Difteria cresce quatro vezes no País
- 1 de outubro de 2010 |
- 23h34 |
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Categoria: Saúde
O Ministério da Saúde alertou nesta sexta-feira, 1º de outubro, para a necessidade de melhora na identificação, notificação e diagnóstico da difteria. A doença, transmissível e aguda, é causada por uma bactéria que se aloja nas amígdalas, faringe, laringe e nariz e pode ser prevenida com vacina disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).
Neste ano, o número de casos da doença no País é quatro vezes maior que em 2009: 27 doentes ante 6 no ano passado, período em que não houve mortes. Em 2010, só até setembro, já foram 6 óbitos – todos no Maranhão, Estado em que 32% dos municípios registram menos que 95% de cobertura vacinal, patamar tido como referência.
A pasta reforçou a importância da imunização na infância e na adolescência, além dos reforços das doses ao longo da vida. Segundo o Ministério, o número de casos de difteria registrava uma tendência de queda nos últimos anos por causa das altas coberturas vacinais – no início dos anos 1990, o País chegou a registrar 640 casos.
De acordo com nota técnica do Ministério, “apesar da intensificação das ações de vacinação, a difteria permanece ocorrendo em diversos países do mundo (…) incluindo o Brasil”.
A pasta destacou que neste ano a maioria dos casos tem sido causada pelo tipo intermedius da bactéria, considerado o mais invasivo pelos infectologistas. Ainda segundo informações do Ministério, tem ocorrido mudança no perfil clínico-epidemiológico da doença: há ausência em alguns doentes de um tipo de membrana na garganta que caracterizava a difteria.
Além disso, há registros de endocardite (infecção que atinge o coração), pneumonias e osteomielite (infecção óssea) por causa da bactéria. Outra mudança: a faixa etária de ocorrência dos casos tem se deslocado da infância para a idade adulta.
A vacina contra a difteria na infância protege também contra coqueluche e tétano. Segundo o calendário de vacinação infantil do SUS, deve ser aplicada em três doses, com dois reforços, a partir de dois meses, com a última aplicação até os 6 anos. Na adolescência (a partir dos 11 anos) são necessárias outras três doses. E, depois, reforços a cada dez anos, por toda a vida, usando a vacina conjugada com a do tétano.
“O problema é que todo mundo esquece. Os médicos, também. E isso ocorre no mundo inteiro”, diz o infectologista Arthur Timmerman, do Hospital Heliópolis.
“Em crianças, a placa que se forma na garganta em razão das toxinas produzidas pela bactéria pode levar ao sufocamento. No adulto, pode haver até mesmo comprometimento ósseo e cardíaco”, explica Timmerman. Segundo ele, “a vacina está disponível, é baratíssima, simples. O registro de um caso de difteria é uma falta grave”.
A reportagem entrou em contato com o secretário de saúde do Maranhão, José Soares Leite, em sua casa, ontem à noite. Ele informou desconhecer os casos e afirmou que verificaria a situação.
“É preciso verificar a faixa etária dos casos, se houve vacinação dessas pessoas e se a vacina era boa e estava bem armazenada”, diz a infectologista Marinella Della Negra, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
Em nota, o ministério destacou que há vacina suficiente e disse ter informado as secretarias estaduais de saúde em agosto sobre o problema. A pasta não respondeu ontem sobre possível estratégia de reforço da vacinação no País. ::
Fabiane Leite
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