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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Discos de vinil celebrados em bazar

Categoria: Comportamento, Geral

PEDRO ANTUNES

É um ritual: tirar o vinil do encarte, em geral mais bem trabalhado que o de um CD, colocá-lo na vitrola, ajustar a agulha nos sulcos e pronto: a música surge com um jeitão antigo, vintage. Depois da quase (e anunciada) extinção, durante os anos 90, os bolachões, como os discos são apelidados, voltaram a cair no gosto de um público mais jovem, de até 30 anos. Cerca de 600 deles compareceram domingo, 19, no Paribar, no centro de São Paulo, para o primeiro Bazar de Discos, e encontraram 36 expositores apertados dentro do local, com ofertas de R$ 10 a R$ 100.

Bazar de discos de vinil no Paribar (Foto: Mônica Bento/AE)

Marcio Custódio, de 31 anos, criador do bazar e dono da loja Locomotiva Discos, localizada na Galeria Nova Barão, também no centro, festejou o sucesso do evento, divulgado através de redes sociais. “São Paulo nunca teve uma feira desse tipo, que reunisse expositores, compradores e curiosos”, diz. Custódio diz que a ideia é que o Bazar se torne bimestral.

“Vamos conversar com a Prefeitura para realizar o Bazar do lado de fora, na praça”, explica, referindo-se à Praça Dom José Gaspar. O público no local era predominantemente jovem. Os amigos Fernanda Gomes e Eduardo Correia, de 27 e 29 anos, respectivamente, cresceram na era do CD, durante os anos 90. Em casa, tinham a vitrola e os vinis dos pais. “Sempre quis ter uma vitrola minha”, diz a moça. “Há dois meses fui para Londres e comprei. Estou começando a coleção”, diz Fernanda, animada, mostrando os cinco discos comprados havia pouco, com bandas de Rolling Stones a Sex Pistols.

Eduardo diz que o CD e a possibilidade de baixar músicas pela internet tirou a identidade da arte como um todo. “No vinil não existe muito isso de pular as faixas. Há um respeito maior com a obra do artista.” É uma espécie de fetiche dos apreciadores de música.

Havia grande variedade de gêneros musicais entre os expositores. Apesar da usual procura por discos de rock ou de música brasileira, era possível encontrar títulos de jazz, bossa nova, soul e música latina. “Fiquei surpreso com a procura por discos de soul e funk”, confessa Dicleison Leite, dono da Tuca Discos.

A escolha pelo tradicional Paribar faz sentido. Segundo os garçons do bar, em 1978 e 1979, Mick Jagger e Keith Richards, voz e guitarra dos Rolling Stones, frequentaram o local, durante uma passagem por São Paulo. A ironia é que nessa época alguns dos frequentadores do Bazar de Discos sequer tinham nascido.

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