 mil genes – bem menos do que um grão de arroz.

“O genoma humano é muito mais complexo do que imaginávamos”, diz Mayana. “Estão confirmando a suspeita de que essas sequências também têm um sentido biológico enorme”, reforça Dirce Maria Carraro, diretora do Laboratório de Genômica e Biologia Molecular do Hospital A.C. Camargo.

Herton Escobar

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