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Terça-feira, 29 de Maio de 2012
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Direito é o curso mais procurado no País

Categoria: Educação

Em 2010, Direito foi a carreira mais procurada pelos estudantes do País, com 632 mil candidatos interessados nas 218 mil cadeiras ofertadas, de acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2010, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC). No total, entre todos os cursos presenciais das instituições públicas e privadas do Brasil, foram oferecidas 3,1 milhões de vagas – e o dobro de estudantes se inscreveu nos processos seletivos. 

A lista dos cursos mais buscados pelos brasileiros tem ainda Administração, com 617 mil inscritos, seguida por Medicina, com 542 mil, Pedagogia, com 268 mil, e Enfermagem, com 257 mil. No caso de Administração, a demostração de interesse se repete há alguns anos. Em 2010, segundo o MEC, essa foi a carreira com o maior número de estudantes no País: 705.690. “Pode não haver vaga no mercado de trabalho para tanto administrador que está se formando e, ao mesmo tempo, o Brasil precisa de outras carreiras”, diz o secretário de Educação Superior da pasta, Luiz Cláudio Costa.

Direito vem logo depois de Administração em relação aos cursos com maior número de alunos no País ( 694 mil), seguido por Pedagogia (297 mil), Enfermagem (244,5 mil) e Ciências Contábeis (244,2 mil). Juntas, essas cinco carreiras respondem por 67% do total de universitários brasileiros. Para Costa, contudo, a concentração da formação em áreas específicas é negativa. “Isso não é bom para o desenvolvimento do País, nem vantajoso do ponto de vista social e econômico”, avalia.

Costa defende a instalação de mecanismos que permitam ao aluno “ter melhor visualização das vagas disponíveis”. Ele cita como exemplo o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ferramenta criada pelo MEC em 2009 que reúne vagas oferecidas por diferentes instituições federais de ensino superior e permite ao aluno pleitear uma delas utilizando a nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Se em algumas carreiras a disputa é acirrada, em outras a ociosidade é grande. Em 2010, de acordo com o Censo, metade (49%) das vagas de ingresso para novos alunos oferecidas pelas universidades, centros universitários e faculdades do País não foi preenchida. Das 3.120.192 cadeiras disponíveis, só 1.590.212 foram ocupadas. Entram nessa conta todas as 2.377 instituições de ensino do País.

Em termos absolutos, é no Sudeste que sobram mais vagas de ingresso: 886 mil, de 1,6 milhão de cadeiras disponíveis, a maior oferta do País. Em termos porcentuais, a maior ociosidade é no Centro- Oeste: 53%. “É bom que o Brasil tenha muitas vagas porque está preparado para a expansão”, diz Costa.

A ociosidade de vagas chama a atenção principalmente na rede particular, mas também há sobra nas instituições públicas, especialmente nas municipais: 36 mil lugares não foram preenchidos em 2010. “As instituições municipais passam por dificuldades. Estamos elaborando um programa para que a gente possa apoiar as instituições públicas que não são federais e que têm dificuldades de financiamento ou de infraestrutura. Com esses problemas, às vezes elas não conseguem atrair o estudante”, afirma o secretário.

Maioria das vagas sobra em Hotelaria e Gastronomia

Entre as diferentes áreas de formação acadêmica, o maior porcentual de vagas ociosas está na área de serviços, que reúne graduações como Hotelaria, Turismo e Gastronomia: 60% da oferta no setor não foi preenchida em 2010, segundo o Ministério da Educação (MEC). Em carreiras ligadas às atividades de Agricultura e Veterinária a ociosidade chega a 30%.

Para a Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), representante do setor privado, a explicação para a grande sobra de vagas é que parte das instituições solicita ao MEC autorização para um número maior de vagas do que pretende preencher. Isso ocorre especialmente no caso das faculdades que não têm autonomia para abrir novas vagas – elas inflam o número para não ter de solicitar outra autorização caso queiram ampliar a oferta.

Presidente da Abmes, Gabriel Rodrigues afirma que é preciso que o ensino superior adeque a oferta às necessidades de mão de obra do País e às demandas dos estudantes. “A realidade está mostrando que esse planejamento (do atendimento) precisa ser feito com mais critério, a oferta não pode ser espontânea se não atender às necessidades reais das várias regiões.”

Além da falta de interesse dos estudantes por determinadas áreas ou instituições, o próprio MEC reconhece que, muitas vezes, é o custo elevado das mensalidades que afasta o jovem da universidade. Para contornar isso, a ideia é expandir programas federais como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (ProUni) – incentivos para que alunos de baixa renda estudem em instituições privadas.

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